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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 21 Dez 05

...estas "notas sobre a campanha" , de João Miranda.

BOCAGE 1765-1805

João Gonçalves 21 Dez 05



Passam duzentos anos sobre a morte de Manuel Maria Barbosa du Bocage. Para o lembrar, dois sonetos "autobiográficos", o primeiro mais conhecido, e o segundo, uma escolha de Natália Correia na sua Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica.

Magro, de olhos azuis, carão moreno
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;


Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.


SONETO II

Lá quando em mim perder a humanidade
mais um daqueles, que não fazem falta,
verbi-gratia - o teólogo, o peralta,
algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:


Não quero funeral comunidade,
que engrole sub-venites em voz alta;
pingados gatarrões, gente de malta,
eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
sepulcro me cavar em ermo outeiro,
lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
passou vida folgada, e milagrosa:
comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

OUTRAS LEITURAS

João Gonçalves 21 Dez 05

O Paulo Gorjão tem razão. Para "desenjoar" das presidenciais, leiam-se os artigos que ele cita. Frank Furedi, aliás, repescando um bom momento de Maria Filomena Mónica, já tinha "passado" por aqui. Quanto a J.M. Coetzee, dispensa apresentações.

"CADA DIA QUE PASSA"

João Gonçalves 21 Dez 05

Ler no Margens de Erro, a análise comparativa de todas as sondagens presidenciais, incluindo uma do "Diário de Coimbra". Será, talvez, oportuno relembrar nesta altura um pequeno texto, de há cerca de um mês, publicado no Pulo do Lobo. Existem dois grandes adversários - os verdadeiros - a vencer nestas eleições: o triunfalismo e a abstenção. O primeiro, induzido pelas "sondagens", "comentadores" e outros "estudos de opinião", combate-se dizendo às pessoas que os votos não estão nem nas "sondagens", nem nos "estudos de opinião" e, muito menos, são atribuidos pelos "comentadores". A segunda, a abstenção, significa resistir ao "canto da sereia" de que "já está tudo decidido" e que, por consequência, "não vale a pena". Vale. Não nos resignemos perante evidências virtuais. Não está nada decidido para sempre. Tudo vai sendo decidido cada dia que passa.

"POT POURRI" SOARISTA

João Gonçalves 21 Dez 05

Para não sermos - eu, em particular - acusados de "parciais" nas citações de outros blogues, recomendo o "pot pourri" dos comentários dos apoiantes de Mário Soares efectuado por João Caetano Dias no Pulo do Lobo. Basta comparar.

"POÇA"

João Gonçalves 21 Dez 05

De Jorge Madeira, no Pulo do Lobo. "Nas contrariedades não fundamentais da vidinha (que é o que desejavelmente nos espera), Soares seria o Presidente da inércia e do conforto misericordioso e fraterno, Cavaco será o Presidente do labor protestante. É mais feio e dá uma biblioteca mais chata, mas tem mais hipóteses de nos vir a compôr a mesa pelos méritos e artes de cada um."

"DESCABIDO"

João Gonçalves 21 Dez 05

De Vital Moreira, no Causa Nossa. "No seu momento menos feliz do debate de ontem, Mário Soares bem poderia ter prescindido da insinuação -- que não podia consubstanciar -- relativo ao desempenho de Cavaco Silva nas reuniões dos conselhos europeus. Não lhe ficou bem, e deu ao adversário uma razão de agravo imerecido."

"OS DEBATES DE CAVACO"

João Gonçalves 21 Dez 05

De Bruno Pais, no Elba Everywhere. "Cavaco acabou com o mito de que não sabe estar em debates."
De João Pedro George, no Esplanar, citando Vasco Pulido Valente (Esta Ditosa Pátria, Lisboa, Relógio d'Água, 1997, p. 164). "Mário Soares possui a cabeça de um governador civil do Sr. Dr. Afonso Costa e não custa imaginá-lo, em 1912, declarando na farmácia da Lourinhã as suas convicções de republicano, laico e socialista. Depois de Jaurès não aprendeu nada, nem esqueceu nada. Há quase um século que não lhe entra uma ideia na cabeça, como coisa distinta das trivialidades piedosas para uso oratório, que ele adapta à variável inclinação dos tempos.Soares está velho de mais para mudar e, de resto, até quando era novo, nunca se distinguiu pela subtileza."

"O ACTO DE OUVIR"

João Gonçalves 21 Dez 05

De Bruno Alves, no Desesperada Esperança. "A única questão que, por isso, motivou alguma discussão, foi o passado de Cavaco Silva. Foi a história. O que mais uma vez, mostra como as coisas estão. Mostra que dificilmente poderá passar pelo cargo da Presidência a resolução do que quer que seja. Mas mostra também como Soares entende o exercício do cargo presidencial. Ao discutir a sua acção como Presidente durante a governação de Cavaco, Soares mostrou como entende o acto de "ouvir", como uma acção de propagação do eco do descontentamento da "rua", em protesto contra o governo. Se Soares acha que Cavaco será fonte de instabilidade, qualquer pessoa com ouvidos percebe que Soares não poderá ser outra coisa."

