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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Sobre nada

João Gonçalves 30 Mar 13

Infelizmente já não consegui o Diário de Notícias para ler, em papel, a entrevista do senhor presidente do conselho (de administração) da RTP. E estar a ver um clip com a criatura, sinceramente não tenho pachorra. Bastaram-me, para ficar esclarecido, meia dúzia de reuniões. Mas o Público resume o essencial. E, como seria previsível, a coisa não se recomenda. O senhor presidente não faz uma pequena ideia do que seja o serviço público de rádio e televisão. Confunde-o, desde logo, com audiências. Depois cita mal a BBC e transforma, por exemplo, Sócrates numa espécie de boneco de feira - «o que é popular é bom, e o que é bom é popular» -, reduzindo-o a um mero talk show de televisão de sucesso garantido. Não acredito que Sócrates agradeça ou aprecie especialmente este "populismo popular" do senhor presidente. Sobre a sua relação com o ministro da tutela, o dever de reserva pelo menos a mim impede de produzir qualquer comentário. A ele, pelos vistos, não. Numa completa inversão da ordem natural das coisas, é o senhor presidente quem "avalia" o desempenho de quem o escolheu. E para se estabelecer narcisicamente como o novo campeão nacional da defesa da RTP no modelo actual. Uma vez mais o dever de reserva (o meu) trava, para já, outros desenvolvimentos sobre estas "convicções" presidenciais. O mesmo se diga do "processo" Nuno Santos acerca do qual o senhor presidente também parece ter certezas absolutas, quer de calendário, quer de procedimentos. No lugar dele, eu não teria nenhumas. Sobre nada.

Argo e não só

João Gonçalves 30 Mar 13

 

Só esta madugada vi Argo, de Ben Affleck. Parece que ganhou, este, uns quantos óscares. Mais do que a peripécia - o repatriamento bem sucedido, executado no fio da navalha, de meia dúzia de diplomatas norte-americanos no auge da revolução iraniana de 1979 - interessou-me a personagem desempenhada por Affleck, o "especialista" nessa manobra que, famosamente, está sozinho no  "terreno", entalado entre a missão oficial à última hora abortada "por cima" e a determinação moral (e, no caso, a coragem física) em a levar até ao fim. Nem sempre é possível reagir com sucesso à impotência ou às dificuldades causadas pela pusilanimidade alheia. Quanto tempo inútil se perde, tantas vezes, a tentar explicar "por a mais b" que, por este ou aquele caminho, esta ou aquela omissão se está a levar tudo tão alegre quanto inconscientemente para o fundo? Ou que, ao chamar a atenção para disparates clamorosos se procura fazer elevar a voz crítica, sempre incómoda, claro, mas porventura mais sensata que a da superficialidade manobrista e da facilidade desastrosa? Ou, ainda, que é preciso denunciar o obtuso que parece o óbvio ou não tergiversar perante o óbvio que é mesmo obtuso? Foi ao não ter hesitado em responder a questões como estas, na solidão do quarto de hotel em Teerão, que a personagem de Affleck pôde ajudar aqueles pobres diplomatas norte-americanos a tremelicar de medo. No limite, eles souberam segui-lo.

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