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portugal dos pequeninos

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Vivências de humanidade e de cultura

João Gonçalves 27 Mar 13



«Mas havia um terceiro ponto de encontro com agenda e lugar obrigatórios. Refiro-me às tardes de Sábado na Livraria Leitura, ao cimo da Rua de Ceuta. Carlos Porto e Fernando Fernandes dirigiam-na e sabiam o que faziam. Muitas vezes, nem sequer tentavam vender livros aos clientes. O seu papel era o de catalisadores, indutores, propiciadores de contactos e diálogo, promotores inteligentes das novidades que chegavam em turbilhão. E também o de concederem um generoso crédito para a compra dos livros mais desejados quando não se podia chegar a eles de outra maneira. Sei que esses tempos não regressam e que volta e meia é preciso desencafuá-los dos esconsos da memória nas suas vivências de humanidade e de cultura. Óscar Lopes era uma presença regular e interveniente em todas estas situações. Sempre atarefado, com uma agenda que era um puzzle ilimitado de tarefas profissionais, era capaz de um comentário, de uma intervenção, de uma remissão, de uma ajuda amiga, que não aspiravam a nada de definitivo, excepto a uma coisa: mostrar-nos que há sempre mais mundos a integrar de cada vez no segmento da realidade que consideramos e que a vida, sem essa capacidade de enriquecimento crítico, é muito pouco interessante. Ou, como uma vez lhe ouvi dizer da forma mais despretensiosa do mundo e nunca esquecerei: "Todos nós fazemos filosofia, e da melhor, quando falamos."»

 

Vasco Graça Moura, DN

 

Foto: Porto, 10.1.1969, sessão de autógrafos na Livraria Leitura com Jorge de Sena. Presentes Óscar Lopes e Vasco Graça Moura entre outros.

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