Segunda-feira, 30.11.09

TENHAM PACIÊNCIA


Uma das coisas mais fascinantes de Istambul - Istambul, toda, é uma das cidades mais fascinantes do mundo - é a profusão de mesquitas. E onde há mesquitas, há chamamento para as orações. O cruzamento desses sons é outra das coisas fascinantes de Istambul. Isto serve para dizer que aprecio mesquitas. É um lugar de culto como outro qualquer e que me merece todo o respeito. O mesmo que me suscita o resultado de uma consulta popular, vulgo referendo. Os suiços decidiram-se pela suficiência dos minaretes construídos nas suas mesquitas. Não querem mais. Por consequência, levantou-se imediatamente o coro internacional dos padroeiros da correcção política para atacar a decisão suiça. O argumentário é conhecido.Todavia, se existe país que dispensa lições destes curandeiros é a Suiça. Esta gente, no fundo, só suporta a democracia de que se reclama dona quando a democracia "vota" a seu favor. Tenham paciência.

DAQUI ATÉ À ETERNIDADE

O prof. Freitas do Amaral ressuscitou ontem pela mão do marcelínico "diário da manhã". Não li evidentemente. Calculo que tivesse produzido mais um dos brilhantes diagnósticos acerca do estado a que isto chegou. Freitas safou-se a tempo de Sócrates alegadamente por causa das "cruzes". Era, para usar um termo de Woody Allen, um homem desfocado. Apesar disso, aparenta estar sempre pronto vai para mais de quarenta anos. O que nunca se sabe bem é para quê.

CRÓNICA DO TEMPO QUE PASSA OU COMO JÁ NÃO HÁ HERÓIS


«Ainda me recordo de alguns homens que se suicidaram por não poderem honrar uma dívida. Hoje, o mais normal é matarem os credores. E dizendo isto está tudo dito.»

Do Médio Oriente e Afins
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POR QUE É QUE ELES SÃO INCOMPORTÁVEIS

«Com o clima de corrupção generalizada existente, com os métodos usados na revisão dos preços, com os objectivos anunciados e com as prioridades conhecidas do Governo a serem a EDP, a PT a Mota-Engil, a Ongoing, Joaquim de Oliveira, a Martifer, a Sá Couto e quejandos, é fácil de ver para onde irão os milhares de milhões de euros de investimentos públicos previstos.(…) Ou seja, a grande prioridade de José Sócrates não são os postos de trabalho, mas a ajuda às empresas do regime e o controlo dos meios de comunicação, para que os portugueses não se apercebam disso.»

Henrique Neto, Jornal de Leiria via Blasfémias
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INCOMPORTÁVEIS


Quando acabar a cimeira ibero-americana, começa um fogo de artifício destinado a celebrar a aberração de Lisboa, mais conhecida por tratado de Lisboa. O dr. Costa, reputado comentador televisivo que acumula com a infausta presidência da CML, que tanto se queixou da falta de dinheiro que encontrou na câmara, colocou cartazes por toda a cidade a anunciar o evento, salvo erro para os lados da Expo. Entretanto, e lançadas a derradeiras canas, o país estará mais hipotecado do que estava quando se iniciou a "comemoração" pimba. Portugal está rapidamente a tornar-se infrequentável por causa destes parvenus. Sei bem que foram escolhidos democraticamente. Só prova que a a democracia comporta, como qualquer regime, efeitos perversos. Estas perversões ambulantes que nos governam - central e localmente - é que começam a ser incomportáveis.
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Domingo, 29.11.09

