Sábado, 30.06.12

Horas sobre nada e coisa nenhuma

Ainda no Público, o José Pacheco Pereira sobre a "morte cerebral" induzida pelas televisões a propósito do "euro". «Continuarei a considerar anormal, excessivo e socialmente anómalo que se queira ter um país desenvolvido, e ter a RTP1, a SIC, a TVI, a RTP Informação, a SICN, a TVI24 e muitos mais canais a passarem todos ao mesmo tempo e durante o dia todo apenas futebol, entrevistas a populares sobre futebol, comentários sobre futebol, entradas e saídas de camionetes da equipa, adeptos polacos ou ucranianos, pequenos-almoços ou balneários, fans e magotes, tudo ao mesmo, numa linguagem rasteira, imediatista, com logomaquias de horas sobre nada e coisa nenhuma, seguidas de momentos de histeria ou depressão colectiva televisionada em directo. Tudo isto está bem longe de ser gostar de futebol, "vibrar" pela equipa, ver os jogos, entusiasmar-se ou desgostar-se. Está muito para além disso. Isto é lavagem ao cérebro, e está cada vez pior.»

 

Adenda: Por falar em televisão, a RTP2 passa à noite duas obras primas do cinema do século XX. Senso, de Luchino Visconti, e Doutor Jivago, de David Lean. Não sei o que será o futuro serviço público de televisão, mas seja lá o que vier a ser coisas destas deviam lá estar nem que seja só para uma pessoa ver. Pelo escrito acima, percebe-se que esta paloncice das "massas", de agradar às "massas" e de as exibir como macacos no zoo velados por idiotas ainda mais bestializados pelo esforço neuronal exercido, é que, de certeza, não é serviço público venha ele de um operador público ou privado. É pura merda.

 

Adenda2 (de um leitor): «Por falar em Televisão, a RTP dispõe de um canal, o RTP Memória, e, ao que consta e se imagina sem dificuldade, de arquivos de incalculável valor. Esse canal, pelo menos em horário nobre (ignoro se haverá "horário nobre" num canal com estas características, mas chamemos assim ao horário em que o comum dos mortais está plantado em frente do televisor) encontra-se em grande medida desaproveitado. Séries repetidas (algumas bem chochas) são constantes, filmes repetidos constantes são, e até, um dia destes, uma tourada de há anos foi transmitida (!!!). Afigura-se muito fácil, recorrendo aos tais arquivos, e com reduzidos meios ou investimento, fazer daquele canal uma interessantíssima opção. Como está é um desconsolo.»

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Histórias de burros

Li no Público uma carta à directora que narra o absurdo "método" de pagamento da "portagem" da A22, no Algarve. Tipos como ele ou eu, que passamos por ali ocasionalmente, uns dias depois (4) devemos deslocar-nos a uma estação dos correios para pagar a coisa. Quem se prepara agora para ir para o veraneio algarvio (se o poder fazer, naturalmente), convém estar preparado para esta imbecilidade. Razão tinha o Sena quando disse que um burro será sempre um burro e ao fim de uma data de anos não vira cavalo. Não passamos disto.

 

Adenda: Reparo pela "bronquidão" evidenciada num ou noutro comentário que há quem não tivesse percebido que a minha crítica (e a do leitor do Público) se dirige ao sistema de cobrança e não ao facto de as "scut" serem pagas pelos utilizadores. Sempre defendi o seu pagamento que só pecou pelo atraso certamente por respeito pelo "visionário" Cravinho e seus sucessores nos desígnios misteriosos do betão estradal.

Sexta-feira, 29.06.12

Um livro no meio do caos

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Separar águas

Um bando qualquer - do qual o "moralista social" Arménio Carlos não se demarcou - agrediu pelo menos verbalmente Álvaro Santos Pereira. Também perpetrou a ameaça física como as televisões amplamente registaram. Mas as televisões registaram do mesmo modo a coragem serena de Santos Pereira quando foi ao seu encontro e lhe responderam com insultos do mais diverso jaez. Com gente desta - e eventualmente alguma mais sofisticada que se "manifesta" de outras formas igualmente difamatórias e ameaçadoras -, num estado de direito democrático, trata-se nos tribunais. À política o que é da política, à previsão criminal o que é da previsão criminal.

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É isto

 

Em excelente forma.

«Audaces fortuna juvat»

 

Comemoram-se hoje os cinquenta anos do Regimento de Comandos. Ignoro o que fazem agora os "comandos" ou se há apenas memória deles depois da fúria civilista, estúpida, em acabar com o serviço militar obrigatório em nome da corrrecção política e dos novos "costumes". Mas aos "comandos", em Portugal e no antigo Ultramar, muito se deve para a compreensão de coisas em desuso tais como a lealdade, a camaradagem, a entreajuda, a disciplina ou a austeridade. Sem eles, o "25 de Novembro" podia ter conhecido outro destino. A sorte protege os audazes.

Quinta-feira, 28.06.12

The fly-bottle

O sr. Rompuy - basta atender ao facies do homem porque ele resume a "Europa" no presente estado da arte - veio a público "anunciar", no meio da enésima "cimeira decisiva", um extraordinário pacote de 120 mil milhões de euros para o "crescimento e o emprego" na Europa. E estava muito contente ao lado do dr. Barroso que conseguia estar ainda mais contente do que ele. Pareciam as moscas da metáfora de Wittgenstein a bater no frasco. A Espanha e a Itália que o digam.

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É isto

Estava a ver a chegada dos rapazolas da selecção e deparo com o artigo semanal de M. M. Carrilho no DN. É isto, de facto. «O desporto condiciona hoje o imaginário de todos os povos do planeta, impondo-lhes um conjunto cada vez mais uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como oportunamente o explicou Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: o consumo desenfreado, o fetichismo das marcas, a pressão publicitária, o culto dos ídolos, a submissão aos media, a sloganização da linguagem, a histerização das multidões e o fanatismo da performance. Convergência que torna o desporto, e particularmente o futebol, no catalisador de uma humanidade cada vez mais unidimensional. (...) A grande transformação em matéria desportiva [deu-se] em meados do século XX, com dois acontecimentos: por um lado com o aparecimento da televisão, por outro lado com a emergência dos tempos livres. Foi esta convergência, do desporto com a televisão e com o lazer que definiu o fenómeno desportivo como hoje o conhecemos. Convergência que produziu um fenómeno de identificação cada vez maior entre as massas e o desporto, que toma a sua forma mais comum e mais intensa no futebol. Pode-se pensar, e com bons argumentos, que a identificação de qualquer selecção desportiva e dos seus resultados com qualquer tipo de desígnio nacional não passa, na verdade, de um ritual mais ou menos oportunista. Pessoalmente, nunca identifiquei nenhuma dessas selecções com a minha pátria, talvez porque tenha uma ideia demasiado exigente e valiosa do meu país, na variedade dos seus cientistas, desportistas, médicos, escritores, pintores, engenheiros, gente comum, etc., para o fazer.»

Um episódio da história de Portugal

«E agora? Voltam a casa. O ‘autocarro’ fará a última viagem. Os heróis vencidos receberão palmas de ouro no regresso a Portugal, o eterno perdedor que comemora as suas derrotas, do Ultimatum de 1890 à batalha La Lys em 1918, do Mundial de 1966 ao Euro’2004.»


Cintra Torres, CM

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Quarta-feira, 27.06.12

O esplendor periférico

O debate parlamentar sobre a "Europa" pareceu mais uma coisa entre o tropical e o periférico do que uma discussão séria sobre um assunto sério.  Como diz o povo, quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré. Depois que ninguém se queixe.

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Portugal dos Pequeninos

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