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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Back to basics

João Gonçalves 28 Fev 13

Gore Vidal, num dos seus contos, escrevia que "há gente inócua no mundo e, bem mais importante do que isso, muitos idiotas." Com a saída de Ratzinger de cena, é só praticamente esta gente que resta. Inócuos e idiotas.

Peregrino

João Gonçalves 28 Fev 13

 

 


«Grazie per la vostra amicizia e il vostro affetto. Voi sapete che io non sono più Pontefice, sono semplicemente un pellegrino che inizia l'ultima tappa del suo pellegrinaggio in questa terra. Ma vorrei ancora con il mio cuore lavorare per il bene comune della chiesa e della comunità. E mi sento molto appoggiato dalla vostra amicizia. Grazie vi porto con tutto il cuore la mia benedizione»

A jubilosa certeza

João Gonçalves 28 Fev 13

 

 



«O «sempre» é também um «para sempre»: não haverá mais um regresso à vida privada. E a minha decisão de renunciar ao exercício activo do ministério não revoga isto; não volto à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de forma nova junto do Senhor Crucificado. Deixo de trazer a potestade do ofício em prol do governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim dizer, no recinto de São Pedro. Nisto, ser-me-á de grande exemplo São Bento, cujo nome adoptei como Papa. Ele mostrou-nos o caminho para uma vida, que, activa ou passiva, está votada totalmente à obra de Deus. Agradeço a todos e cada um ainda pelo respeito e compreensão com que acolhestes esta decisão tão importante. Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja, através da oração e da reflexão, com aquela dedicação ao Senhor e à sua Esposa que procurei diariamente viver até agora, e quero viver sempre. Peço que me recordeis diante de Deus, e sobretudo que rezeis pelos Cardeais, chamados a uma tarefa tão relevante, e pelo novo Sucessor do Apóstolo Pedro. Que o Senhor o acompanhe com a luz e a força do seu Espírito! Invocamos a materna intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e da Igreja, pedindo-Lhe que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial; a Ela nos entregamos, com profunda confiança. Queridos amigos! Deus guia a sua Igreja; sempre a sustenta mesmo e sobretudo nos momentos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, habite sempre a jubilosa certeza de que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor.»

O mandarim

João Gonçalves 28 Fev 13

A Helena Matos pergunta adequadamente: o que é que Luís Miguel Cintra - durante anos e anos o "dono" do verdadeiro "teatro nacional" (não, não é o jazigo do Rossio) por artes e ofícios de "tesouraria" do Estado representado por sucessivos governos eleitos - advoga?

Sinais de decomposição

João Gonçalves 28 Fev 13

«A decomposição política não se fica por Itália: ela alastra por todo o continente europeu, dando forma a transformações de fundo que nos aproximam - se nada for feito - do desastre. Há pois lições a tirar, com urgência e lucidez, do impasse italiano. Até porque, como dizia o general Douglas Mac-Arthur, todas as grandes derrotas se podem resumir a duas palavras: tarde demais.»

 

Manuel Maria Carrilho, DN

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Uma conversa com Jorge Miranda

João Gonçalves 27 Fev 13

Esta tarde, por razões circunstanciais, estive na Faculdade de Direito de Lisboa. Encontrei o meu professor de introdução ao direito público, de direito constitucional e de direito público da economia, na Católica, o prof. Jorge Miranda. E foi o melhor pedaço da tarde. Miranda falou-me do seu livrinho Um Projecto de Constituição - elaborado para o PPD de 1975 do qual era então militante e deputado - a propósito da chamada lei de limitação de mandatos autárquicos. Logo aí propunha a limitação, no sentido de não fazer da coisa uma carreira e não um mero tropismo "territorial", sem a disputa filológica entre o "de" e o "da". Depois percebi pela televisão que o parlamento, por unanimidade, decidiu não mexer na lei em vigor e deixar para os tribunais a possibilidade, ou não, de determinadas candidaturas. A jurista Assunção Esteves sobrelevou a presidente da Assembleia e o regime foi dormir esta noite mais descansadinho. A terminar o breve encontro, Jorge Miranda mencionou a sua pensão de professor catedrático depois de cerca de quarenta anos de descontos (é verdade, as pensões de reforma, neste caso de um funcionário público altamente qualificado, não aterram nas contas dos beneficiários vindas de Marte). Não vou exprimir-me em números por razões óbvias e porque não pretendo perturbar alguma "reforma do Estado" que possa estar em curso. Todavia, e embora não pareça, a conversa da limitação dos mandatos autárquicos e a conversa da pensão estavam ligadas. Tal como a "reforma do Estado" que, embora também não pareça, é afinal uma conversa por vir. Longa vida e saúde ao meu querido mestre Jorge Miranda.

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«Não abandono a Cruz»

João Gonçalves 27 Fev 13

 

«Não abandono a Cruz», disse Bento XVI esta manhã no Vaticano. Nem podia. A Igreja não pode entregar-se nas mãos da "ideologia banal" que traz a necedade muito contentinha um pouco por todo o lado no exercício dos pequenos e dos grandes "poderes". Em 1996, o Cardeal Ratzinger frisava que "é necessária a oposição à ideologia banal que domina o mundo e que a Igreja pode ser moderna, precisamente quando é antimoderna, ao opor-se ao que todos dizem. À Igreja cabe um papel de contradição profética e tem de ter a coragem para isso. É precisamente a coragem da verdade que, na realidade, é a sua grande força." Mais adiante, ainda em O Sal da Terra, e citando Goethe, referiu que "a História é, no seu todo, uma luta entre a fé e a incredulidade." Não, uma pessoa assim não abandona a Cruz e segue Paulo: «quanto a ti, sê sóbrio em tudo, suporta o sofrimento, faz o trabalho de um anunciador do Evangelho, realiza plenamente o teu ministério.»

A derrota da "Europa"

João Gonçalves 26 Fev 13

 

Os resultados das eleições italianas representam uma clara derrota da "Europa". Dois comediantes - um oficial e outro fruto das circunstâncias - "empurraram" o delegado de Bruxelas em Roma, o circunspecto Monti, para um humilhante quarto lugar. O "povo" não apreciou a austeridade decidida nos infinitos conselhos "decisivos" e nas não menos "decisivas" video-conferências tecnocráticas que relegaram a política para a sarjeta. Ora em Itália a política vive em estado de permanente originalidade e os mortos-vivos de véspera podem ser os duce do dia seguinte. Por cá tendemos a fingir que a política, afinal, não interessa e que o que importa é as checklists baterem certinhas no fim. Todavia, se alguma "lição" se deve tirar do que se passa em Itália é exactamente o contrário da suposta "infalibilidade" de quaisquer receitas em ambiente democrático. Na altura em que decorre mais uma avaliação doméstica do "programa de ajustamento", conviria "ajustar" politicamente quer a avaliação quer o programa. Porque se isso não acontecer, mais tarde ou mais cedo a realidade encarregar-se-á (e talvez já não tão delicadamente como até aqui) de "ajustar" tudo de uma vez só.

Reindustrialização

João Gonçalves 25 Fev 13



«A crise actual não é nada surpreendente. Se formos ver, os países da União Europeia, e até os Estados Unidos, têm vindo a crescer pouquíssimo desde 2001. O que está a acontecer agora não é nada de novo. Mas ao contrário da generalidade das elites europeias, eu não atribuo isso ao euro mas à globalização e à desindustrialização. Um operário que antigamente produzia cinco mil euros por dia, hoje produz 50 a lavar pratos. A Europa quis passar da indústria para ser senhora dos serviços e o resultado foi o que se está a viver.»

 

Medina Carreira, i

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