Terça-feira, 30.09.08

WAGNER REAL




«Não seria positivo deixar ir uns tantos bancos para a falência?», pergunta José Medeiros Ferreira, o mais recente acarinhador das "frutuosas" relações com Chávez, o petrolífero amigo de Portugal em vias de se tornar mais um produtor nuclear com "intuitos pacíficos". Também sou adepto do deixar afundar o que é para afundar. Há mais onde gastar o dinheiro dos contribuintes que, mesmo bovinos e massificados, podem um dia começar a perguntar se este "sistema" ainda vale a pena. É como se estivéssemos a "viver" a tetralogia de Wagner depois do "aviso" de Erda no "Ouro do Reno": "tudo o que existe tem um fim". Resta saber em que "jornada" é que já vamos.

A CONSCIÊNCIA DELA

"Estou de plena consciência. Aluguei um andar, legal, com valores legais", disse a sra. D. Ana Sara Brito, ao lado de Costa, o presidente da CML de quem é vereadora. Acrescentou que se tratava de "uma casa atribuída legalmente e de acordo com critérios à época e a situação à época." Talvez a criatura quisesse dizer que "estava de consciência tranquila" e saiu-lhe a "plena consciência" que, afinal, com a explicação posterior dos "critérios", acaba por ser freudianamente mais adequada. Pelo meio mencionou a inevitável "ética" e a "confiança" de Costa. Está certo. Trinta anos de maus hábitos não se mudam de um dia para o outro. Mesmo que lhe chamem "património disponível". Só o nome da coisa é todo um programa.
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Segunda-feira, 29.09.08

UM MARTELO RESOLUTO


«Não me recordo de todas as palavras. Lembro-me do frio intenso, da neve espessa no chão, da terra castanha da sepultura que era quase uma profanação da neve. Através do ar límpido de Inverno, a voz falou da espada de Siegfried que um dia se abateria sobre o bordão de Wotan. O grande e honrado amigo de quem nos despedíamos junto àquela campa não teria o privilégio de ver o dia em que essa espada se havia de erguer. Mas fora na sua bigorna que essa espada fora forjada: as chamas das suas palavras é que tinham aquecido a bigorna. Um martelo resoluto...»

(A. N. Wilson, A Filha de Hitler, Winnie e Wolf, Bertrand Editora, 2008)

MOMENTO ANTI-SEMITA

O que se está a passar nos EUA mostra como o lobby judaico pode muito.
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A JOANINHA

Joana Amaral Dias aparece sempre naqueles "frente-a-frente" de Mário Crespo na SIC-Notícias com um ar irritantemente petulante muito típico de um certo BE. Como quem diz: «quando eu for grande quero ser a "Cilinha" destes democratas.» Nem sequer lhe chega aos calcanhares.

O SUBTIL TIMONEIRO


O mundo continua perigoso. Nos EUA, o "plano" Bush está com dificuldades em passar precisamente por causa dos "republicanos" mais "liberais", isto é, menos dispostos à intervenção do Estado. A Irlanda entrou em recessão. A França entrará em breve. Aqui ao lado é o que se vê. Na Áustria, a extrema-direita somou quase trinta por cento dos votos e o "centrão" tradicional desceu. Só nós, entregues a esse subtil timoneiro que é o nosso primeiro-ministro, parecemos viver blindados a estas desgraças dos "ricos". Por que é que não o exportamos?

OS PROSÉLITOS DE ÉVORA


Meia dúzia de homossexuais católicos esteve reunida em Évora. Não escrevo "católicos homossexuais" porque as criaturas dão mais importância ao facto de serem homossexuais do que católicos como se as preferências íntimas de cada um tivessem alguma preponderância "socio-cultural". Concluíram inevitavelmente que a Igreja é homofóbica e pouco inclusiva. Um dirigente da JS até esteve presente para celebrar o nojo destes heróis. No fundo, o ridículo conclave de Évora destinou-se a demonstrar, pela enésima vez, os nefastos efeitos - individualmente sentidos - da culpa judaico-cristã e a seguir os "mandamentos" do "correcto". Não lhes passou pela cabeça que a Igreja não existe para se "adaptar" ao "modismo" do momento. Desde a sua existência - praticamente desde que Jesus confiou a Pedro a tarefa de a erguer a partir de uma rocha - que a Igreja alberga "pecadores". Toda a vida da Igreja, aliás, se justifica porque há "pecadores", nem mais nem menos "justos" do que os que se imaginam "imaculados". Estes same sexers é que possuem um duplo problema. Por um lado, convivem mal com a sua fé. E, por outro, sentem-se desconfortáveis na sua sexualidade. A Igreja pode ajudá-los quanto ao primeiro aspecto mas não interfere - ao contrário do que eles se queixam - no segundo. O que eles não podem exigir é que, como repetidamente tem dito Ratzinger, a Igreja faça proselitismo. Os partidos e as "organizações da sociedade civil" podem fazê-lo à vontade. A Igreja não.
Domingo, 28.09.08

A ETERNA MAIORIA SILENCIOSA

Passaram trinta e quatro anos. A tropa e os "populares" puseram-se às portas de Lisboa à procura da "reacção" nos bolsos, nas malinhas de mão e nas bagageiras dos automóveis. A "maioria silenciosa" acabou por se manifestar de outra forma, mais tarde, em eleições. Nessa altura, a democracia era "gira". Agora é uma espécie de provincianismo global. Ora o maior problema dos não sei quantos actos eleitorais que se avizinham é justamente a velha "maioria silenciosa". E se ela, desta vez (porventura ajuizadamente), não quiser sair de casa?

PSD LÁZARO


O dr. Marques Mendes escreveu um livro. E fartou-se de falar dele. Dele, livro, e dele, Marques Mendes. Parece que é uma espécie de manual de ética para políticos. E de "ideias" para o futuro do país. Meio desse país político abençoou este regresso de Lázaro e procurou, com afã, um autógrafo talvez por causa da "ética" e das referidas "ideias". Estimo o dr. Mendes. Estava a fazer um trabalho meritório como líder do PSD quando foi afastado pela desgraça ambulante de Gaia. Porém - e como o próprio faz questão de lembrar - Mendes anda "nisto" há anos e anos. Começou, praticamente de bibe, como adjunto do então governador civil de Braga. Eurico de Melo "empurrou-o" por aí abaixo. Quando Cavaco se foi embora, "exigiu" a Fernando Nogueira que o substituísse. Deixou-se tentar pela chefia do partido que só chegou depois do colapso de Santana. Pelo caminho, ocupou cargos ministeriais influentes. Ou seja, Mendes teve tempo de sobra não para escrever um livro mas, sim, para colocar em prática as "ideias" que lá vêm. Passos Coelho "fervilha" de "ideias". Santana não nega ter as suas. Marcelo, pelo menos até Março, tem o seu "palco" sonso na RTP garantido, mesmo que "apertado" pelo poder. Mendes é o que se vê e até Menezes aparece todas as semanas para fazer o seu pequeno número de circo. Manuela, entretanto, toca e foge. Alguém precisa fazer urgentemente um congresso extraordinário na sua cabeça. A questão é saber quem é o primeiro.
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LOUIS-FERDINAND CÉLINE


«Un diamant noir comme l'enfer». No Dragoscópio.
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Portugal dos Pequeninos

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