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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

UM GRANDE FAVOR

João Gonçalves 26 Dez 05

Acabo de ver o Frente-a-Frente da SIC Notícias entre João Soares e Pedro Ferraz da Costa. Foi pungente o estoicismo do segundo perante os dislates do primeiro, o qual nem sequer resistiu à impensável demagogia de se louvar em Pedro Santana Lopes para atacar Cavaco Silva. Em matéria de subtileza "política", J.Soares conseguiu vislumbrar, como francamente mau em Cavaco e como indicador seguro da sua ineptidão para PR, a circunstância de ele não ser propriamente uma boquinha de riso. João Soares devia seguir uma certa moderação nas suas intervenções públicas. Carrega, de há uns anos para cá, e depois de uma meritória exibição como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, um estatuto de derrotado político profissional. Pertence, apesar da educação, ao clube daqueles que nunca esquecem nada nem aprendem coisa nenhuma. Ao contrário do pai, não possui qualquer espécie de talento político que o recomende para defender quem quer que seja, muito menos o seu progenitor. Nem no seu próprio partido é levado excessivamente a sério, como se viu nas eleições internas do ano passado. João Soares ainda não entendeu que é muito mais "passado" do que o pai. Por isso, far-lhe-ia um grande favor se estivesse calado.

OUTRO NATAL

João Gonçalves 26 Dez 05

"A Natividade", de Paula Rego, "furtada" ao Crítico

EM SINTONIA

João Gonçalves 26 Dez 05

"Todos sabemos que o País não avança continuando a viver de ilusões e de sucessivos adiamentos. E sabemos também - sabemos todos - que há muitas coisas que é preciso mudar em Portugal para que possamos garantir aqui um futuro melhor, para nós e para os nossos filhos. Pois essa mudança já começou. Finalmente, começou. Não é, nem poderia ser, um caminho de facilidades. Como não é, nem poderia ser, um passe de mágica, como se fosse possível mudar as coisas de um dia para o outro. Mas estamos a seguir o caminho certo. E estamos a fazê-lo com a coragem e com a determinação que são necessárias para levar o País para a frente. Para que a economia portuguesa possa melhorar e criar mais empregos. Para que os jovens tenham mais oportunidades. Para que haja menos desigualdades sociais. Para que possamos garantir o pagamento das pensões de reforma no futuro. Para que os nossos idosos vejam assegurado um rendimento que lhes permita viver com dignidade e não os condene mais à pobreza. Numa palavra, para que Portugal se volte a aproximar do nível de vida dos Países mais desenvolvidos da Europa."

Da "Mensagem de Natal" do primeiro-ministro, José Sócrates

"Estou firmemente convencido de que, se for eleito, posso contribuir para a melhoria do clima de confiança, para o reforço da credibilidade e para vencer a situação muito difícil em que o nosso País se encontra. Posso ajudar a construir um futuro melhor para os Portugueses. É hoje generalizado o reconhecimento de que Portugal vive numa fase difícil, que se prolonga há vários anos, em particular no domínio do desenvolvimento económico e social. Nota-se nas populações um forte sentimento de descrença e de pessimismo. (...) Portugal tem vindo a afastar-se do nível de desenvolvimento da União Europeia e da nossa vizinha Espanha e voltou a ser ultrapassado pela Grécia. Os países do leste europeu, que aderiram à União Europeia em Maio de 2004, estão a aproximar-se rapidamente do nosso nível de desenvolvimento. Já fomos mesmo ultrapassados pela Eslovénia. Não podemos resignar-nos a esta situação. Eu não me resigno. Temos de restabelecer a confiança, mobilizar as energias nacionais e reencontrar o caminho do desenvolvimento equitativo. Sei que isso é possível. As capacidades dos portugueses, já demonstradas noutras ocasiões, são uma garantia de que podemos vencer."