"NÃO HÁ INDECISÃO POSSÍVEL"

João Gonçalves 21 Dez 05

De Paulo Pinto Mascarenhas, no Acidental. "Porque é verdade também que Portugal não precisa hoje de um Presidente da República que saiba debater. Precisa é de alguém que se saiba conter e consiga convencer; que não comenta em público conversas privadas com amigos sobre o que se passou em conselhos de ministros, sejam eles europeus ou em S. Bento; que não esteja permanentemente a falar do que se passou há 20 ou 30 anos e use uma linguagem do séc. XXI, virada para o futuro. Nosso, de todos, sem filhos ou com eles."

"ARMA DE ARREMESSO"

João Gonçalves 21 Dez 05

De João Miranda, no Blasfémias. "Soares, como muito boa esquerda, usa a cultura como arma de arremesso político. Mas quem o faz não precisa de ser culto. Alguma falta de modéstia costuma ser suficiente. De resto, falta a Soares aquilo que falta a muitos que se auto-intitulam cultos. Falta-lhe cultura suficiente para perceber porque é que quem é verdadeiramente culto não precisa de se auto-intitular como tal."

"...ATÉ NA LINGUAGEM"

João Gonçalves 21 Dez 05

De Vasco Lobo Xavier, para ler no Mar Salgado. "Mário Soares foi vulgar e ofensivo como só ele sabe. Registo que, para além das constantes interrupções a que se permite (e lhe permitem), não deve ter passado despercebido às pessoas que Soares se referia sempre a Cavaco Silva como "ele". "Ele" isto, "ele" aquilo, "ele" aqueloutro, numa arrogância pessoal enorme e inqualificável que, se fosse feita por qualquer outra pessoa (ou se fosse feita por Cavaco Silva a Soares), cairia o Carmo e a Trindade."

"MODERADOR E ÁRBITRO"?

João Gonçalves 21 Dez 05

Ontem à noite caiu a máscara do "moderador e árbitro". Soares portou-se como um candidato radical, incontinente e, em muitos momentos, malcriado e raramente, ou quase nunca, como um ex-chefe de Estado e aspirante credível ao cargo. Apesar da "pose" arrogante e do olhar de permanente comiseração intelectual perante "o camponês de Boliqueime", Soares deu ao país um triste espectáculo acerca daquilo que verdadeiramente o move. Estava tão embrenhado nessa acrobacia puramente agressiva que, no minuto final, onde podia "brilhar", se perdeu ao ponto de acabar ao nível de um cartão de Boas Festas com duas pernas e dois braços. Devemos - todos devemos - a Mário Soares o combate pela liberdade, antes e depois do 25 de Abril. A sua eleição em 1986, deveu-se essencialmente a essa memória e à noção de que era, naquela altura, o homem da "moderação" e do equilíbrio numa sociedade ainda não completamente "bem resolvida" em matéria de densidade democrática e a iniciar a sua caminhada europeia. Soares fez, como também nos lembramos, dois mandatos perfeitamente distintos. No primeiro, tratou de "segurar" a reeleição e, para o efeito, de "segurar" os governos de Cavaco. No segundo, reconhecendo a impotência do seu partido para fazer frente exclusiva ao então primeiro-ministro maioritário, "conspirou" metodicamente em Belém para o remover. Até nisso não foi bem sucedido, já que Cavaco se removeu por si mesmo. No cômputo, Soares foi um bom presidente e honrou e magistratura, uma vez que as peripécias de pequena e baixa política que urdiu a partir de Belém, não contam na avaliação do "homem médio". Esta última aventura teria sido perfeitamente desnecessária não fosse a imensa vaidade do homem e a posição timorata do PS em relação às presidenciais onde teve, à vontade, uma boa meia dúzia de escolhas. Soares imaginou, a partir do Vau, que uma "onda" o esperava e que o país, comovido, ansiava pelo seu majestático regresso. Nem uma coisa nem a outra se verificaram. O eleitorado dito "moderado", que o salvou há 20 anos, ficou perfeitamente esclarecido com o debate contra Cavaco. Se já andava desconfiado, ontem fugiu-lhe de vez. Penso não andar longe da verdade ao dizer que Mário Soares entregou ontem à noite a vitória, de mão beijada e numa única "volta", a Cavaco Silva. Ninguém de boa-fé e no seu prefeito juízo reconheceu no Soares de ontem uma mísera sombra do "moderador e árbitro" que ele se imagina. Por mera caridade cristã, alguém amigo dele faça o favor de lho explicar.

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