Sábado, 31.03.12

«De todos, sou o mais triste»

 

Wagner, Die Walküre: Nina Stemme, Vitalij Kowaljow, Daniel Barenboim. Teatro alla Scala, 2010.

João Gonçalves | link do post | comentar

O especialista

Vitor Constâncio desceu do seu glorioso olimpo para nos vir dizer que "tem de estar sempre em avaliação" a hipótese de um segundo resgate a Portugal. Constâncio, famosamente, é daquelas pessoas com maior "autoridade" para perpetrar cenários deste ou de outro género qualquer. Afinal, não foi essa a sua "especialidade" nos longos anos que levou à frente do Banco central português?

A consciência política

Medeiros Ferreira lembra que a questão da liberdade de voto parlamentar foi sustentada pelos Reformadores em 1979. Por causa do código laboral, a coisa voltou a ser discutida. Ironicamente o PS, cuja actual direcção defendeu como regra a referida liberdade, impôs a disciplina de voto neste caso concreto. E na maioria, mais exactamente no CDS, a disciplina que estava pressuposta desde o ínicio (bem como no PSD) acabou por ser quebrada pelo deputado Ribeiro e Castro à conta do anunciado fim do feriado do 1 de Dezembro. Agora Ribeiro e Castro vai ser "avaliado" pelo seu grupo parlamentar que determinará o consequencialismo adequado. Ninguém é obrigado a ser deputado. Todavia, uma vez eleito, tem obrigação de saber ao que genericamente vai. E não vai, em primeira linha, para votar livremente salvo em duas ou três sofisticadas "questões de consciência". O que não deixa de ter a sua graça porque se há algo que se exige a um representante político, do nível de um deputado, é que tenha alguma consciência. A disciplina de voto parlamentar (por oposição ao "risco" da liberdade de voto) decorre da "evolução" que o parlamento conheceu nestes trinta e tal anos, sobretudo no que concerne à composição das bancadas. É suposto as pessoas levantarem-se em bloco quando é preciso que se levantem ou que se deixem ficar sentadas quando é preciso que fiquem. Estes singelos movimentos corporais não admitem, por princípio, discussão e, muito menos, sobressaltos anímicos individuais baseados em actos de consciência. Ribeiro e Castro devia saber isto de cor.

Sexta-feira, 30.03.12

A sensação

 

A novela das audiências televisivas, apenas acessível a iniciados, está bem ponderada para leigos espectadores pelo Manuel Falcão. «Esta situação descredibiliza a medição de audiências – tanto mais que o serviço era suposto estar a funcionar a 1 de Janeiro e três meses depois está no estado que infelizmente se conhece. O pior que podia acontecer era criar a sensação de que os resultados das audiências são afinados com lápis e borracha ao sabor das conveniências.»

Chuva oblíqua

Finalmente houve uma coisa que mudou. O tempo.

Quinta-feira, 29.03.12

Outra escala do olhar



No dia em que Eduardo Prado Coelho faria sessenta e oito anos, o livro de João Barrento que ganhou o prémio de ensaio com o seu nome. Mesmo nos seus momentos mais irritantes, EPC fazia parte de uma paisagem que deixou de existir. Hoje em dia toda a gente fala a mesma língua, mesmo sobre assuntos diferentes e a partir de "ideologias" aparentemente diferentes. Para usar o título de um livro dele, aquilo (ele) sempre representava outra escala do olhar.
João Gonçalves | link do post | comentar

Melhor é impossível

 

Os adversários do governo, sobretudo os anónimos, estão sempre atentos a nomeações e a realizar sobre elas os mais desenvolvidos exercícios de semiótica crítica. Há, porém, determinadas "reconfirmações" que não lhes merecem elogio. Por exemplo, a do presidente da entidade reguladora para a energia ou do administrador da Anacom, Filipe Baptista, ex-chefe de gabinete do ministro do Ambiente do governo Guterres, José Sócrates, e ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, o referido José Sócrates, entre 2005 e 2009. Mais generosidade pascal do que esta é impossível.

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Quarta-feira, 28.03.12

Realismo

Como o Nuno Morais Sarmento salientou na tvi24, o primeiro-ministro, mais do que conceder uma entrevista à sra. dra. Judite de Sousa, foi sujeito a um exame sobretudo de macroeconomia e de economia de empresa a meias com finanças públicas. Foi, para citar o parceiro do Nuno, o insuspeito Augusto Santos Silva, sereno e seguro nas respostas. Em menos de um ano, não só mudou o ruído de fundo (não se ouviu o pupilar dos pavões dos jardins de S. Bento) como se alterou o registo. Não há mistificação, não há ilusões e, muito menos, ficção científica a cores e exibida nas mais sofisticadas plataformas de acesso. Isso explica o crédito que Passos Coelho recolhe num país que, mais do que dinheiro, percebe que precisa de realismo para sobreviver.

Terça-feira, 27.03.12

Primeiro vem o "a"

 

 

«Nuno Crato quer por alguma ordem na bagunça socialista. Ana Benavente que felizmente já não é governo mas ainda pode influenciar perniciosamente a educação como coordenadora do Observatório das Políticas de Educação e Formação (não perguntem, não sei o que é mas deve dar uma boa reforma) não quer e explica claramente porquê. Não pode haver exames, traumatiza as criancinhas que depois quando mais crescidas se vão emborrachar três dias para Espanha para curar a neura. O Jornal de Notícias faz um inquérito aos leitores perguntando se devem voltar estes exames. A percentagem do sim é de 75%. Nunca aprendem (nem deixam aprender) estes socialistas.»
Segunda-feira, 26.03.12

A evitar

A democratização da economia e o tratamento dos contribuintes como cidadãos adultos obrigam a que, de futuro, se evitem coisas como estas. «Como uma grande quantidade de portugueses, recebi a carta das Finanças exigindo-me que "efectue a activação da caixa postal electrónica no serviço Via CTT". Isto foi corrigido para a ortografia portuguesa em vigor, porque o que lá vinha era "ativação", "efetue" e "eletrónica", tudo erros de ortografia. O Estado não respeita sequer a lei, visto que o Acordo Ortográfico não está em vigor. Depois explica-me que a "activação" é "obrigatória" e que se não o fizer até 30 de Março terei uma multa. A carta é típica do burocratês associado a um claro laivo autoritário que todas as comunicações das Finanças têm. Para as Finanças não há cidadãos, mas potenciais fugitivos dos impostos e fala-lhes sempre num tom inadmissível num Estado democrático, para quem não cometeu nenhum crime, e não passou nem a servo, nem a súbdito. Informa-me a extensa carta de determinados procedimentos, de um modo geral complicados para o comum dos mortais, impõe-me um prazo curto e, de uma ponta à outra, está cheia de ameaças que se percebe serem expeditas e sem contradita. Caso se pretenda contestar, paga-se primeiro e depois entra-se numa via-sacra, cara e demorada, que o comum dos cidadãos não tem conhecimentos, nem saber, nem dinheiro para percorrer. (...) Para muitas pessoas isso vai aumentar a sua dependência de ajudas - há gente que não tem computador, nem acesso à Internet, nem literacias para o usar, nem estação do correio próxima da sua localidade, nem junta de freguesia que faça o apoio, etc., etc. - e para outras, os que se movem à vontade no computador e na Internet, vai aumentar a complicação, obrigando a um endereço electrónico complementar, a uma nova caixa de correio suplementar a ver ou a agregar, tudo obviamente inútil porque bastava que houvesse a obrigação de ter um endereço de e-mail declarado às Finanças e nada mais.»

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