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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Questões de bom senso

João Gonçalves 14 Fev 13

Ouvi atentamente Luís Marques Mendes na tvi24. Falou da fiscalidade - um tema em voga pela parafernália de "olhares" que tem merecido -, sobretudo por causa da descida da taxa do IRC, uma proposta atempadamente considerada pelo Ministro da Economia (sim, eu sei), cá e em Bruxelas onde não consta que, afinado um ou outro pormenor, não tivesse obtido "luz verde". Todavia, em breve, a chamada "comissão L. Xavier" dirá de sua justiça e, provavelmente, a seguir ( os dias portugueses às vezes levam meses a chegar) haverá mudanças nesta matéria. Matéria, como notou Marques Mendes, decisiva para tratar de coisas como o emprego e a economia propriamente dita. Dezoito, disse ele, foi o número das  alterações ao IRC desde que o Código foi aprovado, enquanto noutros países europeus quando muito duas bastaram. A instablidade fiscal é um mal que dá cabo de qualquer perspectiva de uma "ecologia" económica - quer do lado das empresas, quer, por tabela, pelo lado dos trabalhadores - equilibrada. A taxa do IRC é elevadíssima para essa "ecologia" e foi sobretudo nesse sentido que as alterações se fizeram. Razão pela qual o contributo do IRC para a receita fiscal global tenha sido sempre pouco acima de medíocre. A burocracia rapace também não ajuda. Porque em Portugal o que é "grande" safa-se. Mas é o pequeno, o médio e, até, o individual quem ainda mantém essa "ecologia" viva. O infeliz episódio da "factura" (criticado com inteligência por M. Mendes) é, por consequência, mais político (e social) do que "técnico", independentemente de qualquer imagem ou ironia mais ou menos feliz. A complacência com a "sovietização", voluntária ou involuntária, da vida das pessoas ou das empresas é incompatível com o elementar bom senso político. E, no limite, com uma "tradição" não socialista da governação.

O olho cosmológico

João Gonçalves 14 Fev 13

 

O Francisco José Viegas introduziu abruptamente no léxico político-mediático a problemática do olho cosmológico (fórmula "henrymilleriana" que encontro para não nomear a coisa a bem da moral e dos bons costumes) a propósito de outra problemática, desnecessária (houvesse mundo em quem a gerou), em torno, no fundo, dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos (vamos, por uma vez, dar aqui o nome às coisas). Só não lhe aplaudo - ele sabe e damos-nos bem com isso - o "acordografês" do texto. Por isso, e para a troca, ofereço ao Francisco prosa boa de João Ubaldo Ribeiro que ele aprecia, tirada do extraordinário monólogo feminino A Casa dos Budas Ditosos. «Provavelmente nunca mais será ouvida a pergunta imortal que um amigo meu escutou, depois de enfrentar galhardamente a primeira com uma portuguesa belíssima, ele que antes estava até com medo de broxar. Ele me contou que, satisfeito e aliviadíssimo, estava fumando o tradicional cigarrinho "post coitum", quando ela olhou para ele e falou: "E ao cu, não me vais?". Fantástico, disse ele; emocionante. E fui-lhe ao cu, disse ele, que maravilha. Imagine aqui no Brasil, uma mulher fazer uma pergunta dessas, não faz. Eu morei no bairro de Alvalade, dava para ir andando ao Campo Pequeno, cansei de ir às corridas somente para ver as bundas apertadinhas dos forcados. Sou contra essa teoria segundo a qual os brasileiros têm belas bundas e alimentam uma fixação patológica por bundas somente por causa dos africanos. Isto é preconceito, as belas bundas da nossa gente vêm tanto de África quanto de Portugal, tanto assim que eu não tenho sangue africano nenhum, pelo menos que eu saiba, e sempre portei uma bunda acima de qualquer crítica, até hoje não envergonho. Duvido que, se eu disser a algum homem que me coma e "ao cu, não me vais?", ele não vá imediatamente.»

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