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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

As benevolentes

João Gonçalves 13 Mar 13

Os nossos patuscos "meios de comunicação social" foram buscar os tudólogos do costume, e dois ou três católicos "progressistas", para comentar o novo Papa. Vi, por exemplo, a Constança Cunha e Sá a ter de pôr na ordem a sra. D. Sande Lemos - duma coisa chamada "somos igreja" mas que não deve fazer a mais vaguíssima ideia do que seja a igreja - a tremelicar contra Raztinger, o perigoso "conservador", como se o Papa Francisco representasse um misto de Obama com Dilma no Vaticano. Noutro sítio, o cachimbeiro prof. Rosas, ao lado do freizinho Domingues e de uma alta comissária para os "diálogos", insinuava contemporizações do novo Papa com a ditadura argentina e muita crítica à "modernizadora" Kirchner o que, vindo de um historiador, só um pano encharcado na cara poderia eventualmente resolver. Nem o baladeiro padre Borga escapou. E assim sucessivamente na costumada insolência ignorante com que se fala e escreve sobre tudo sem saber nada. Alguém no seu perfeito juízo católico, apostólico e romano imagina que Bergoglio representa alguma descontinuidade em mais de dois mil anos de história da Igreja fundada por Pedro? Ou que seja, à semelhança dos que o antecederam, susceptível da menor tergiversação relativamente à fé e aos seus fundamentos?

"Tu es Petrus"

João Gonçalves 13 Mar 13

«Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais o foram buscar quase ao fim do mundo… Eis-me aqui!»

O "plano"

João Gonçalves 13 Mar 13

 

Por ocasião do 56º aniversário da RTP, escrevi este post. Entretanto o conselho de administração entregou ontem ao ministro da tutela um "plano" que apelidou de "reestruturação e redimensionamento" da empresa e o ministro, por sua vez, entregou-o à comissão parlamentar de ética e comunicação por onde passou de manhã. Como escrevi naquele post, «a realidade não é famosa: quebra brutal nas audiências, insatisfação e desmotivação dos trabalhadores, direcções erráticas, autocomplacência presidencial e um processo disciplinar por delito de opinião a um director com vista ao seu despedimento. Tudo somado, isto não prodigaliza uma ambição com futuro nem homenageia um passado indisputável.» Durante cerca de um ano e meio, trabalhei ao lado de Miguel Relvas para ajudar a calibrar o papel da RTP no meio audiovisual português. Suponho que falhei e, como me competia, tirei daí a devida ilação. Não acredito, porém, que este "plano" - e muito menos este conselho de administração ou o seu actual presidente, em concreto, que foi praticamente "transformado" em secretário de Estado para a RTP - altere a conclusão ali exposta: a RTP, no Estado ou fora dele, merece melhor.

O dever do cepticismo

João Gonçalves 13 Mar 13

Tenho andado a ler esta biografia de Soares a qual, por vezes, me arranca enormes sorrisos. Ainda vou por alturas das eleições para a constituinte, em Abril de 1975, e Joaquim Vieira, pelo recurso a depoimentos certeiros, de facto reconstitui um percurso notável tanto pela persistência quanto, sobretudo, pela contingência. Ficamos a saber que se dormia a sono solto nos longos conselhos de ministros do "gonçalvismo" (Vasco Gonçalves, pelos vistos, não abdicava da sua sesta e prolongava a coisa até madrugada sem que antes não dormisse mais um bocadinho), que Soares foi "identificado" por seguranças privados da facção esquerdista do PS antes de poder entrar no congresso de 74 na Aula Magna («Vão bardamerda mais a identificação, seus cabrões. Identifiquem-se vocês. Não os conheço de lado nenhum») ou que Medeiros Ferreira, ainda na "tropa", foi convidado para ministro da educação depois da saída abrupta de Magalhães Godinho e recusou. Medeiros, aliás, foi dos poucos que ao longo destes anos todos conseguiu sempre bilateralizar as conversas com Soares ("conversa bilateral" é o termo usado por Medeiros para classificar a primeira aproximação do futuro secretário-geral do PS). Isto tudo para chegar a Mário Mesquita, outra das "fontes" do livro, um compagnon de route de Soares que nunca prescindiu, como Medeiros, da sua liberdade crítica. Foi um título dele, de 1978, salvo erro, quando era director do Diário de Notícias, que resumiu as tormentas de Soares primeiro-ministro perante um pujante presidente Eanes que o removeu: "Deus não dorme". Soares também não e Mesquita acabaria por deixar a direcção do jornal porque, famosamente, as coisas em geral começam e acabam no umbigo mimado de Soares como esta biografia bem atesta. Por isso não estranho que Mesquita intitule o seu mais recente livro como O Estranho Dever do Cepticismo (Tinta da China, 2013). Escreve, a propósito, Medeiros Ferreira que Mesquita «viu-se envolvido desde cedo no compromisso com a luta tenazmente filosófica pela liberdade dos outros e de si próprio num país velhacamente descrente de tudo que o faça progredir.» Nesta matéria, de facto, não avançámos por aí além. Mas o que avançámos a esta geração de cépticos alguma coisa devemos.

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