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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU



«Dizemos bye bye a Paula Rego enquanto acolhemos com veneranda deferência Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda, ou assistimos mudos e quedos ao assassínio d’ Os Lusíadas por José Luís Peixoto. Não me interpretem mal. Eu sei que à luz da ciência moderna, provar que um verso de Camões vale mais do que 500 frases de Peixoto é tarefa inglória. Tão inglória como provar que o truque dos tamanhos XL da Joana Vasconcelos não passa disso mesmo: de um truque. Mas isto: “Tágides do Tejo, ninfas de ninfetice total… emprestem-me ainda um resto do vosso ninfetismo…”?! Por muito menos escreveu Almada o “Manifesto anti-Dantas e por extenso”.»

 

Ana Cristina Leonardo, Meditação na Pastelaria

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O ataque da viúva

João Gonçalves 21 Abr 13

É como diz a Helena, «os casais literários são uma canseira e uma estranha forma de vida.»

Introdução ao estudo do consenso

João Gonçalves 21 Abr 13

À semelhança de Napoleão, não aprecio correntes de ar. Também me dou mal com as mudanças bruscas de tempo: época de alergias, de dores de olhos e de cabeça, etc., etc. Depois o país não ajuda e, talvez, fosse outra a idade, preferisse outro país, outro lugar como nuns versos mortos do Joaquim Manuel Magalhães. A semana que passou foi sobretudo marcada pelo vocábulo "consenso". Os delíquios e os transportes românticos que imediatamente se seguiram à enunciação do termo ilustram o estado geral da arte. Até há uns dias atrás não havia "consenso" algum. Depois, graças à figura retórica da anáfora, o "consenso" entrou no léxico corrente com a mesma velocidade e frequência de coisas como "ajustamento", "mercado" ou "troika". Quando era adolescente e comecei a prestar alguma atenção a isto, acreditava no valor salvifíco do "consenso". O então PR Eanes socorria-se dele em abundância, já nessa altura, para criticar os governos que o não assegurassem. Todavia a "época" era outra e a legitimação da democracia e o progressivo fim da revolução exigiam ao Presidente o combate institucional pelos "consensos". Mas, cedo, Sá Carneiro (ou os Reformadores antes dele) exigiu rupturas e demarcações claras de território. E Cavaco, em 1985, assim que pôde acabou com o "consenso" do bloco central para instaurar a maioria monopartidária que trouxe estabilidade (e algum famoso e atrasado "crescimento") ao país. O "consenso" de que se fala hoje aparentemente é outra coisa e para outros efeitos. Pulido Valente resumiu a farta equanimidade "consensual" no Público. «Ninguém se deu à excessiva franqueza de explicar exactamente em que consiste. A troika quer o consenso, por motivos que não se compreendem e que, de qualquer maneira, não convém que a ralé conheça. Como a troika quer, de quando em quando o governo conversa com o PS ou manda uma cartinha ao dr. Seguro, com o propósito de exibir a sua obediência e magnanimidade; e o PS, que se acha “enxovalhado” e “humilhado”, responde com duas pedras na mão. Aqui, chega a altura de o PSD também se sentir “humilhado” e “enxovalhado” e de se cobrir dignamente com a gravidade do Estado. Sucede, ainda por cima, que o PS nunca aceitará a política do PSD, nem o PSD a do PS (...). E é assim que com meia dúzia de horas de “debate” por noite a nata do nosso querido país pratica a democracia e, com dificuldade, vai educando a ralé.» Como dizia Eanes no 25 de Abril de 1977, citado neste livro, "não se pode continuar a iludir o futuro com as frustrações do passado".

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