Terça-feira, 31.03.09

PRESSÕES

O dr. Jorge Coelho, o CEO da Mota-Engil, afirmou que a empresa estava a ser "pressionada" para acabar as obras em curso antes das eleições. As pressões estão, pois, na moda. Mas quem, melhor do que o dr. Jorge Coelho, para lidar com elas?
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A EVIDÊNCIA

«Perceba-se: se o caso Freeport for, por qualquer razão jurídica, arquivado sem conclusões e por prazos de prescrição, passa a caso político sem horizonte à vista.»

José Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro

DESESPERADAS MAS BEM MENOS DO QUE NÓS


Mais uma recomendação para esquecermos, por uns instantes, a imensa suburbia em que se tornou Portugal. A partir das 21h, no canal Fox Life, dois episódios de "Donas de Casa Desesperadas".

O FUNDO E A MARGEM

Santos Silva recomendou que fossem "tiradas consequências" da sugestão de que existiriam "pressões" sobre os investigadores do "dossiê flamingo". O PGR já "tirou" as dele. Pinto Monteiro "ameaça" os seus subordinados com processos disciplinares, nomeadamente aqueles que «intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação» do caso Freeport que, segundo o PGR, «continua com a análise de todos os fluxos e contas bancárias com relevância, bem como com o exame da documentação atinente, nacional e estrangeira.» Também são susceptíveis de procedimento disciplinar os magistrados suspeitos «de qualquer conduta ou intervenção (...) junto dos titulares da investigação, com violação da deontologia profissional», o que «está já a ser averiguado com vista à sua avaliação em sede disciplinar.» É, digamos assim, uma maneira de ver as coisas. Não temos, porém, a certeza se corresponde ao fundo delas ou apenas à sua margem. Aguarde-se pelo próximo comunicado e pelos processos sobre os processos sobre os processos.

CÁ ESTAREMOS PARA VER


Sobre este post recebi este comentário de um "anónimo" - cheio daquela bravura ameaçadora típica dos cobardes - que reproduzo e deixo ao juízo dos leitores. «Não creio que o PGR tenha feito até agora qualquer comunicado sobre o caso que dá tanto "frisson" ao dr. Gonçalves, acompanhado pela Manuela das bocas, pelo sublime "Correio", etc. Más companhias, dr. Gonçalves, como lhe tenho dito. Mas se insiste, como já é maior e (aparentemente) vacinado, prossiga. Mas talvez venha a ver que as más companhias não levam a bom porto, como diriam os nossos avozinhos. Cá estaremos p'ra ver.» É isso mesmo. Cá estaremos para ver.
Adenda: Constato que o dr. Santos Silva, mesmo que involuntariamente, inspira muitos patrulheiros da blogosfera. Tal como ele, também eles pretendem "tirar consequências". Será este o mesmo partido fundado por Mário Soares, em 1973, na Alemanha ou já nos estamos a aproximar rapidamente de outra coisa inspirada em paragens mais latino-americanas ou numa Europa de leste anterior a 1989?

OUTRO LUGAR, OUTRAS GENTES


«O que queria deixar aqui escrito é que as pessoas que me vão enchendo estas páginas numa viagem que se iniciou em Lisboa e a esta voltará, são as pessoas que me interessam e que as mostro, pois então. Que se saiba da existência de homens e mulheres que trabalham como nenhum de nós sabe ou jamais saberá. É no duro, a doer, não é como estar aqui sentada a escrever e a cair na rima, sem grand ou petit souci, como se dirá tudo isto em dutch? A vida destas pessoas não é a vida que sei de cor e que leio por aqui, por exemplo, da empáfia, desse abrir a boca de tédio e estúpida melancolia mas nunca de espanto (...). O que quero mostrar, claro, preto no branco, a cores, de todas as formas e feitios é a importância de ser vivo, mas desta forma, com orgulho, sem empáfia. E enquanto assim penso e escrevo estas notas, recordo os que vieram ter comigo a pedir fotografia de pose. E a rir os fotografei, e a rir deixaram-se ir na brincadeira para uma posteridade qualquer, sabemos lá nós qual, dank u wel. São as pessoas de Antuérpia, os estivadores e uma estivadora, ali ao centro, onde estava.»

Fátima Rolo Duarte, texto e foto. Porto de Antuérpia. 2009

Segunda-feira, 30.03.09

O INFATIGÁVEL COMUNICADOR GERAL DA REPÚBLICA

O senhor conselheiro Pinto Monteiro anunciou para amanhã, terça-feira, um comunicado (mais um) sobre o "dossiê flamingo". Era, aliás, o que mais falta estava a fazer ao processo: outro comunicado. Quem diria que ainda ia ter saudades do dr. Cunha Rodrigues e do dr. Souto Moura. Nunca se deve cuspir para o ar.

GRANDES VOZES



Mario Sereni canta a ária "Morir, tremenda cosa" de La Forza del Destino de Verdi. Teatro San Carlo de Nápoles.1966. Sereni fez o papel do pai "Germont" na Traviata da Callas em Lisboa, em 1958. Belos tempos, bela gente, grandes vozes.

ISALTINO, O INCONSCIENTE

Um povo - neste caso os munícipes e são muitos espalhados pelo país e pelas foleiras rotundas que os circundam e que aplaudem- que elege indivíduos desta estirpe dificilmente chega a algum lado. No fundo, ao declarar-se "inconsciente" em relação a um tema (uma conta bancária na Suiça alimentada a "sobras" de campanhas eleitorais) que releva de tudo menos da inconsciência, o referido indivíduo está a gozar com quem o escolheu e, muito adequadamente, com a justiça e a investigação criminal portuguesas. Uns e as outras merecem-no.

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