UMA LEITURA DE DOMINGO*

«Um mês bastou para se perceber o inevitável destino deste segundo governo “socialista”. Sócrates conseguiu irritar e hostilizar a oposição inteira durante quatro anos. A imagem de inflexibilidade e “determinação”, que ao princípio o serviu (de resto, por pouco tempo), acabou naturalmente por se transformar na imagem de suficiência e autoritarismo que hoje convida toda a gente a uma desforra exemplar. Ninguém acredita que o primeiro- ministro se transformou do dia para a noite no homem da conciliação, principalmente quando ele insistiu (e continua a insistir) que ganhou as legislativas de Setembro (que, de facto, perdeu) e ameaça cumprir o programa do PS como se estivesse em maioria absoluta. O carácter sobrevive à peripécia e o país vê nele o que ele até agora sempre quis que se visse – e que foi com firmeza rejeitado por milhões de portugueses. Pior ainda: Sócrates conseguiu juntar à animosidade política da esquerda e da direita, em princípio lógica e normal, uma execração pessoal sem precedentes. Por táctica ou vaidade, entrou numa guerra inútil e azeda com a televisão e a imprensa, que não lhe trouxe qualquer vantagem e o fez pagar pelo que devia e pelo que não devia. A obtusa (e frívola) tentativa de “gerir” a informação produziu exactamente o efeito contrário: o reino do boato, da “fuga” e da suspeita. Não admira que, com razão ou sem ela, o envolvessem em “escândalo” sobre “escândalo”: a licenciatura, o Freeport, a casa, a Face Oculta. Sócrates supõe que é vítima de uma ignóbil tentativa de “assassinato político”, mas não compreende que ele próprio a provocou. Governar pela propaganda e para a propaganda acaba, tarde ou cedo, mal. Em minoria, Sócrates não pode materialmente persistir na política que o levou ao desastre. Já recuou em matérias que há seis meses considerava intocáveis: na agricultura, na saúde, na avaliação dos professores. Fingiu que era por bom senso e vontade dele. Era por fraqueza. E, como não enganou a oposição, irá rapidamente passar da fuga à debandada ou à paralisia. Do Bloco ao CDS, o Parlamento não o estima, nem respeita e tem um objectivo principal: que ele saia de cena, mesmo a favor de outro PS. Verdade que discutir Armando Vara enquanto a bancarrota se aproxima raia a loucura. Só que no estado a que as coisas chegaram, nada se resolverá com Sócrates. A realidade é esta.»

Vasco Pulido Valente, Público

*Esta é apenas uma. Porém, um blogger faz sempre as suas, aos domingos, e encima-as com "um livro". Escolheu, desta vez, a História de Portugal coordenada por Rui Ramos. Não para a ler. Mas para a pesar. É o que há de "massa crítica" espalhada por aí.

BOM PROVEITO

Começa hoje a cimeira ibero-americana em Lisboa. Faltam os senhores Chávez, Morales e Castro. Nem por isso o mode tropical fica prejudicado. Por exemplo, o nosso PR reservou vinte e dois quartos de um hotel em Cascais como se Cascais fosse em Caracas e não a poucos minutos de Lisboa. Depois, há uma tenda "tecnológica" montada em frente da Torre de Belém que recorda naves espaciais e aliens. Esta cimeira regular é uma das maiores inutilidades políticas do mundo. Tinha, até Fidel sair, o "picante" da sua presença com fatos oferecidos pelo falecido Mitterrand. Depois Chávez passou a fazer de clown de luxo de serviço à cimeira e até Sócrates deixou a sua "marca" com o Magalhães. Este evento custa, naturalmente, muito dinheiro que não é coisa que abunde. E é um pretexto para Sócrates celebrar o maldito tratado de Lisboa com foguetório vário. O cosmopolitismo de um povo - o nosso, aliás, sempre alheio a estas manifestações possidónias - não se mede em eventos. Mede-se, por exemplo, e como ontem lembrou o António Barreto, pela literacia de uma nação. Guterres é uma das "estrelas". Não deve ser por acaso. Foi com ele que começou o afundanço precisamente muito disfarçado com eventos. A cimeira ibero-americana antecipa as tendas do circo de natal que costumam aparecer por esta altura. Bom proveito.

NAS COSTAS DE UM FELINO

Faz de conta que o homem que pesca está sentado no dorso de um felino que desafia o mar. E que a segurança não lhe advém da cadeira mas sim da escarpa em forma de felino. É justamente o felino que existe em cada um de nós - naqueles que não fazem questão de exibir a sua extraordinária "pessoa humana" - que permite continuar. Ontem tomei banho naquele mesmo mar. E hoje estou um ano mais velho do que estava no instante em que mergulhava. A partir de determinada idade, os aniversários só podem ser celebrados nas costas de um felino.
Sábado, 28.11.09

UMA CLAQUE ESVOAÇANTE

Ainda tenho fresca a memória daquela tarde de encontro dos "claqueiros" de António Costa no Martinho da Arcada. A Fátima, aliás, pode confirmar o resoluto desfile de "intelectuais" ao qual presidia Vieira Nery. Pois apesar de tanta intelligentsia junta com lugar assegurado no Olimpo da eternidade - houve quem fotografasse compulsivamente esses sublimes encontros à laia de ersatz kitsch do passeio da fama de Hollywood - o dr. Costa, a eles, prefere isto. Depois o Rio é que é foleiro.

DOS PEIXES

Desde o início que venho a dizer que Vara não é homem para se "sujar" por causa de uns míseros euros. Tudo, afinal, se resume a um cabaz de robalos e a um irrelevante equipamento desportivo. Todavia, e pelo sim, pelo não, ficou o "conselho" ao senhor conselheiro Monteiro para não divulgar "conversas privadas". Realmente, o que é que interessa uma conversa em torno de peixes? Vara recorda-me a Alice de Lewis Carroll. A coitadadinha julgava que toda a poesia é acerca de peixes.

Portugal dos Pequeninos

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