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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"NÃO NOS TIREM..."

João Gonçalves 27 Dez 05

"GOLPE DE ESTADO EM PORTUGAL: Candidato presidencial propõe nomeação de manga-de-alpaca para monitorizar as dificuldades das empresas lusas por esse mundo fora. Não nos tirem é o moço da emigração-e-das-comunidades que voa até Joanesburgo para comer bacalhau e até Toronto para beber jeropiga."

De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado

PALMEIRAS E PRESIDENTES

João Gonçalves 27 Dez 05

1. Como bem recordou Miguel Sousa Tavares na TVI, a propósito da "polémica" pirosa em torno da entrevista de Cavaco Silva ao JN (adequada à "silly season" em que parece que se está a tornar a longa campanha eleitoral, S. Tavares dixit e eu concordo), é suposto um candidato presidencial "ter" um programa político que, uma vez eleito, desenvolva e cumpra. Se assim não fosse, não faria sentido nenhum os candidatos deslocarem-se a lugares tão extravagantes como barragens, escolas, cooperativas, fábricas ou outros serviços públicos e privados para derramarem as suas "propostas". Severiano Teixeira, aliás, que tem talento para tudo menos para porta-voz, ainda por cima de Mário Soares, acabou por reconhecer que o presidente - presume-se que Cavaco "himself" - podia ter dito o que disse, mas em privado, ao primeiro-ministro. Não me parece que os portugueses queiram saber desta "polemicazinha" de salão para nada e que lhes é mais conveniente - como também salientou Sousa Tavares - um presidente que saiba o que quer fazer com os poderes que tem, em vez de se "sentar" no cadeirão belenense a recitar mansamente a Constituição. Doutra forma, como é que os candidatos conseguem explicar às pessoas por que é que se candidatam ou com que propósito as andam a "massajar" meses a fio?
2. E em matéria de "orgânica" de governo e da "competência" para mexer nela - e já que Soares considerou "muito graves" as declarações de Cavaco e as "levou" para esse caminho-, convém avivar a memória, não com meras "sugestões", mas com a realidade. Em 1995, o então primeiro-ministro, no âmbito das suas competências exclusivas, propôs ao então presidente da República que, por ter sido eleito presidente do PSD em congresso, o dr. Fernando Nogueira passasse a vice-primeiro-ministro, quando ele era apenas ministro da Defesa. Soares aproveitou uma cerimónia qualquer na Batalha e chamou o ministro "à parte" para cordialmente lhe dizer que não aceitava a nova "orgânica" do governo proposta por Cavaco Silva, o primeiro-ministro. Caiu o "Carmo e a Trindade"? Rasgou-se a Constituição? Foi "muito grave"?


Adenda: Ler este post na Grande Loja. E este, no Bloguítica. E, já agora, este de Francisco José Viegas.

PERFEITO...

João Gonçalves 27 Dez 05

... este post do Paulo Gorjão. E ainda falta a "fita" de Mário Soares, com direito ao esquecido porta-voz e tudo, para ter um ar mais compostinho e "solene". O "tema" é tão "grave" que o candidato - que não tem feito outra coisa - "não fala" de Cavaco "na rua" (sic). Se isto não é patético, então já não sei o que é patético.

TROPISMOS PRESIDENCIAIS

João Gonçalves 27 Dez 05

Aquela "sombra" primo-ministeriável que os adversários de Cavaco Silva passam a vida a ver passar por trás do candidato, talvez possa ser comparada com esta oportuna chamada de atenção de João Miranda acerca de alguém aparentemente insuspeito de ser perseguido por qualquer "sombra" a não ser a própria.

DORMIR COM O INIMIGO

João Gonçalves 27 Dez 05

Cavaco Silva "ousou" sugerir a criação de uma secretaria de Estado para acompanhar o investimento estrangeiro em Portugal. Esclareceu que isso não era da competência do PR, mas ninguém ouviu ou leu. A pudicícia constitucional das vestais esquerdinas do regime determinou imediatamente que o homem tinha "alma" de primeiro-ministro, que se "meteu" na "orgânica do governo" e o vate candidato chegou mesmo a derramar que o dito Cavaco "pensa que ainda é o homem do leme". Cavaco, erradamente, deu-lhes "troco" e forçou-se a explicações escusadas sobre uma coisa perfeitamente irrelevante. Que lhe sirva de exemplo. Por "dá cá aquela palha", há sempre alguém disposto a "fazer-lhe a cama". E não compensa nada "dormir com o inimigo".

BEM HAJAM

João Gonçalves 27 Dez 05

Segundo um estudo qualquer, três quartos do famigerado patronato português - o da "iniciativa" e o da "competitividade" - não completaram o 12º ano de escolaridade ou não são licenciados. Em relação a Espanha, a nossa percentagem de literacia patronal equivale a metade da dos nossos vizinhos, o que explica muito burgesso que por aí se exibe como "empresário". Também a despesa em I&D, em 2003, não chegou a 0,80% do PIB para valores médios europeus de quase 2%. Em compensação, "somos os maiores" em automóveis e em telemóveis por mil e por cem habitantes respectivamente, bem acima da média da União Europeia. Mesmo assim, e segundo o Tribunal Constitucional, ainda há mais de uma dezena de voluntários disponíveis para, a partir de Belém, pastorear esta indigência mental e material. Bem hajam.

"WOODY WHAT?"

João Gonçalves 27 Dez 05

Para ler em O Acidental, um post do Manuel Falcão. Esta parolice em torno de Woody Allen "atrás de um clarinete" no CCB, dá razão a Agustina quando, num livro distante sobre Maria Helena Vieira da Silva, classificava o dito cujo como uma mera "mediocridade brilhante".

CREDIBILIDADE E CONFIANÇA

João Gonçalves 27 Dez 05

"Os factores psicológicos são muito importantes na evolução de um país porque determinam as expectativas. A credibilidade e a confiança são factores psicológicos importantes para gerir as expectativas em face do futuro. E o presidente da República tem muita influência pela imagem que projecta. Ele tem de ser um exemplo de seriedade, de honestidade, de rigor, de defesa do interesse nacional, de intransigência em relação à corrupção e ao laxismo na despesa. Tem de ser uma voz de alerta em relação, por exemplo, ao desordenamento do território, um estímulo à produção. Não pretendo substituir-me ao Governo mas, além das competências escritas, é bom não esquecer que há a legitimidade que o presidente tem pelo facto de ser eleito directamente pelo povo."


Da entrevista de Cavaco Silva ao Jornal de Notícias

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