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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"Uma subordinação inconsciente e feliz"

João Gonçalves 27 Mai 13



«O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz (...). Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro.»

 

Fernando Pessoa

O "superior interesse da criança"

João Gonçalves 27 Mai 13

As pessoas que, com o devido respeito, entendem que um sistema de co-adopção (ou de adopção tout court), por quem quer que prove ter condições para o efeito não acautela "o superior interesse da criança", deviam passar pelas caves dos nossos tribunais de família virados para a parede. Assim estariam à vontade para vasculhar processos e processos que, durante décadas e décadas, alimentaram (e alimentam) os trabalhos daquelas casas. Processos esses centrados na figura da "família tradicional" que qualquer história da vida privada explica o que foi e é. E, podem ter a certeza, a história nem sempre, nem nunca, foi ou é exactamente uma história de encantar.

A factura da leviandade

João Gonçalves 27 Mai 13

Mais um bocadinho e era "farturas" graças ao inefável "acordo ortográfico". Como escreveu o Pedro Mexia, «infelizmente, muitos Portugueses pregam o aleijão como se fosse um unguento. O actual Presidente da República disse um dia que o português de Portugal se arriscava a tornar-se uma espécie de latim, como se uma variante falada por milhões de indivíduos equivalesse a uma língua morta. Já a grotesca “Nota Explicativa” ao “acordo” explica que os portugueses estão “teimosamente” apegados à sua grafia, dando-nos reguadas de mestre-escola pela nossa impertinência cultural. Para acabar com tal desfaçatez, uns quantos sábios da Academia das Ciências de Lisboa impuseram aos luso-falantes a sua aberrante legislação, quando nos países onde existem Academias realmente prestigiadas vigoram recomendações não vinculativas, dicionários excelentes, consensos transcontinentais. Mas os políticos e os académicos não se contentam com uma língua que muda espontânea, inevitável e constantemente; querem mudanças por decreto, como déspotas iluminados que são. Fizeram o “acordo” ignorando os pareceres técnicos divergentes e a opinião de agentes qualificados da língua. E agora assustam-se com o levantamento cívico. Perceberam que fracassaram, que nem todos nos calamos, que estivemos atentos às consequências. O “acordo” quis unificar a língua e multiplicou duplas grafias, facultatividades, cláusulas de excepção, ‘opting outs’. Quis simplificar o ensino e cortou as palavras da sua raiz etimológica, da sua família, dificultando uma compreensão de conjunto. Quis ser um acordo “lusófono” e pouco mais é do que um contrato luso-brasileiro, do qual os brasileiros duvidam. E agora ainda passámos pela humilhação de ter o oficioso “Jornal de Angola” a lembrar-nos que o “étimo latino” ajuda a compreender o percurso de uma palavra.(As citações são retiradas de “Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico”, de Pedro Correia, edição Guerra e Paz.)»

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