Segunda-feira, 30.04.12

Olha que bom

«Empresas do Sector Empresarial do Estado têm “novas necessidades de financiamento no valor previsto de 2,19 mil milhões de euros” este ano.»

tags:

Da França, da Europa

 

«Sarkozy foi um dos poucos políticos europeus mandatado para grandes mudanças. Falhou por um motivo que já era perceptivel na eleição de 2007: ele é hiperactivo. As reformas são para políticos aborrecidos. A principal razão por que antecipo, com expectativa, a presidência de Hollande, é pelo seu impacto na Europa.»

 

 

Wolfgang Münchau, FT

 

«Ce n’est pas une fantasmatique "pétainisation" de Nicolas Sarkozy qui pose aujourd’hui problème, c’est la crédibilité même de sa parole. Le président-candidat est un as du cynisme électoral, prêt à tout, ou presque, pour garnir sa besace de nouveaux suffrages, mais un piètre idéologue. Tel n’est pas le cas de son mauvais génie...»

 

 

Renaud Dély, Le Nouvel Obs

Domingo, 29.04.12

Pobres e pequeninos

Os meus níveis de tolerância geral aumentaram razoavelmente. Apesar de continuar a evitar atropelamentos por carros gigantes de bébés (presumo que incluem, pela dimensão, sanita e bidé), já consigo encarar com um módico de ternura o seu conteúdo rosáceo e ranhoso. Também consigo aguentar trinta e seis notícias seguidos sobre o "união de Leiria" e a "ameaça" de, pelo menos, quatro horas de emissão monotemática com Rui Santos com apenas meio Lexotan. Ou as reportagens néscias em torno dos pacóvios "dias da música" do CCB, a chuva despropositada ou o simulacro de feira do livro estacionado no Parque Eduardo VII com a outra metade. O melhor sinal desta súbita beatitude - se tens de viver daqui para diante sem o chamado sentimento estético da vida, agarra-te ao corrimão e ao Lexotan - manifesta-se igualmente com o recuperado gosto pelas falas da Maria Filomena Mónica. Para além de partilharmos o Verdi, outras coisas nos "unem". «E do ponto de vista cultural? Tem sido tudo muito lento. Se falo de Stendhal ou de Balzac, alguns alunos meus, que até são espertos e muito bons alunos, nunca ouviram falar, porque os avós são analfabetos e os pais não têm livros em casa. A evolução cultural leva tempo, é obra de duas ou três gerações. Falhámos a escola pública, que tem um papel fundamental, e isto afecta muito profundamente o país. Os meus filhos andavam numa escola pública, é através da escola pública que as gerações se podem tornar mais cultas, porque infelizmente os pais e avós não lhes podem dar o Verdi, não lhes podem explicar o que é a “Traviata”. (...) Conheço muitos casos, alunos que fazem mestrados e arrastam bolsas pagas pela Europa, através da FCT, sem nunca terminar. Em primeiro lugar, porque não houve uma selecção adequada, não houve a apreciação de um júri que percebesse que este ou aquele jovem nunca fará um doutoramento na vida – não por não ser inteligente, mas porque não tem pertinácia. E porque não há vigilância – a FCT não pede aquilo que até a Gulbenkian pedia no meu tempo: que um supervisor escreva um relatório de três em três meses que diga se o jovem está a cumprir ou se anda só a passear. (...)  Quando vejo as crianças de hoje sempre ocupadas com jogos, consolas, etc., penso que este tipo de tédio que nós tínhamos faz muita falta às crianças.(...) Que avaliação faz do debate de ideias na sociedade portuguesa? Sempre foi péssimo, continua péssimo e possivelmente será sempre péssimo. As pessoas debatem tudo em termos pessoais, não são treinadas para organizar um pensamento racional, dedutivo, calmo. Isto treina-se na escola desde pequeninos. Interrompem-se todos, tudo muito emocional. E os portugueses não são bons a debater também porque acham que há sempre interesses ocultos por trás. Se disser que não gosto de futebol, vão pensar “Ah, isto deve ser porque ela tinha um pai que era futebolista” ou “Ela está ligada a um clube”. A ideia de que alguém pode genuína e independentemente ter uma opinião é difícil de aceitar para os portugueses. E, mais uma vez, é por sermos um país pobre e pequeno.» É mais ou menos isto, de facto.