Da "declaração de candidatura" de Cavaco Silva

LER

João Gonçalves 26 Dez 05

Os três posts mais recentes de Pedro Magalhães sobre as sondagens, "Actualização", "Dispersão" e "Tendências". "Assim, em síntese: 1. Sinais muito claros de subida para Soares, com dispersão grandemente explicada pela passagem do tempo; 2. Sinais claros de descida para Alegre; 3. Estabilidade genérica para Jerónimo e Louçã, mas maior incerteza para o segundo; 4. Incógnita (e, à falta de melhor, estabilidade) para Cavaco." "O maior nível de incerteza existe em relação às intenções válidas de voto em Mário Soares, cujos resultados exibem disparidades muito superiores ao que seria de esperar tendo apenas em conta o erro amostral associado às várias estimativas. Apesar da variação nos resultados de Cavaco Silva ser, em absoluto, igualmente grande, ela é bastante menos significativa, tendo em conta que se estão a estimar resultados mais próximos dos 50%." "Aquilo que a sondagem [da SIC, de 23 de Dezembro] diz é que, tendo apenas em conta a margem de erro amostral, a inferência para o universo é que Cavaco terá neste momento entre 49% e 55% de intenções de votos válidas." Em suma, e em geral, parece que estamos de acordo.

ESTREIA

João Gonçalves 26 Dez 05

A de Constança Cunha e Sá no Minha Rica Casinha. Aqui e aqui. "Sempre me angustiou esta necessidade gregária que reflecte apenas o medo que temos de nos apanharmos sozinhos." Bem vinda a Elsinore, Constança.

CAFÉS

João Gonçalves 26 Dez 05


Joana Amaral Dias, afinal, não é apenas "bloco" e "fé" soarista. Num intervalo, JAD dá-nos dois bonitos instantes de dois livros ("um café sff", I, II e eventualmente mais): de Enrique Vila-Matas, "Paris nunca se acaba" (Ed. Teorema) e "A Ideia de Europa", de George Steiner (Gradiva).

SEGUIR EM FRENTE - 1

João Gonçalves 26 Dez 05



"Portugal precisa dum Presidente da República que represente a identidade superior dos portugueses. Não um imitador da ordem moral, mas alguém que se situe para além das honras de que é investido, para se debruçar sobre os problemas e aspirações de toda a gente. Alguém a quem não move a inclinação ao poder. O exercício das suas funções interpreta a razão prática técnica e não um objectivo do amor-próprio."
Agustina Bessa-Luís


"Faço parte dos muitos portugueses que elegeram o actual governo e que − espero − vão eleger o prof. Cavaco Silva Presidente da República. (...) O actual governo necessita do apoio do Presidente da República para levar a cabo uma política rigorosa, firme nas reformas anti-corporativas e que, nessa medida, seja liberal e modernizadora. Uma política que não ceda à demagogia proteccionista dos cruzados da anti-globalização e que tenha a coragem de pactuar sacrifícios com o eleitorado em vez de vender ao povo as ilusões do proteccionismo, nacional e/ou social.Porque só Cristo poderia dispensar-se de nada saber de finanças, considero que o Prof. Cavaco Silva é, pela sua experiência e pelas suas posições, o único candidato capaz de, na Presidência, apoiar essa política."
Amadeu Lopes Sabino

"Considerando-me uma pessoa da área da esquerda, isto é, que acredita nos valores sociais que possam conduzir a evolução da sociedade no sentido de uma maior justiça social, entendo que o Professor Cavaco Silva é o Candidato que reúne as melhores condições para presidir ao País na grave crise que atravessa. (...) Assegurou ao longo da sua vida não apenas uma dedicação à causa pública em que avultou a sua honestidade de carácter e incorruptibilidade, sendo capaz, no plano pessoal, de desenvolver uma carreira universitária do mais alto nível, onde se tornou reconhecido especialista, podendo prescindir da dependência dos cargos políticos que tantas vezes diminuíram outros políticos com qualidades e os amordaçaram. Isto se traduziu na fidelidade ás ideias que em cada momento soube defender com rigor e independência pouco usuais."
Bernardo Pinto de Almeida

"Pelo seu perfil de reconhecida seriedade, competência e frontalidade, Cavaco Silva representará, se for eleito, uma referência moral e um mobilizador de vontades em torno dos desafios que são de há muito consensualmente apontados e sistematicamente adiados." Diogo Pires Aurélio

