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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DEBATE - 6

João Gonçalves 14 Dez 05

Não me parece que o debate tenha resolvido a questão "doméstica" do PS a que fundamentalmente se destinava. Soares e Alegre ficaram sensivelmente na mesma, eventualmente com uma inevitável vantagem para o ex-presidente. As "banalidades" de que Soares se queixou - e que simultaneamente debitou - não devem ter contribuido para esclarecer o eleitorado que disputa com Manuel Alegre. Aqui, o dejá vu de Soares e a sua visão enganadoramente minimalista da função presidencial - quando tem no "activo" dois mandatos perfeitamente distintos nessa matéria - não o ajudaram. E a insensatez constitucional de Alegre (a dissolução do Parlamento por causa da água), provocada pela sua notória inconsistência política, veio, de novo, à tona. Por duas ou três vezes, Soares, num revelador tropismo, chamou a Cavaco (o eterno presente-ausente) o "presidente Cavaco" e voltou a insistir na sua irritante insónia "cavaquista". Em certo sentido, este debate foi o mais reducionista porque praticamente só interessava a um determinado segmento eleitoral. Na declaração final, à semelhança do que já tinha acontecido da primeira vez, Soares socorreu-se de umas notas com os "tópicos" essenciais do que queria dizer, uma coisa que seria impensável nele há uns anos. Estes dois homens, ambos com biografias notáveis, limitaram-se a exibir, sem grande chama e sem o estrondo anunciado, as respectivas vaidades teimosas. O país, esse, seguiu seguramente em frente e para outra coisa.

CONVÉM...

João Gonçalves 14 Dez 05

... começar a prestar alguma atenção a este rapaz. É capaz de ser mais importante do que estar a olhar para o ar a ver passar aviões, reais ou imaginados.

"MADRID ME MATA"

João Gonçalves 14 Dez 05

Enquanto andamos entretidos "a brincar" às presidenciais, o governo vai apresentando as obras "do regime": a OTA, o TGV, uma refinaria. Perante a habitual plateia dos betoneiros do mesmo regime - certamente dewvidamente municiados com números de telemóveis de gente estimável do PS e do PSD -, Mário Lino e o próprio Sócrates explicaram a necessidade imperiosa do TGV para deixarmos de ser "periféricos" e entrarmos, gloriosos, na "rede europeia de transportes ferroviários". Muito bem. Não enjeito o propósito, meritório, de facto, e, sem dúvida, patriótico. Acontece que "não é por muito madrugar que amanhece mais cedo". Ou seja, não passamos a ser menos periféricos do que sempre fomos e continuaremos a ser por causa de umas linhas de comboio. A raça que vai dentro das carruagens é a mesma de sempre. E, depois, é extraordinário fazerem-se contas a cerca de sete mil e quinhentos passageiros/dia na "linha" Lisboa-Madrid. Quanto aos custos, nem vale a pena falar. Em apenas uma semana, uma "estimativa" cresceu "só" cerca de quatrocentos mil euros. A insistência em linhas insignificantes para deleite de meia dúzia de interessados e outra tanta de curiosos, também merece nota no cardápio dos betoneiros, com certeza. Enfim, "Madrid me mata".

"SOMBRAS NA LINHA DO HORIZONTE"

João Gonçalves 14 Dez 05


"No cômputo final, o seu livro está cheio de personagens, que rodeiam o protagonista em planos sucessivamente mais recuados, até se tornarem sombras na linha do horizonte. Cada um deles tem o seu papel, nenhum deles foi dispensável para a construção daquela vida a que você, com razão atribuiu (na sessão pública na livraria FNAC) uma "estrutura de tragédia".

Excerto de um "bilhete (longo) ao amigo", José Pacheco Pereira, escrito por Maria Lúcia Lepecki a propósito do 3º volume de Álvaro Cunhal, uma biografia política (O Prisioneiro)

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