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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 5 Mai 13

A Helena Matos sobre a "censura da moda".

 

"A onda" de Os Comediantes.

 

O Miguel Castelo-Branco sobre "a iconoclastia (in)tolerante".

 

O João Pereira Coutinho em matéria de "culpas".

 

O Eduardo Cintra Torres, por vezes excessivo na adjectivação ("escândalo" é uma interpretação, não é um facto), trata de um assunto recorrente, a liberdade de informar vs. "deontologias" editoriais, a propósito do afastamento inopinado de uma jornalista do quadro da TVI.

Uma opinião

João Gonçalves 5 Mai 13



António Nogueira Leite concede este domingo uma interessante entrevista ao Público. N. Leite é polémico e, por isso mesmo, segue filologicamente o termo "crítico": aquele que separa e interpreta, ou seja, que conjectura sobre intenções alheias. Toma partido sem ter de ser homem de partido- Tivemos discordâncias - quem sou eu para discordar de quem quer que seja? - mas, creio, estamos unidos em liberdade de espírito. Sobre mim, Nogueira Leite tem para os dias que correm a vantagem da sua formação, a economia e a gestão, contemporânea da minha (fraquinha) de direito na mesma casa à Palma de Cima. Mas deixo a palavra ao António porque cada vez há menos gente estimulante, seja de que banda for, para escutar. «Estava absolutamente convencido de que teríamos um emagrecimento muito doloroso. Após mais de 20 anos de disparates não íamos conseguir entrar num caminho sustentável de forma indolor. E foi mais doloroso por causa dos desmandos cometidos sobretudo a partir de 2007-2011. Hoje, se não tivessem existido, estaríamos numa situação complexa, mas necessariamente suportável, nomeadamente com um desemprego mais baixo. Mas tenho críticas à forma como a política económica e financeira, até mais financeira, do Governo tem sido seguida. Nos últimos dois anos, o Governo evitou fazer muito do ajustamento que agora terá de fazer na estrutura, nas gorduras, nas sobreposições e nos excessos do Estado (...) Só vale a pena o esforço suplementar se o Governo executar as poupanças decorrentes das melhorias nos processos e na gestão dos organismos. É claro que o que se vai fazer agora podia e devia ter sido feito há dois anos (...).Dada a fatiga da austeridade e a guerra que alguns lobbies corporizam contra o Governo, será precisa habilidade política e era útil que a Europa desse sinais positivos. Hoje jogamos aqui o tudo ou nada: ou o caminho da Irlanda, ou o da Grécia (...) O Governo foi muito lesto a subir impostos e a baixar aquilo que são as contribuições dos contribuintes, mediadas pelo Estado para, muitas vezes, as mesmas pessoas. Se tivesse havido um conhecimento profundo de como funciona o Estado e se o ministro das Finanças tivesse sido capaz de gerir a administração pública (AP), numa situação de emergência, com o apoio político que existia no início do programa, provavelmente estaríamos hoje numa situação mais fácil. Mais: se o ministro das Finanças tivesse tomado há dois anos as medidas de corte da despesa que agora anunciou, elas seriam mais fáceis de digerir pelo conjunto das pessoas. Agora temos dez anos de estagnação e dois anos de medidas duríssimas. E, como dizia o Presidente da República, as pessoas estão bastante desgastadas (...) Conheço Vítor Gaspar há mais de 30 anos, sei das suas grandes aptidões académicas, mas também sei que é uma pessoa que está muito longe da realidade. Ele sabe como o sistema deve funcionar, mas não sabe, em concreto, que alavancas deve mexer. Nas Finanças devia haver alguém com bons conhecimentos da AP, alguém com as competências do dr. Paulo Macedo. Mas, em boa verdade, ninguém nos últimos 20 anos, na pasta do Orçamento, conseguiu fazer aquilo que continua por fazer (...) Embora os erros de previsões sejam, no plano mediático e no plano político, um dos principais calcanhares de Aquiles do ministro das Finanças, no plano técnico, quer pela situação complexa em que estamos, quer pela envolvente externa, acho que outros economistas a desempenhar as mesmas funções não teriam sido muito mais bem sucedidos. O ministro por formação profissional está demasiado preocupado com os equilíbrios agregados. Não basta olhar para a floresta, há que olhar para as árvores que a compõem. Neste momento há um excesso de austeridade orçamental, essa temos de ter, a que se junta uma austeridade financeira que decorre do modo como a Alemanha e os nórdicos olham para o sistema financeiro europeu e para o funcionamento do BCE. As duas juntas tornam difícil a saída airosa dos países do Sul para uma situação respirável. Enquanto o BCE só se preocupar com a estabilidade dos preços, o que só satisfaz os alemães, e não der folga aos países do Sul, no pressuposto de que estes fazem o seu trabalho, não vejo saída. Ninguém aguenta uma acumulação de austeridade, como a que estamos a ter, durante um período muito longo. Mas se o Sul, com o apoio da França, não tiver força para alterar o funcionamento da união monetária, será muito difícil aos países do Sul encontrarem, em tempo razoável, uma solução suportável. Isto não significa o fim da austeridade e dos problemas (...). Como diz o povo, os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. Não proponho a substituição do ministro das Finanças, mas digo-lhe que o país estaria muito pior se dependesse só de uma pessoa para ser viável. Uma parte da condução política que afectou o dr. Gaspar não dependeu apenas dele, dependeu do Governo e de uma estratégia de comunicação errática. sobretudo tem de haver maturidade democrática, aceitar que outras pessoas tenham ideias diferentes sobre cada um dos assuntos em debate e tentar encontrar pontes que levem a uma acção minimamente sustentada. Tem de haver categoria intelectual que permita aceitar opiniões diversas para encontrar soluções. Isto eu vejo em António José Seguro e não via no anterior primeiro-ministro.»

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