"A passagem do professor Cavaco Silva pelo poder demonstrou, além da sua eficiência, uma tão escrupulosa rectidão de serviço que não se vê candidatura mais apta para conjugar vontades e incrementar a confiança do povo português nas circunstâncias difíceis que o país atravessa. Se acrescentarmos a isso a dignidade impar manifestada neste início de pré-campanha, que exemplifica o respeito consciencioso do sentido democrático, veremos ainda confirmar-se a sua qualidade excepcional.Mas não se pode, sobretudo, esquecer a honradez pessoal do homem, seja no exercício das funções, seja no cumprimento da lei e da palavra dada."
Fernando Echevarria

"Em artigo recente, Diogo Pires Aurélio lembrava que em 1985 a candidatura de Mário Soares se opôs ao candidato conservador e a dois candidatos que exprimiam o que restava das ilusões, nem todas inofensivas, da época “revolucionária”. Foi de facto assim que a entendi e por isso a apoiei. O tempo passou e os homens mudaram mas a conjuntura presente assemelha-se à de então. Se a revolução está para trás, a esquerda portuguesa, como a de quase toda a Europa, radicaliza-se. No plano internacional, pode tender para posições extremas e, no plano interno, parte dela pode sucumbir a tentações anti-democráticas. Agora é Cavaco Silva que se encontra na posição do Mário Soares de 1985. Apoio-o por, de entre os candidatos à presidência, ser quem melhor saberia conter tais derivas e porque penso que contribuirá de maneira determinante para a modernização do país e a melhoria da vida dos portugueses. A sua energia e um vigor intelectual indesmentido são disso garantia."
Fernando Gil

"É muito provável - inteiramente provável, aliás - que eu tenha da vida uma ideia completamente diferente da de Cavaco Silva. Mas o combate nestas eleições presidenciais é entre diferentes modos de entender a vida de um país, não entre modos de entender a vida ou a vida de cada um. O objectivo da política, como se sabe, não é o de garantir a felicidade - mas o de possibilitar que cada um possa procurá-la como entender, livremente.Acredito também que o tipo de presidência exercida por Cavaco Silva permitirá que os governos governem e que os cidadãos sejam cidadãos de pleno direito - e que actuará com tranquilidade. E que Portugal precisa dessa tranquilidade para se repensar e reorganizar. E que é necessário alguém com o seu perfil na Presidência. Alguém que esteja atento aos outros. E que garanta o respeito pelos valores republicanos de seriedade, responsabilidade individual, estudo, rigor, respeito pelas contas do Estado, lealdade às leis e à vontade dos eleitores. Eu votarei nesse Presidente."
Francisco José Viegas

"O CASO MÁRIO SOARES"

João Gonçalves 26 Dez 05

"A candidatura de Soares vive de uma obsessão quase doentia: o perigo para a democracia da vitória de Cavaco. É uma negação permanente (mesmo quando Soares promete num dia que não vai voltar a falar de Cavaco, no dia seguinte tem uma recaída aparatosa). (...) O debate de Soares com Cavaco foi para Soares um verdadeiro suicídio político. Soares procurava desestabilizar Cavaco com toda a espécie de agressões. Cavaco, mesmo confessando a dado momento que precisava de se conter, manteve uma postura absolutamente impecável, ajustada à imagem que nós temos de um Chefe do Estado. Soares, não. A sua atitude foi a de um líder da oposição que quer esmagar o adversário a qualquer custo. Face aos elogios de Cavaco, Soares disse coisas espantosas sobretudo sobre a personalidade e a formação de Cavaco. Chegou ao desplante de afirmar que Cavaco era um razoável economista, mas não um Prémio Nobel, como se a história contasse com muitos Prémios Nobeis no lugar de Presidentes. Foi desagradável ao agitar comentários de amigos seus em relação ao aspecto hirto e pouco conversador de Cavaco em reuniões interrnacionais. Há coisas que um Presidente da República não pode fazer. Soares fez. E foi hilariante quando se quis apresentar como um verdadeiro conhecedor de economia que tinha salvo o país."

Eduardo Prado Coelho, Público (sem ligação), 26.12.05

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