Uma linda "imagem"

O que Miguel Cadilhe afirma sobre o BPN revela mais o regime do qualquer declaração piedosa por ocasião do "25 de Abril". É, por assim dizer, uma linda "imagem" que convém garantir que jamais se repetirá.

tags:
Sexta-feira, 27.04.12

A queda

Ontem, num canal francês de televisão, os dois finalistas das presidenciais do dia 6 de Maio apareceram sucessivamente para responder a vários jornalistas. O "modelo" do debate devia ser estudado pelas nossas televisões - renovação permanente dos intervenientes, perguntas bem preparadas, "ideias fortes". Já na noite de domingo, na primeira volta, a coisa tinha sido assim: estimulante, viva, sem cansaço ou interregnos idiotas. Por cá é quase sempre a mesma pobreza franciscana, com os mesmos de sempre a dizer as mesmas coisas de sempre. Democracia em que o debate político é medíocre é uma democracia coxa. Ora os franceses, por pouco que se aprecie, ainda hoje colocam a política pura em nobres alturas, desde os protagonistas aos jornalistas. Como afirmou uma delas, Sarkozy "desceu" de presidente a candidato enquanto Hollande, a cada dia que passa, "cresce" de candidato para presidente. E isso foi muito claro no programa dirigido por Daniel Poujadas. Adianta pouco agora aos maus conselheiros de Sarkozy recordar-lhe o confronto entre o então incumbente Mitterrand e o seu primeiro-ministro Chirac, na segunda volta de 1988. Mitterrand nunca abandonou o pedestal de presidente da República e manteve sempre Chirac, e tudo o mais, à distância. Sarkozy, acossado, tratou mal os jornalistas que o olhavam não como chefe de Estado que une mas como um arrivista insolente, com a cabeça meio perdida, que divide. Hollande será o próximo PR francês mais apesar dele do que por causa dele próprio. E a Sarkozy, entre outros, o fica dever.

Quinta-feira, 26.04.12

O sentido que lhe falta

 

«Os resultados das eleições traduzem a inequívoca rejeição de Nicolas Sarkozy, das suas políticas como do seu estilo. Ele paga as derivas de uma presidência narcísica, errática e voluntarista: narcísica quando se impunha sentido colegial na governação, errática quando era imperativo fixar um rumo claro para a França e voluntarista quando era vital, não impor uma vontade majestática, mas agregar vontades. A presidência de Nicolas Sarkozy foi um exercício a que faltou coerência, noção das prioridades e sentido de Estado.»

 

Manuel Maria Carrilho, DN

Quarta-feira, 25.04.12

Uma ética da austeridade, segunda parte

Lamentavelmente a RTP 1 preencheu o seu "serão" do "25 de Abril" (ainda decorre em versão "prolongamento" enquanto escrevo) com um jogo da "liga dos campeões" entre duas equipas de futebol estrangeiras. Calhou, para usar um termo português. Andou bem o Governo, enquanto accionista único da RTP, em não consentir que a televisão pública fosse ao leilão dos jogos da referida "liga" para 2013 - quem não tem dinheiro não tem vícios. E andará ainda melhor quando alienar uma licença de exploração de um dos canais generalistas para que a RTP se possa concentrar num verosímil serviço público de televisão.

tags:

Uma ética da austeridade

 

Mais logo, pelas 22 horas, a RTP apresenta uma entrevista com o General Ramalho Eanes, militar do 25 de Abril e do 25 de Novembro, e o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio directo, universal e secreto em 1976. Finalmente a RTP, mesmo que em menos de uma hora de emissão, "libertou-se" da síndrome Mário Soares. Já perdemos a conta aos documentários, programas e entrevistas que a televisão pública, nos últimos anos, consagrou ao agora melindrado democrata Soares (Sampaio passou recentemente a "comentador" da casa). Da mesma forma que os militares, seja sob que maneira for, não tutelam o regime, também não deve existir qualquer tentação dominadora por parte de personalidades político-partidárias por muito carregadas de biografia que estejam. Ramalho Eanes, neste sentido, é uma escolha oportuna para celebrar o "dia da liberdade". Porque tem sido, seguramente, um dos mais livres dos protagonistas destes trinta e oito anos. E porque é um homem austero e a democracia precisa de gente assim para sobreviver eticamente.

O 25

 

Cá está ele. Pela trigésima oitava vez. Pode ser que um dia lá cheguemos.

Segunda-feira, 23.04.12

Os donos

Três venerandas figuras do regime - o dr. Soares, Alegre e o coronel Lourenço - decidiram privar o país das suas incontornáveis presenças no Parlamento por ocasião dos 37 anos do "25 de Abril". Aparentemente amuaram com a democracia de quem se julgam donos. Sucede que, da última vez que o "povo" falou, precisamente em eleições livres que ditaram a actual composição parlamentar, os resultados não terão sido do agrado de algum mandarinato "anti-fascista" que as referidas criaturas imaginam representar. Pelos vistos a "casa da democracia" só é frequentável quando é nossa. Deles.

Portugal dos Pequeninos

pesquisar

 

Feedback

  • Congratulo-me com a escolha de D. Manuel Clemente ...
  • Um pais não é uma criança. As crianças, ao contrár...
  • A lei trata das ambições de alguns homossexuais e ...
  • Orfãos de pai e mãe - e houve e há tantos milhares...
  • Como escreve sabiamente uma amiga no seu Face:"Nao...

Na boca do povo

tags

Os Livros

arquivo

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

2003:

 J F M A M J J A S O N D

subscrever feeds

links