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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Palavras de não circunstância

João Gonçalves 15 Jan 13



«2012 foi um ano em que Portugal realizou um importante esforço de ajustamento macroeconómico e financeiro no quadro do programa acordado com instituições internacionais e também o ano em que levou por diante um significativo programa de reformas estruturais. O processo de consolidação orçamental tem vindo a avançar num clima de estabilidade política e de relativa paz social, apesar de um contexto económico externo mais desfavorável do que tinha sido inicialmente previsto. Portugal honrará os compromissos internacionais que subscreveu. Não ignoramos, naturalmente, os desafios que temos pela frente e os riscos que, apesar da nossa determinação, existem no horizonte. Estamos conscientes da necessidade de associar à consolidação orçamental medidas que robusteçam as condições de competitividade e confiança indispensáveis ao crescimento económico e à criação de emprego. Este é outro grande desafio que queremos vencer em 2013. Apesar das dificuldades, encontramos alguns sinais positivos. A vitalidade do talento nacional foi reconhecida internacionalmente com prémios e galardões de prestígio em domínios tão diversos como os da ciência, arquitectura, artes plásticas, moda, artes cénicas ou cinema. No campo económico, as exportações de bens e serviços continuaram a registar ganhos expressivos de quota em novos mercados. No ano de 2012 ter-se-á provavelmente registado um excedente nas contas externas de bens e serviços, o que não acontecia há muitas décadas. Verificou-se, por outro lado, uma descida das taxas de juro da dívida portuguesa, expressão do reconhecimento, por parte dos mercados, do reforço da credibilidade do País. (...) No ano de 2012, um ano de grandes desafios ao nível europeu, Portugal continuou a apresentar-se como um parceiro activo e responsável do processo de integração. Actuámos em duas dimensões. Numa perspectiva mais imediata, procurando contribuir para a criação de mecanismos para limitar os efeitos da actual crise, de todos conhecida. E, numa abordagem de médio e longo prazo, defendendo o lançamento de bases mais sólidas para a arquitectura institucional do Euro e o aprofundamento da União Económica e Monetária. Existe, contudo, ainda um longo caminho a percorrer. Entendemos que a União tem igualmente de avançar mais decididamente na prossecução de uma agenda europeia orientada para o crescimento e para a criação de emprego. A importante negociação do Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020 é outro elemento que continuaremos a acompanhar com atenção em 2013 e que deverá ser encarado num contexto, também ele, de reforço do potencial de crescimento e da competitividade. A União deve apoiar os Estados-Membros na restruturação das suas economias, em particular daqueles que estão a enfrentar as duras exigências do reequilíbrio das finanças públicas e sofrem o impacto da recessão da Zona Euro. Tenho a firme certeza de que é do interesse da União Europeia como um todo que a coesão e a solidariedade não sejam meras palavras de circunstância.»


Cavaco Silva, 15.1.13

Fantasmagorias

João Gonçalves 15 Jan 13

 

A "sociedade civil" - esse fantástico enunciado da filosofia política que serve para tudo e para nada - começou hoje aparentemente a ser "ouvida" no Palácio Foz, aos Restauradores, em Lisboa. A comunicação social não tem acesso à antiga sala de conferências do SNI, salvo na abertura e no encerramento dos debates sobre a "reforma do Estado". Quando me perguntaram a opinião sobre este exercício*, manifestei-a em sede e em tempo próprios os quais, manifestamente, não são os deste blogue. Se agora trago o assunto à colação é porque não descortino motivos para a remoção dos jornalistas quando, justamente, se está a "ouvir" a "sociedade civil". Pelo que li, nada do que se disser lá dentro pode ser reproduzido sem a "devida autorização" ou, quando muito, só através do «envio, ao final do dia, de um resumo de um minuto e meio de imagens com som». Não gosto nada de ver os "meus" assombrados pelo respeitável fantasma do SNI e a discutir "sociedade" longe dela com meia dúzia de "especialistas" (em quê? porquê aqueles e não outros?) em modo "confidencial". Mas talvez as coisas tenham de ser o que são. E que esteja tudo bem assim e não possa ser de outra maneira.

 

Adenda (16.1.13): O exercício é a "reforma do Estado", não é a conferência.

 

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