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portugal dos pequeninos

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Em que é que ficamos?

João Gonçalves 24 Abr 13

 

Confesso que não assisti à entrevista do prof. Crato à RTP. A última que lhe surpreendi - com Ana Lourenço, na SICN, a quem, segundo julgo saber, praticamente a solicitou e não o habitual e contrário - não me deixou boas recordações sobretudo pelo "sentido de oportunidade" que revelou. O resto é, naturalmente, do foro caracterológico. Terá desta vez elaborado sobre as criancinhas e o ensino da matemática. Apesar de a figura me irritar, Santana Castilho talvez entenda mais destas coisas "educativas" (confesso-me reaccionário em matéria de escolas secundárias, desde a organização dos curricula até à disciplina) do que eu. Todavia, custa-me acreditar que um economista como o ministro da educação, prestigiado na doxa como matemático e gestor, tivesse afirmado, a propósito dos «nossos resultados em Matemática», que «estávamos a ser comparados com os medíocres e continuávamos abaixo da média». Ora Castilho, no Público, assevera que «fomos 15º em 50 países. Ficámos muito acima da média. Fomos o país do mundo que mais progrediu nos resultados em Matemática. Ultrapassámos a Alemanha, Irlanda, Áustria, Itália, Suécia, Noruega e Espanha, entre outros.» Em que é que ficamos?

Economia e cultura

João Gonçalves 24 Abr 13



«Vim a Bogotá com alguma desconfiança inicial, confesso. Mas quando ouvi um dos oradores da sessão inaugural citar da tribuna, em tradução espanhola, a entrada de Baco no palácio de Neptuno no Canto VI de Os Lusíadas e, na manhã seguinte, pude visitar as cosmologias apresentadas nas peças excepcionais do Museo del Oro y de la Esmeralda, testemunhando de um cruzamento local de culturas de milénios, devo dizer que me comoveu o confronto dessas presenças do mito naquilo em que, seja ele o que for (até o pessoano "nada que é tudo") pode contribuir para a identidade de dois povos tão diferentes como os que aqui têm estado em presença: o mito pode simbolizar o cosmos e o papel do homem na sua passagem através dele e na luta a que tem de se entregar para vencer a adversidade. Por falar em mito, e entendendo agora a palavra em termos hábeis: o jovem comissário luso-colombiano, Jerónimo Pizarro, professor da Universidad de los Andes, está muito provavelmente a caminho de se tornar o maior especialista mundial de Fernando Pessoa da sua geração. Não sendo eu "pessoano", nem de perto nem de longe, entendo dever sublinhar o seguinte: esta foi uma ocasião extremamente bem sucedida em tudo aquilo que referi e que vai a crédito do Governo Português, em especial do Ministro da Economia e do secretário de Estado da Cultura (no caso, eu diria exactamente o mesmo se o Governo responsável pela nossa vinda fosse do PS). Nesse quadro, que tem de ter um futuro positivo, será importante que o papel que Jerónimo Pizarro pode ter na investigação e actuação qualificada ao serviço da cultura portuguesa não seja relegado, ao sabor de burocracias inócuas, para uma prateleira de coisas em que se há-de pensar um dia. Esse mito não nos serviria para nada... A universidade portuguesa sabe-o muito melhor do que eu e a política portuguesa deve passar a sabê-lo ainda melhor do que a universidade.»

 

Vasco Graça Moura, DN

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