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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Grandeza

João Gonçalves 9 Mar 13

 

A partir das 19.30, no canal Mezzo, recapitulação da versão Barenboim de A Valquíria, no Scala de Milão em 2010. Imperdível num serão de sábado televisivo nacional quase sempre a raiar a indigência mental.

A longa marcha Bruxelas-Lisboa

João Gonçalves 9 Mar 13

O hebdomadário Expresso aprecia dar corda ao narcisismo de algumas personagens (escolhidas com dedinho metódico e amiguinho, basta folhear alguns dos cadernos) da vida pública nacional. É, por exemplo, o caso do actual presidente da Comissão Europeia, o prosélito Durão Barroso, que alegadamente anda a fazer o enorme favor de nos ajudar a partir do seu posto em Bruxelas. O jornal até tropeça no título e fica a ideia que Barroso apoia, não apenas mais tempo para cumprir a meta do défice, mas um "alargamento" do dito, um défice maior. Enfim, seja o que for, é matéria para consumo interno. Barroso - o honorável fugitivo de 2004, que teve na altura a complacência do regime todo, a começar por Sampaio, para precisamente fugir e refugiar-se numa redoma dourada em Bruxelas - anda a "testar" as suas competências como candidato a candidato presidencial em 2016. É só disto que se trata. Ele quer lá saber do défice.

"Moderador e árbitro"

João Gonçalves 9 Mar 13



O prefácio do Presidente da República ao novo volume de Roteiros dá capa aos jornais e peças nas televisões. Cada qual albardou o exercício a seu gosto, como é aliás costume, pelo que não vale a pena perder tempo com inutilidades hermenêuticas. Cavaco não precisa de exercícios frívolos de interpretação. Ou por serem novinhos, ou por serem simplesmente parvos, muitos dos actuais parasitas epistemológicos do desempenho presidencial esquecem ou ignoram que, em 1982, os drs. Mário Soares e Francisco Balsemão, respectivamente líderes do PS e do PSD, decidiram uma revisão constitucional que, entre outras coisas, porventura meritórias, retirou ao PR a tutela política sobre o governo. Na sua versão incial, a Constituição previa a chamada dupla dependência política do Executivo, a saber, perante o Parlamento e perante o Presidente. Eanes, no uso dessa competência, removeu Soares em 1978 e entregou o comando do governo sucessivamente a três independentes. Com a AD em maioria na Assembleia, Soares "serviu-se" de Balsemão para assegurar que os chefes do governo, daí em diante, não mais pudessem ser demitidos ou escolhidos pelo Chefe de Estado. Ironicamente, após ter regressado ao poder com o Bloco Central de 1983-1985, Soares foi o primeiro a "provar" o fel da Constituição revista em virtude da implosão do governo a que presidia. Como Balsemão antes dele, em 1982 (Eanes recusaria dar posse ao chamado "governo Vítor Crespo" proposto pelo então chefe do PSD já em queda livre interna). Para "chegar" ao governo, o PR passou a só poder dissolver o Parlamento e a convocar eleições, o que mudou a forma e o método das intervenções presidenciais. Não foi por acaso que Soares, o Presidente, num livrinho de entrevistas, apelidou a função como a de "moderador e árbitro" e insistiu na tecla da "magistratura de influência". Com a aceleração da vida política nacional a partir da demissão de Guterres, em Dezembro de 2001, o Presidente, na circunstância Sampaio, só uma vez (e por escassos meses) deu posse a um primeiro-ministro que não foi a votos, Santana Lopes, numa espécie de abraço do urso que seria fatal à maioria da época. Foram os resultados das eleições legislativas, por um lado, as contingências partidárias ou a vontade do líder do governo, por outro, que ditaram a sorte dos Executivos. É evidente que o "poder da palavra" dos presidentes conta. Não imagino que Cavaco gaste 20 páginas para nada, que não pondere meticulosamente o que diz com louvável parcimónia ou que não actue com a discrição e a eficácia necessárias (ainda na passada terça-feira recebeu o ministro da economia e emprego com quem discutiu a estratégia de fomento industrial e onde convergiram numa matéria cara a ambos, a concertação social, na qual Cavaco foi, enquanto 1º ministro, como que um percursor). Alguns dos sobreviventes dos idos de oitenta que hoje criticam Cavaco, e o acusam de "passividade", são os mesmos que aplaudiram entusiasticamente a restrição da liderança institucional do PR através da Constituição. Quiseram um "moderador e árbitro", um "magistrado de influência". É isso, muito adequadamente, que têm.

Uma amiga

João Gonçalves 9 Mar 13

Num tempo em que a afectividade inexiste a não ser no chamado binómio homem-cão, um beijo amigo para a Dra. Cândida Almeida.

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