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portugal dos pequeninos

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Uma exposição

João Gonçalves 30 Abr 13

 

À hora de almoço fui visitar a exposição dedicada pelo PCP ao centenário de Álvaro Cunhal. Recomendo-a sobretudo aos mais jovens. Habituados há já alguns anos a um "estilo" e a um friso de "políticos" relativamente indiferentes, decerto ganham alguma coisa em perceber quem foi (e o que fez, o que queria fazer e o que não conseguiu fazer) Cunhal. É uma certa história contemporânea de Portugal - e de portugueses - que ali encontram entre fotografias, textos de época, manuscritos, objectos, videos. Comprei um caderninho de apontamentos que reproduz na capa uma pintura de Cunhal e um lápis alusivo ao centenário. Por ali podemos ler as últimas disposições do antigo secretário-geral do PC, datadas, salvo erro, de Dezembro de 1999, e que resumem uma vida nunca derrotada nos "ideais" mas, amargamente, pela história: «a todos desejo que, vida fora, realizem os seus sonhos.»

 

Adenda: os textos que acompanham a exposição são em português, i.e., não seguem o "acordo" ilegal o que vai a crédito do PCP.

Este também não vai longe

João Gonçalves 30 Abr 13



Para citar John Le Carré - e o Hollande é apenas uma ilustração do que pretendo denotar e até pode ser que lhe passe -, «talvez a esperança esteja apenas naquilo que cada um de nós pode fazer.»

Snobe e amigo

João Gonçalves 30 Abr 13

 

A Lourdes Féria recorda Richard Rorty. «Só agora me apeteceu ler "Trotsky and the Wild Orchids", um breve ensaio transbordante de inteligência e humor de Richard Rorty (1931-2007) que buscava um caminho para ser um intelectual snobe e um amigo da humanidade. "...If there is anything to the idea that the best intellectual position is one which is attacked with equal vigour from the political right and the political left, then I am in good shape...."» É isso, Lourdes.

O traquejo conta

João Gonçalves 29 Abr 13

 

Lido no FB do Manuel Falcão: «a "Opinião de José Sócrates" de ontem teve cerca de 588 mil espectadores e 11,6% de share, contra um pouco mais de milhão e meio do "Jornal das 8" da TVI, com Marcelo Rebelo de Sousa, que alcançou 31,53% de share.»

Nuvens negras

João Gonçalves 29 Abr 13

 

«O mais recente levantamento radiográfico do estado do património revela um cenário dramático. Igrejas, palácios, mosteiros, castelos estão em risco de derrocada, têm infiltrações estruturais, fendas ou coberturas debilitadas. A sua reabilitação é urgente mas custa muito dinheiro. Em causa estão alguns dos monumentos mais emblemáticos da identidade histórica do país, como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Convento de Cristo ou os mosteiros da Batalha e de Alcobaça.» Começa assim um artigo do último Expresso. É um problema sério e inquietante. E é falacioso reduzi-lo à "cultura".Trata-se de uma questão de coesão e de identidade nacionais. Exige uma abordagem realista e uma decisão política inequívoca que chame ao assunto - tipicamente de qualificação do território e das instituições - vários intervenientes, quer oficiais (a economia) quer da chamada sociedade civil (as empresas). Falar em futuro sem respeitar o património é uma contradição nos termos.

A RTP, lembram-se?

João Gonçalves 28 Abr 13

Ao contrário da generalidade dos próceres regimentais, sou adepto da privatização da RTP. Já era antes de colaborar com o actual Governo e continuo a ser. Não fui eu, famosamente, quem "mudou" e um dia se verá que não vale de todo a pena apontar a artilharia pesada sobre Miguel Relvas. Se dúvidas tinha sobre a privatização - e nunca me comovi com serviços públicos de CS "constitucionalizados" quando, em virtude da absoluta "libertação" nos acessos e nas plataformas, o serviço público se encontra um pouco por todo o lado e não apenas concentrado administrativamente num único operador - os "desenvolvimentos" dos últimos tempos confirmaram a minha posição. Por consequência, continuo preocupado com a RTP porque me afeiçoei à casa e a algumas das pessoas que lá trabalham ou trabalharam e foram entretanto despedidas. Dir-se-á que um tipo que defende a privatização da RTP (independentemente do modelo em causa) não pode nutrir sentimentos destes, algo porventura reservado a "boazinhas" como a Catarina Furtado. Sucede que a RTP não pode ficar cativa da falsa "defesa" dela por falsos "amigos", endémicos ou recentes, parasitas de uma "ideia" inteiramente privada, deles (no sentido de a RTP tê-los como "donos" e apenas aqueles "donos" daqui até à eternidade), do que é a RTP. A actual administração culmina esse lastro de erros, dolosos ou meramente culposos, independentemente dos méritos de cada um (no caso do presidente, tenho motivos pessoais para não lhe reconhecer nenhuns). Mais uma vez, e sem desfalecimentos, o Eduardo Cintra Torres toca na ferida. «A RTP 2 está em 2% de share. Também a RTP 1 vai desaparecendo. Por ter programas com interesse público? Não. Por navegar à vista. Por estar paralisada, sem rumo, desmoralizada. Por fazer o contrário do prometido. O presidente anda em festas e entrevistas, em promoção pessoal. Do ilegal "director-geral", responsável pela total ausência de estratégia, não sai uma ideia (...) Nas rádios, o director de programas, Rui Pêgo, não faz reuniões com equipas há sete anos. A programação de TV não existe (...). Querem uma RTP comercial, mas a publicidade diminui. Com menos anúncios, o fim das "indemnizações compensatórias", a reposição de subsídios salariais por decisão do TC e a proibição europeia de subsídios por portas travessas, poderá não haver dinheiro em breve. O caminho para a nova tutela governamental não é fácil. Ou mexe agora no ninho de lacraus e é um ai-jesus das carpideiras do costume, que querem ainda roer o que resta do osso em proveito próprio, ou pode deixar andar a RTP como ela quis, até que rebente.»

