
O dr. Mário Soares, o
ayatolah do regime, opina no DN, um hebdomadário que faz as vezes do "Acção Socialista" que nem os militantes lêem.
Desta vez, a "fase" é "complexa". Para o PS, claro, que, segundo Soares, é o menos responsável pela crise, uma manifesta "importação". O neoliberalismo, esse malvado, é que estragou tudo, até os resultados das europeias que o PSD não ganhou, como Soares não duvida. Foi - vá lá - o PS que perdeu. Todavia, o guardião dá o conselho. «Uma linha progressista clara que passe por uma autocrítica consequente - ou uma mea culpa - e por uma reaproximação ao mundo do trabalho», «o Partido [com P grande como deve ser] terá de ser mobilizado (parece-me desmoralizado e descrente, nas bases) e de fazer um discurso mobilizador, não só na forma, mas também no conteúdo [como se isto fosse possível com este secretário-geral, mesmo na versão "Bambi"]», «a JS, as Mulheres Socialistas, os imigrantes, as mulheres e os homens de cultura, os homossexuais [então e os heterossexuais, os transsexuais e os que não sabem o que são?], têm aí um papel decisivo a jogar.» Mais. Para estes justos desempenharem o referido "papel", «têm de estar convencidos que as políticas vão mudar, no sentido dos seus próprios interesses», ou seja, em sentido contrário ao que o admirável líder procurou "traçar" quando decidiu, há quatro anos, fazer de cada português um inimigo potencial, uma "corporação". E Soares pede o impossível. «
Os dirigentes do PS deverão percorrer o País, ouvir e falar com as pessoas com humildade e espontaneidade. Sem promessas vãs e sem demagogia.» Na segunda parte do artigo, Soares considera, aliás, "pouco verosímil" que Sócrates ignorasse o "negócio da PT" com a Media Capital que posteriormente abortou. No fundo, Soares já percebeu que o PS de Sócrates - o que vai a eleições daqui a três meses - estaria melhor sem Sócrates. Mas é o que há, dr. Soares. Os seus amigos, "homens de cultura" como, por exemplo, o dr. Pulido Valente, que façam o favor de lhe explicar.