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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Para princípio de conversa

João Gonçalves 12 Jan 13

O prolegómeno ao "debate" sobre a reforma do Estado não foi o mais feliz. Sobretudo quando o programa do Governo descreve um enunciado reformista para a legislatura - no contexto do programa de assistência externa em vigor mas não refém dele - que vale por si. Em áreas como a saúde, o apoio social, a administração local, a justiça, a economia ou a concertação social esse programa tem sido prosseguido embora o "modo lérias e larachas" de tudo encarar nem sempre permita que isso se evidencie. Um membro do Governo procura explicar em linguagem chã o que está a fazer - no parlamento, num meio de comunicação social ou no "terreno", com as pessoas singulares ou colectivas a quem, em última análise, as reformas se destinam - e logo uma pequena intriga, um pequeno "recado" ou uma pequena inveja se sobrepõe ao que interessa. Como escreve o Francisco José Viegas, este "debate" (qual debate, sem aspas?) «deve fazer-se com abertura e espírito de tolerância, em liberdade, mas sobretudo convocando para ele — além dos partidos políticos — as pessoas mais qualificadas. Há anos que muita gente tem contribuído para esse debate, à esquerda e à direita. Não faz sentido entregá-lo a comentadores que vivem do curto prazo e têm o seu mercado dependente do grau de inanidades apreciadas pelas audiências (é um mercado) — nem reduzi-lo a especialistas em finanças, a «senadores» cujo único «mérito» é o ressentimento, ou a universitários e «politólogos» que fazem da universidade um megafone para fazerem política sem entrarem na política («ah, nós não sujamos as mãos»). Faz sentido que seja feito com os cidadãos. E, já agora, com mais empresários do que gestores de empresas. Com mais gente que faça pela vida; porque não se trata de um debate sobre como salvar este Estado mas, pelo contrário, sobre como mudá-lo porque a sua existência é insustentável.» Nada, pois, de comissões parlamentares em petit comité, nada de "sábios" em circuitos místicos fechados, nada de "chapas" aplicadas indistintamente a sangue frio. O programa do Governo, escrito no final de Junho de 2011, é, por si, um excelente princípio para esta conversa. E que não precisava nada do ruído desagradável dos últimos dias e dos que se vão seguir. 

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