
O regime, através dos seus partidos, combinou, em segredo e rapidamente, aumentar em quase sessenta vezes o valor das contribuições em cash para os respectivos cofres. A desculpa - vejam lá a ironia da coisa - é a "festa do Avante" e o PC. Salvo dois deputados (Seguro que votou contra e Matilde Sousa Franco que se absteve) todos os restantes votaram favoravelmente. Isto com um argumentário risível apresentado à comunicação social. Ainda nem há uma semana, lá, Cavaco pediu moderação e austeridade nas despesas partidárias durante o ano eleitoral em curso. Os deputados, entre os quais se encontram moralistas permanentemente indignados como Louçã, responderam a preceito. Praticamente os mesmos que se dizem preocupados com a corrupção. Com certeza. São todos bons rapazes.
Adenda: Um dos jargões da língua de pau do regime que mais me irritam é a "transparência". O pequenino Martins, que preside ao bando atiladinho do partido maioritário no Parlamento, usa e abusa dele. A necessidade de falar muito em "transparência" é esclarecedora de per si. Martins é uma pérola da pior retórica parlamentar, medíocre e improvável. Nisso ele é muito transparente.