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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A Morte vital

João Gonçalves 5 Mar 13

De repente, entre tagarelas e bola, bola e tagarelas, dou pelo canal TCM onde passa Morte em Veneza, de Visconti. Por muito que o tempo passe pelo filme, há um tempo que não sai do filme. Existe uma espécie de eternidade vital naquela Morte, uma eternidade que, aliada à prosa de Thomas Mann, é porventura incompreensível ao "som" da chamada "modernidade". Visconti, porém, não precisa dos "modernos" para nada porque, famosamente, nunca foi outra coisa no seu realismo excessivo, no seu classicismo exigente, no seu traço tão italiano quanto cosmopolita nos filmes ou na ópera. Tinha mundo e era do mundo. Morte em Veneza confronta a inevitabilidade da decadência física com o escândalo da juventude e da beleza. Tadzio representa uma certa ideia do belo infinito e intangível. Noutro registo, e anos depois da novela de Mann, Genet escreveria sobre a impossibilidade de "tocar" a beleza ("ne permettez pas que je vous touche car on ne doit pas toucher la beauté") associando essa impossibilidade, também, à morte. Visconti, na tela, foi o percursor definitivo dessa impossibilidade. Ninguém fez melhor.

O caminho dos pedragulhos

João Gonçalves 5 Mar 13

No café onde bebo a bebida homónima de manhã, o dono estava a fazer contas à mão. Perguntei-lhe o que era. "Iva", porque ele paga ao mês. Uma brutalidade para o volume de negócio. Tal como existe uma "cadeia alimentar", também há outro tipo de cadeias potencialmente nocivas se não forem equilibradas. Uma fiscalidade confiscatória, por exemplo, não favorece a economia que, no nosso caso, "vive" sobretudo das pequenas e médias empresas. Por consequência, estas empresas dificilmente podem criar postos de trabalho ou, mesmo, manter alguns dos que têm. Os "problemas" existenciais do dr. Pinhal, ex-BCP, ao pé disto seriam risíveis se não fossem trágicos pelo que evidenciam de irresponsabilidade social. O senhor e afins terão todos os direitos deste mundo e do outro à indignação. Mas estou como o Clark Gable no final do E tudo o vento levou: "frankly, dear Mr. Pinhal, I don't give a damn". É que, por este caminho de pedragulhos fiscais, entre outras deambulações perigosamente astronáuticas, tudo o vento acabará por levar.

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