«De todos, sou o mais triste»
Wagner, Die Walküre: Nina Stemme, Vitalij Kowaljow, Daniel Barenboim. Teatro alla Scala, 2010.
Wagner, Die Walküre: Nina Stemme, Vitalij Kowaljow, Daniel Barenboim. Teatro alla Scala, 2010.
Vitor Constâncio desceu do seu glorioso olimpo para nos vir dizer que "tem de estar sempre em avaliação" a hipótese de um segundo resgate a Portugal. Constâncio, famosamente, é daquelas pessoas com maior "autoridade" para perpetrar cenários deste ou de outro género qualquer. Afinal, não foi essa a sua "especialidade" nos longos anos que levou à frente do Banco central português?
Medeiros Ferreira lembra que a questão da liberdade de voto parlamentar foi sustentada pelos Reformadores em 1979. Por causa do código laboral, a coisa voltou a ser discutida. Ironicamente o PS, cuja actual direcção defendeu como regra a referida liberdade, impôs a disciplina de voto neste caso concreto. E na maioria, mais exactamente no CDS, a disciplina que estava pressuposta desde o ínicio (bem como no PSD) acabou por ser quebrada pelo deputado Ribeiro e Castro à conta do anunciado fim do feriado do 1 de Dezembro. Agora Ribeiro e Castro vai ser "avaliado" pelo seu grupo parlamentar que determinará o consequencialismo adequado. Ninguém é obrigado a ser deputado. Todavia, uma vez eleito, tem obrigação de saber ao que genericamente vai. E não vai, em primeira linha, para votar livremente salvo em duas ou três sofisticadas "questões de consciência". O que não deixa de ter a sua graça porque se há algo que se exige a um representante político, do nível de um deputado, é que tenha alguma consciência. A disciplina de voto parlamentar (por oposição ao "risco" da liberdade de voto) decorre da "evolução" que o parlamento conheceu nestes trinta e tal anos, sobretudo no que concerne à composição das bancadas. É suposto as pessoas levantarem-se em bloco quando é preciso que se levantem ou que se deixem ficar sentadas quando é preciso que fiquem. Estes singelos movimentos corporais não admitem, por princípio, discussão e, muito menos, sobressaltos anímicos individuais baseados em actos de consciência. Ribeiro e Castro devia saber isto de cor.

A novela das audiências televisivas, apenas acessível a iniciados, está bem ponderada para leigos espectadores pelo Manuel Falcão. «Esta situação descredibiliza a medição de audiências – tanto mais que o serviço era suposto estar a funcionar a 1 de Janeiro e três meses depois está no estado que infelizmente se conhece. O pior que podia acontecer era criar a sensação de que os resultados das audiências são afinados com lápis e borracha ao sabor das conveniências.»

Os adversários do governo, sobretudo os anónimos, estão sempre atentos a nomeações e a realizar sobre elas os mais desenvolvidos exercícios de semiótica crítica. Há, porém, determinadas "reconfirmações" que não lhes merecem elogio. Por exemplo, a do presidente da entidade reguladora para a energia ou do administrador da Anacom, Filipe Baptista, ex-chefe de gabinete do ministro do Ambiente do governo Guterres, José Sócrates, e ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, o referido José Sócrates, entre 2005 e 2009. Mais generosidade pascal do que esta é impossível.
Como o Nuno Morais Sarmento salientou na tvi24, o primeiro-ministro, mais do que conceder uma entrevista à sra. dra. Judite de Sousa, foi sujeito a um exame sobretudo de macroeconomia e de economia de empresa a meias com finanças públicas. Foi, para citar o parceiro do Nuno, o insuspeito Augusto Santos Silva, sereno e seguro nas respostas. Em menos de um ano, não só mudou o ruído de fundo (não se ouviu o pupilar dos pavões dos jardins de S. Bento) como se alterou o registo. Não há mistificação, não há ilusões e, muito menos, ficção científica a cores e exibida nas mais sofisticadas plataformas de acesso. Isso explica o crédito que Passos Coelho recolhe num país que, mais do que dinheiro, percebe que precisa de realismo para sobreviver.