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Para quem, como eu, reside nas imediações do estádio do Benfica, este é mais um domingo infernal. Juntam-se duas boçalidades, os "super-dragões" com os congéneres benfiquistas, uns "neos" qualquer coisa ou "diabos vermelhos". O centro comercial mais perto do estádio, o Colombo, é literalmente invadido por batalhões familiares de cachecóis azuis e vermelhos com uns chapéus rídiculos estilo "joker", uma imitação do diabo, fosse ele imitável. O que ultimamente me tem chamado mais a atenção nestas movimentações futebolísticas é a presença, em número cada vez maior, de mulheres. Antigamente as esposas ficavam nos carros a tricotar e em amenas cavaqueiras com as outras esposas enquanto os cabeças de casal uivavam nas bancadas. Agora parece-me que são as próprias que reclamam o mesmo estatuto de fervorosas adeptas e, seja qual for a idade, lá as vemos arrastando-se para os estádios com o mesmo ar idiota dos companheiros e paramentadas como lhes compete. Em toda a minha vida devo ter assistido a não mais de três ou quatro jogos de futebol. Não "sofro" particularmente por nenhum clube e, quando muito, posso inclinar-me, por mera proximidade histórico-geográfica, para o Benfica, desde que tudo decorra a uma distância conveniente para os meus passos. É que o futebol tropeça vezes de mais na minha vida para que não deixe de me incomodar. Dito isto, e apesar de tudo, espero que o sr. Pinto da Costa regresse ao Porto irritado o que é, aliás, o seu "estádio" natural.