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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"AFTERGLOW"

João Gonçalves 13 Dez 05

Cruzei-me com um novo cartaz da campanha do dr. M. Soares, de que se fala aqui. Diz "sempre presente", em letra grande e acrescenta, salvo erro, "nos momentos difíceis", em letras mais pequenas. Sobressai o imenso rosto do Soares de agora. Como que num limbo, o candidato contempla-nos, melancólico e distante. Tudo naquele rosto e naquele olhar desmente o "sempre presente" do texto. Lembra-me um poema maravilhoso de Borges, Afterglow:

Siempre es conmovedor el ocaso
por indigente o charro que sea,
pero más conmovedor todavía
es aquel brillo desesperado y final
que herrumbra la llanura
cuando el sol último se ha hundido.
Nos duele sostener esa luz tirante y distinta,
esa alucinación que impone al espacio
el unánime miedo a la sombra
y que cesa de golpe
cuando notamos su falsía,
como cesan los sueños
cuando sabemos que soñamos.

DEBATE - 5

João Gonçalves 13 Dez 05

Quando, há dez anos, Jerónimo de Sousa defrontou pela primeira vez Cavaco Silva num debate, ao lado de Jorge Sampaio, tinha quase a certeza de que este seria o escolhido e que ele, mais tarde ou mais cedo, acabaria por sair de cena, claudicando a favor do futuro presidente. Desta vez, Jerónimo tem muitas dúvidas de que Cavaco não venha a ser o próximo chefe do Estado, eleito numa única eleição de que ele não pretende desistir. Por isso, e ao contrário do que ele próprio anunciou, não "desblindou" Cavaco. Foi mais frouxo do que Louçã na demagogia e na revisitação fácil do tenebroso passado "cavaquista". Indirectamente, dificultou um pouco mais o caminho a Mário Soares que terá de ser ainda mais "radical" do que tem sido. Este debate teve demasiada "economia" e alguma da chamada "preocupação social", porventura por causa da presença do secretário-geral do PC. Os dois "pivots" da SIC têm sido, até agora, os mais fracos e simultaneamente os mais "alinhados" pelo "modelo" que Cavaco aprecia e que claramente o favorece. Como lhe competia, Jerónimo, candidato e líder do PC, falou mais "para trás" e Cavaco, naturalmente, falou mais "para a frente". Um "segura" votos, o outro quer "segurar" o país. Apenas isso.

UMA ALMA CARIDOSA....

João Gonçalves 13 Dez 05

...podia organizar um "debate" entre o sr. "Augusto Rodrigues da Silva, carpinteiro, de 63 anos de idade", e a mandatária "bloquista", a fantástica socióloga J. Amaral Dias. É que o argumentário de ambos equivale-se na sua exuberante "diferença". Dois "case studies" a seguir com moderação.

A PEQUENINA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

João Gonçalves 13 Dez 05

Eu nutro- sempre nutri - uma grande admiração pela dra. Maria Barroso. Respeito a sua biografia construída nos "anos de chumbo" e a posterior, ao lado do marido, mas sempre com um sentido de identidade própria. Reprovei a forma como o então ministro da Defesa, o Paulo Portas, a tratou no episódio da Cruz Vermelha. Custa-me, por isso, e a propósito da peripécia de Barcelos, vê-la a sugerir uma pequenina teoria da conspiração que, pelos termos, só serve para a diminuir desnecessariamente. De acordo com o Público, captado aqui, a dra. Maria Barroso apreciou o incidente da seguinte maneira: "são estimulados por forças que querem criar confusão e depois lançar um salvador da pátria." Que o "vale tudo" chegue a certas bandas e a certas pessoas, já esperávamos. Que a habitual discrição tranquila seja trocada pela insinuação torpe, logo vinda de quem menos se espera, é que eu acho grave e um péssimo sinal. Tanto mais quando, afinal, este senhor, "Augusto Rodrigues da Silva, carpinteiro, de 63 anos de idade", explicou a sua versão. Nada, porém, justifica um gesto inqualificável. E nada justifica, da mesma forma, uma frase profundamente infeliz, vinda especialmente de quem veio.

VICE-VERSA

João Gonçalves 13 Dez 05

O insuportável Fernando Rosas merece aqui o "elogio" do "colega" historiador. Et pour cause. Rosas e a camarada de blogue, Joana Amaral Dias, já quase tão insuportável como o primeiro, cumprem, com método e zelo, o simpático papel de "ponte" entre o dr. Louçã e o dr. Soares e vice-versa. Há momentos, aliás, em que não se percebe onde "acaba" o Bloco e começa a candidatura do dr. Soares, e vice-versa.

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