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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Visto da plateia

João Gonçalves 11 Abr 13

 

Estreou ontem no São Carlos a breve saison dedicada ao chamado Verdi "popular". Começou com Il Trovatore, segue-se La Traviata e, em Maio, Rigoletto. Orquestra e coro em excelente forma, uma muito razoável "Leonora", uns pouco entusiasmantes "Conde de Luna" e "Manrico" e uma "Azucena" aos altos e baixos acabaram por produzir um resultado respeitável. A encenação de um libreto inverosímil, com uma música genial, exigiria outro pathos relativamente ao qual esta não está à altura. Assistiu o ministro da educação a quem porventura teria agradado mais um Macbeth ou um Otello.

A impotência como destino

João Gonçalves 11 Abr 13



«O contexto europeu agravou-se seriamente com o caso cipriota e as suas previsíveis consequências, ao mesmo tempo que os países do Sul da Europa se vêm politicamente cada vez mais fragilizados. A Itália está sem governo um mês e meio depois das eleições legislativas, e foi agora entregue aos cuidados de um patusco "conselho de sábios". Em Espanha multiplicam-se os impasses e os escândalos de corrupção, sem a mais pequena expectativa de melhores dias. A França insiste na procura de alternativas ao domínio alemão, mas Hollande - agora mergulhado na maior das confusões internas - continua tragicamente hesitante e sem resultados... Não admira, pois, que por todo o lado se multipliquem e intensifiquem as dúvidas sobre o sentido do "destino" europeu, que foi a palavra mágica que durante as últimas duas décadas pareceu encantar os povos da Europa. Talvez sem então se perceber bem que, depois do Acto Único e com a entrada em vigor do Tratado de Maastricht, em 1993, se mudou mesmo de paradigma. Mudança que se traduziu na consagração da desregulamentação financeira, e no estabelecimento simultâneo, por um lado, do princípio da livre circulação de mercadorias e de capitais e, por outro lado, da proibição de desenvolver políticas industriais ou de proteger sectores nacionais específicos. Foi por isso que, ao avançar-se com a moeda única e com uma união monetária sem convergência económica ou fiscal, o que acabou por acontecer (mais do que uma transferência de soberania dos Estados e dos bancos centrais nacionais para as instâncias europeias) foi a instituição de uma inédita forma de incapacidade política, de uma impotência a que todos os governos se encontram agora sujeitos. A Europa está na verdade cativa, manietada por um sistema que induz e produz impotência política, em que os seus representantes deixaram de ter poder, e onde quem tem poder não os representa. Parece ser este, afinal, o surpreendente destino que nos esperava no termo da tão celebrada última utopia, a utopia europeia!... Tal como há Estados que são reféns dos cartéis da droga, a União Europeia está cativa da desconexão que foi criada - urdida, quem sabe?!... - entre os seus territórios, os seus povos, as suas instituições e as suas legitimidades, dando origem a um labirinto de que ninguém parece ter, para se orientar, um qualquer fio de Ariana. Razão tem pois Zygmunt Bauman que, na conferência que proferiu há dias no Funchal, insistiu em que só se sairá do carrossel da crise se, e quando, se conseguir ligar de novo o poder e a política. Até lá, a impotência é mesmo um destino.»

 

M. M. Carrilho, DN

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