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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU



«A temporada lírica concebida pelo ainda director artístico termina hoje, com a última récita de Rigoletto, e nada se sabe sobre o que o São Carlos irá apresentar até ao final do ano, ao contrário da CNB, que está programada até Dezembro. Se excluirmos o Festival ao Largo, que por hábito conta com a participação dos corpos artísticos do Opart e cuja realização foi confirmada ontem por Barreto Xavier, o teatro costuma fazer uma pausa na sua programação entre Julho e Setembro. "Não posso dizer nada sobre o que vai passar-se a seguir porque isso está nas mãos da Secretaria de Estado", acrescentou Villa-Lobos. (...) Villa-Lobos diz que neste momento há ainda um clima de indefinição em relação ao próximo ano porque não se conhece o orçamento rectificativo, que deverá ser divulgado até ao final deste mês. O Opart tem trabalhado com base na verba atribuída pelo Orçamento de Estado de 2012, aprovado em Dezembro - 15 milhões de euros (São Carlos e CNB) - e Villa-Lobos não concebe que este montante venha a descer com o rectificativo. "Não considero esse cenário porque não seria possível acomodar mais cortes no financiamento com esta estrutura." Apenas uma ínfima parte destes 15 milhões são para programação: quase um milhão de euros no São Carlos e metade na CNB (ao qual se juntam os 300 mil euros de mecenato da EDP). Para Villa-Lobos, os cortes são inconcebíveis, assim como o teatro vir a fechar a partir de Setembro, possibilidade avançada ao PÚBLICO por várias fontes, que preferiram o anonimato. "O teatro não vai fechar - isso é certo. Mas não sabemos se a sua actividade vai ser afectada." (...) Na entrevista ao PÚBLICO em Fevereiro, Barreto Xavier dizia que a programação de 2014 já estava a ser trabalhada, mas agora, e por email, garantiu apenas que o teatro não fechará em Setembro, sem adiantar uma data para a apresentação da temporada. »


Lucinda Canelas e Tiago Bartolomeu Costa, Público

A facécia

João Gonçalves 11 Mai 13

Causou alguma comoção, particularmente nos círculos ditos do "poder", a circunstância de Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada parlamentar do PDS e candidato, pelo mesmo partido, à C.M. de Gaia ter defendido a substituição do ministro das finanças. Curiosamente não vi os mesmos "indignados" - com Abreu Amorim, agora por causa de Vítor Gaspar - quando outros (ou os mesmos) círculos ditos do "poder" andaram (e andam intermitentemente) a solicitar, sem a menor delicadeza e às escâncaras, a cabeça do ministro da economia, uma facécia de mau gosto que dura, como o próprio notou recentemente, desde que tomou posse. Para além de pequenina, a política portuguesa está pejada tanto de insolência quanto de ignorância hipócrita. Mas não convém tomar-nos a todos levemente por parvos.

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«É isto a Europa?»

João Gonçalves 11 Mai 13



«O que neste momento mais agrava as dificuldades dos países que enfrentam a crise das dívidas soberanas é a desigualdade de acesso ao dinheiro em condições razoáveis: internamente, a austeridade levou-lhes toda a riqueza sobejante; externamente, os mercados trucidam-nos precisamente por eles estarem em dificuldades. Os países envolvidos no nosso resgate financiam-se a 1% e emprestam-nos dinheiro a 3,2%: chamam a isso ajuda a um Estado-membro. Passos Coelho tinha razão quando dizia que pedir mais tempo para pagar o empréstimo significava pagar mais — mas, contra a sua própria razão e à vista dos factos, foi isso mesmo que fez e saudou a prorrogação dos prazos como um “sucesso”. Esta semana, tivemos outro “grande sucesso”: experimentámos a alternativa e fomos ao mercado pedir dinheiro a dez anos e conseguimos um juro de 5,6%. No mesmo dia, a Alemanha pediu também dinheiro a dez anos (sim, a Alemanha também pede dinheiro emprestado!) e obteve uma taxa de juro negativa de 0,4%. Ou seja: os “investidores” não se importam de perder dinheiro desde que ele esteja seguro na Alemanha, e a Alemanha consegue a proeza de ganhar dinheiro quando o pede emprestado. Eis a União em todo o seu esplendor! Assim é fácil pregar a austeridade aos outros! Emprestem-nos dinheiro à taxa de -0,4% durante dez anos e nós teremos todos os problemas resolvidos... Do que verdadeiramente não precisamos é de que nos ameacem com a “solução cipriota” para que as pessoas retirem o dinheiro dos bancos nacionais e o vão transferir para a banca alemã ou holandesa, arruinando de vez a nossa banca, a economia e o país. Será assim tão difícil de explicar isto ao eleitorado alemão? (...) Os eurodecisores, que ninguém elegeu, estão-se nas tintas para os estados de alma dos Paulo Portas que possam existir nas 27 capitais. Aliás, estão-se nas tintas para tudo o resto: as moções de censura ou as manifestações de rua, o funcionamento democrático de cada Estado-membro ou o sentimento da sua opinião pública. Podem eles fazer o que quiserem, desde que acabem por fazer sempre o que o directório europeu ordena. Quanto aos 19 milhões de desempregados, aos milhares de falências, à recessão, à imigração, ao desespero, ao enterro de um sonho europeu construído sobre as ruínas de um continente devastado e alimentado ao longo de 60 anos, é-lhes indiferente. É apenas uma estatística, uma abstracção, um encolher de ombros de quem sabe, ou pensa saber, que esse sonho não passa de uma utopia imbecil. Perante o virtuosismo e o mérito da Europa que triunfa, o resto é apenas paisagem. A Grécia ou a Itália, que ensinaram à Europa o que eram a democracia e a civilização, ou a Espanha e Portugal, que lhe ensinou o que era o mundo, não contam para nada. E, em breve, nem mesmo a França, cuja revolução foi fundadora do que são as democracias modernas, contará para nada.»


Miguel Sousa Tavares, Expresso

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