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portugal dos pequeninos

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TRINTA ANOS

João Gonçalves 25 Nov 05


Em política, como em quase tudo o mais, a memória é curtíssima. E trinta anos, à velocidade a que tudo agora acontece, é uma eternidade. Em 25 de Novembro de 1975, a coragem moral, política e física - tudo coisas "de carácter" que vão desaparecendo - de um punhado de "civis" e de "militares" evitou o pior, ou seja, uma "guerra civil" original, em versão portuguesa. Antes desse dia, no "terreno" e em constante combate, Mário Soares e o Partido Socialista (à altura, um enorme "albergue" de sinceros democratas e de curiosos oportunistas, depois revelados) fizeram o indispensável, como nunca é demais relembrar. A 25, quando a aventura militar se declarou, de mãos dadas com a extrema-esquerda e a complacência estratégica do dr. Cunhal - que se retirou no momento adequado-, emergiu um homem desconhecido, de ar duro e sombrio, com os olhos escondidos nuns permanentes óculos escuros. Liderou com sucesso o "contra-golpe" e impôs-se, de seguida, como chefe incontestado de um exército desfeito, primeiro pela guerra, depois pelas brincadeiras de 74 e 75. Ramalho Eanes foi porventura a criatura que mais poder concentrou nas suas mãos, em Portugal, depois da "revolução". Eleito presidente, em 1976, uns escassos sete meses após a sua aparição na conturbada política nacional, era igualmente CEMGFA, comandante supremo e presidente do Conselho da Revolução. Nada disso impediu, antes pelo contrário, que voltasse a disciplina à tropa e que a democracia se institucionalizasse. Apesar das hesitações e das ambiguidades, sempre respeitei Ramalho Eanes. A ele, como no plano "civil" a Mário Soares, devemos o lance de termos passado a viver a liberdade em segurança.

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