Interminável

João Gonçalves 28 Abr 13

A semana que terminou pareceu interminável. Conselhos de ministros intermináveis, discursos do "25" com repercussões intermináveis, congressos partidários autocomplacentes intermináveis, etc., etc. A que vem não se anuncia melhorzinha. Até li algures que pensões de três (3) dígitos poderiam vir a contribuir para o chamado "corte estrutural da despesa", uma coisa que convinha ficar clara, na sua "identidade", de uma vez por todas para evitar equívocos (sim, só pode ser um equívoco estratosférico a questão das pensões). Dito isto, apanho uma frase esclarecedora no meio deste inusitado turbilhão afinal quase vazio. É de Vital Moreira, insuspeito para os meus efeitos: «o PR não faz parte da equação governativa em Portugal.»

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Da vida material

João Gonçalves 27 Abr 13

«Durante meses a fio o Governo foi criticado por não ter uma estratégia para a economia. Agora que a estratégia foi apresentada, chovem críticas porque é vaga e chegou com quase dois anos de atraso. A essas críticas, Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, responde dizendo que “o documento teve de ser articulado com mais ministérios e resultou de vários meses de reuniões de trabalho com todos os sectores da actividade económica”. E esta é apenas a primeira fase em que são apontados caminhos, explica o ministro, sendo que é um documento ainda aberto a sugestões. A fase seguinte é a da passagem à prática, “com a supervisão do Conselho para a Indústria, que é uma espécie de troika (formada por algumas personalidades do mundo académico e empresarial) que irá fazendo exames regulares à aplicação desta estratégia”. Santos Pereira garante que o IRC sobre as empresas irá descer de forma significativa nos próximos anos, mas recusa-se a apontar um valor, até porque se trata de uma competência das Finanças. Lembra, porém, que a edição europeia do “Wall Street Journal” de quarta-feira frisou a importância de Portugal ser o único país sob resgate a apresentar uma estratégia de crescimento acompanhada de uma descida nos impostos sobre a actividade económica. Essa descida, soube o Expresso junto de uma fonte ligada ao processo, poderá ser de oito ou nove pontos percentuais. Ou seja, dos actuais 25% poderá ir parar aos 16% ou 17%, muito acima da primeira proposta do ministro da Economia, que apontava para uma taxa de IRC de 10%. No entanto, o que é dito na Estratégia sobre a questão fiscal, que vários analistas consideram vaga, não acrescenta nada de concreto. Diz apenas que “é fundamental reestruturar profundamente o IRC, remodelando a sua base e as respectivas taxas”. O Expresso apurou que o texto só não concretiza mais porque as Finanças continuam a ser o principal travão na aplicação de mexidas imediatas no imposto. Recorde-se, aliás, que Bruxelas chegou a autorizar (em Novembro de 2012) a aplicação de uma taxa de IRC de 10%, conforme o Expresso noticiou.»

 

Expresso Economia, 27.4.13

Ainda o "consenso"

João Gonçalves 27 Abr 13

«Num objectivo estratégico como o do consenso, o essencial joga-se na táctica e nos caminhos para o atingir. Não se chega ao consenso por declaração de emergência ou por decreto-lei, muito menos em "sociedades abertas" e "viradas para o exterior". Fora casos excepcionais, os consensos atingem-se pela via de propostas concretas, de diálogo, e de negociações que podem ser duras e albergar fases de antagonismo. Mesmo durante as guerras, foi assim em países democráticos. Não ter isso em conta quando se fala de consenso só serve para perder tempo e baralhar os espíritos. O consenso dá pois muito trabalho às partes envolvidas e a quem o quer promover.»

 

Medeiros Ferreira, CM

A razão de Eanes

João Gonçalves 26 Abr 13

Precisamente há oito dias, o "consenso" tomou conta do id do regime. Ontem, aliás, teve foros quase majestáticos. Todavia, e a avaliar pelo que anda por aí, saiu (o "consenso") tão depressa como entrou. Eanes é que tinha razão: «não se pode continuar a iludir o futuro com as frustrações do passado.»

 

Adenda: E ontem à noite, em Lagos, Ramalho Eanes foi bem claro: «Urge fazer grandes opções e fazê-las com urgência, determinação e acerto; urge encetá-las com competência e com participação mobilizada da sociedade civil. E assim importa sobretudo que os partidos políticos, indispensáveis à democracia, respondam ao divórcio que vem ocorrendo entre eleitores e eleitos. O sacrifício que o povo português tem até agora suportado com paciência impõe melhorar o nosso contrato social. (...) Se porventura um Governo promete tudo e depois não faz nada; se promete tudo e faz o contrário; se nas opções não é evidente, e devia ter sido", e se "não é transparente na execução", embora tenha legitimidade eleitoral, "perde a sua legitimidade política". E quando se perde a legitimidade política, perde-se a confiança.» Quem avisa...

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