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portugal dos pequeninos

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O fim abrupto do nosso mundo

João Gonçalves 3 Jun 13

 

Vinha no metro a ler o livrinho de Vila-Matas precisamente quando tudo aponta no sentido contrário a "uma vida absolutamente maravilhosa". Vale o "abraço maravilhoso" que o autor deixou no autógrafo aquando da sua passagem pela feira do livro (sim, não são apenas as sónias  e os sónios vanessos que pululam nas galáxias editoriais portuguesas, com as suas prosinhas em acordês inspiradas nas cartas da revista Maria ou numa banda desenhada rasca sobre história de Portugal, que passam por lá). É um livro de crónicas e ensaios, matéria em que Vila-Matas está à vontade como numa conversa séria ou jocosa à mesa de café de uma cidade qualquer. Lá dentro encontro este bocado de La Calle Rimbaud que me apetece reproduzir numa tradução livre, minha, porque vem a propósito do tudo com que comecei. «Envelhecer talvez tenha a sua graça, todavia também é verdade que envelhecer serve para comprovar que fizemos um caminho e que o tempo caminhou ao nosso lado; serve para comprovar que avançámos através de dunas movediças que não nos levaram mais longe que ao fim de um trajecto íntimo e que nos deixaram no começo de um deserto do qual, ao olhar para trás a tentar recuperar qualquer coisa da nossa Calle Rimbaud, apenas podemos entrever um velho caminho em que o tempo, já às portas do deserto, escreveu o fim abrupto do nosso mundo, do mundo.»

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