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portugal dos pequeninos

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Assim os homens

João Gonçalves 2 Jun 13

 

Ilustra este post um livro de poemas de João Miguel Fernandes Jorge. Uso-o pela razão bem trivial que é, dos livros dele, um dos que mais gosto, na 1ª edição, de 1982, Na Regra do Jogo, com capa de João Botelho e um posfácio do Joaquim Manuel Magalhães. E uso-o porque já se percebeu que a este concreto mês de Junho, o que lhe faltar em calor e em água de mar aceitável, lhe sobrará em "actividade" ou pseudo-actividade dita política geral. Começou com o desinteresse da "maioria silenciosa" pelas anunciadas dezassete ou dezoito manifestações "contra a troika". O país que não fala está preocupado e, por consequência, recatado. Está em casa a fazer contas ou sai de casa para espairecer (e trabalhar se tiver trabalho) e não para se "mobilizar". Os chefes partidários afastam-se prudentemente do atomismo das manifestações, mesmo das mais sofisticadas como a promovida pelo dr. Soares que se destinava apenas a comprometer Seguro. Seguro anda por aí a lançar os seus candidatos autárquicos e, de caminho, tenta apropriadamente falar à nação. Até Passos Coelho, sozinho desde que Miguel Relvas saiu de cena, apareceu em momentos oficiais e em momentos de partido fora de Lisboa. Daqui a uns dias discutir-se-á o orçamento rectificativo já à espera de putativo próximo como enunciou o primeiro-ministro. Também consta que será o mês da "reforma do Estado" a qual, como lembrava Fátima Bonifácio, não é epistemologicamente equivalente a "cortes". Coisas interessantes que se possam fazer - por exemplo, Paulo Macedo ou Álvaro Santos Pereira respectivamente na saúde e na economia -  são diluídas na frivolidade, no mexerico, no "fiscalês" de ocasião e no "amiguismo" das redacções. Para celebrar o seu aniversário, o Jornal de Notícias promoveu sondagens autárquicas que divulga hoje. No que me interessa, Lisboa, Costa sem se mexer deixa a vinte pontos de distância qualquer alternativa. Se isto não se equilibrar (e não é Seara - que renegou em Sintra, sem pestanejar, o seu "número dois" e verdadeiro executivo em nome dele - quem o fará), é um vexame sem nome.  Tudo somado, e como num verso de À beira do mar de Junho, "assim os homens".

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«A Expo, essa maravilha, deixou só um novo arrabalde, longe do centro, uma ilhota de kitsch em homenagem aos seus lúcidos promotores. O Porto, onde não há tanta megalomania, em vez de um espectáculo para impressionar o próximo, constituiu uma Sociedade de Reabilitação Urbana, que se destina fundamentalmente a atrair capital privado para a dita reabilitação. E os números de que Rui Rio falou ontem na televisão mostram que a Sociedade acabou de facto por convencer o capital privado a investir centenas de milhões de euros na parte velha da cidade, criando emprego e, o que é melhor, emprego estável. Só que o Governo, desta vez na pessoa de Assunção Cristas, resolveu criar dificuldades porque achou excessivo o défice da Sociedade, sem presumivelmente perceber para o que ela servia, nem o serviço que prestava ao país. Algumas centenas de notabilidades do Porto já assinaram uma carta aberta para protestar contra esta aberração. Mas, segundo o Expresso, a sra. ministra persiste na sua política de “cortes”, que infalivelmente arrastarão outros “cortes” mais sérios e abalarão a confiança no Estado. A inteligência não abunda. A inteligência instalada bastou para construir a Expo e, com os dinheiros da Europa, 9468 quilómetros de estrada, 2353 quilómetros de via férrea, 662 edifícios para universidades e escolas e também para gastar 2 mil milhões de euros no abate de embarcações de pesca. Para mais não chega.»


Vasco Pulido Valente, Público

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