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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Não haja ilusões

João Gonçalves 28 Mar 13

 

O Papa Francisco escolheu prodigalizar o momento do lava-pés pascal numa instituição de menores delinquentes, conhecida como "reformatório" ou, no nosso "correcto" jargão jurídico, por "centro educativo". Também afirmou que não quer que os padres andem "tristes" e trocou os aposentos papais no Vaticano por um quarto, salvo erro, na Casa de Santa Marta, ao lado. Não usa uma cruz de ouro e prefere manter os sapatos que usava. Sai a torto e a direito do jipe para saudar os circunstantes na praça de São Pedro. E por aí fora. Estes episódios têm feito a alegria daqueles que imaginam que o Papa - um homem tipicamente latino-americano -, por causa de um gesto ou outro, é "diferente" dos que o antecederam. Como repetia o Papa Emérito Bento XVI, a Igreja não pratica o proselitismo. Francisco não guarda uma fé distinta dos sucessores de Pedro. Terá um modo diferente de a evidenciar, mas é só uma (e única) a que proclama e defende. Há tantos caminhos para Deus quanto há homens, escreveu Ratzinger. O Papa sabe isso melhor do que ninguém. Não haja ilusões.

Torquato

João Gonçalves 28 Mar 13



O Torquato partiu. Em silêncio. Meu querido Amigo, que falta me vão fazer as nossas conversas sobre a história recente desta treta toda, destes velhos gnomos que Você tão bem conhecia e que andam por aí, entre a puta, o cabrão e o tartufo, armados nos humanos que nunca chegarão a ser. Não esqueci nada desses momentos de boa disposição, ironia e realismo sobre o curso disto tudo - a sua humanidade, a sua generosidade, a sua poesia. Agora, Torquato, o Senhor é o seu pastor. Nada, ao contrário de nós, lhe faltará.

Vem aí mais chuva

João Gonçalves 28 Mar 13

 

Lisboa, pelo menos, está invadida por turistas. Mesmo sob uma pressão meteorológica a raiar já o insuportável, eles aí andam, todos contentes, a fazer nos restaurantes cativos do fisco as vezes dos autoctónes tombados pela crise e pelo tédio pascal. E também se deslumbram nos eléctricos que fotografam profusamente antes de lhes furtarem, lá dentro, a máquina e o resto. Os de Lisboa terão ido presumivelmente para as hortas, para a "terra", e uns quantos para "low costs" de ocasião. Num alfarrabista, "apanhei" o Óscar Lopes. Está feita a páscoa. Vem aí mais chuva.

"Tomar a palavra"

João Gonçalves 28 Mar 13

 

Há dois momentos "fortes" na entrevista de José Sócrates. O primeiro, o único erro que assumiu: ter aceitado formar um governo minoritário, em 2009, depois da perda de 500 mil votos e ter continuado como se vivesse em maioria absoluta. Depois, quando chamou à colação a necessidade de trazer a política para o debate público e para o "comando" e para a "direcção" políticas. Foi só isso, aliás, que ele praticou, com método e proficiência, durante cerca de uma hora. Não vem mal algum ao mundo, como se verá, Sócrates ter decidido "tomar a palavra" mesmo contra os seus previsíveis ódios de estimação. Mas em democracia, como costumo dizer, quem bebe pelo gargalo compra a garrafa. De resto, se o país não continuar a "viver habitualmente" será sempre apesar dele. E não por causa da decisão dele em falar.

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