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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

TROCA-TINTAS

João Gonçalves 10 Nov 05

A demagogia e a pusilanimidade com que o PSD tratou, no Parlamento, a questão do Orçamento de Estado, merece umas breves notas. Particularmente depois de ter dado a entender que estava disponível para não o inviabilizar pelo voto. Qualquer pessoa minimamente esclarecida e de boa-fé concede que este OE não seria muito diferente de um elaborado por um ministro das Finanças social-democrata. Excluindo o aumento de impostos para os pensionistas "remediados" e a metafórica redução da despesa pública pela via de uma inexistente e desestruturada "reforma da administração pública" que apenas visa reduzir circunstancialmente a despesa, o OE do dr. Teixeira dos Santos mereceria, se não a aprovação, pelo menos a abstenção do PSD. As coisas são como são e não é por estar "lá" o PS ou PSD que a realidade muda. O PSD ainda não conseguiu, por consequência, enxergar sobretudo a "sua" realidade. "Troca-tintismos" como estes descredibilizam, até, um merceeiro. Miguel Frasquilho aceitou o "lugar do morto" de Marques Mendes para o Orçamento, algo, aliás, que ele aparece quase sempre a fazer com imenso gosto. Na sua insustentável leveza, não perceberam que, assim, ninguém os pode levar a sério.

UNIDOS

João Gonçalves 10 Nov 05

Eu, Vital Moreira, o Jumento ou o Tugir (um inteligente blogue "por" Manuel Alegre), pelo menos, temos, afinal, uma causa comum: podemos constituir uma "comissão de honra" para "unir" os clientes da Netcabo contra a sua suprema vigarice, como bem lhe chama o professor de Coimbra.

NOS LIMITES DA CIDADE

João Gonçalves 10 Nov 05

Paris em Lisboa, por Francisco José Viegas. Não passou pela cabeça dos que se excitam com "o perfume da revolta" que a maior parte das vítimas dessa violência que destrói escolas e autocarros, lojas e edifícios públicos, sejam precisamente imigrantes e cidadãos que vivem na margem desse modo de vida francês, limpo e organizado.Não sei se estão a ver o retrato, mas pode simplificar-se territórios onde a República não entra, onde a lei não entra. Sabendo-se que a pior exclusão é a que permite a miséria - a nacionais ou a estrangeiros -, convinha relembrar que nos limites de Lisboa há territórios que em breve serão assim. E que um país que não respeita os estrangeiros e os imigrantes não pode pedir-lhes que o respeitem. É o dilema da República. E das fronteiras actuais.

NÃO VALE A PENA...

João Gonçalves 10 Nov 05

...ir por aqui.

ZELIG

João Gonçalves 10 Nov 05

Com toda a legitimidade do mundo, Mário Soares está cansado de andar por aí a falar sozinho. No entanto e paradoxalmente, inventou que Cavaco Silva - agora "esfinge" depois de ter sido três dias "técnico de finanças" - "priva" (sic) os outros candidatos do uso da palavra, coisa que em Soares manifestamente não se nota. Até agora, nenhum dos outros candidatos para levar minimamente a sério, se queixou de que outrém lhe andava a cercear a palavra. Pelo contrário, parecem felizes na sua pele de candidatos presidenciais, com os seus "programas", "objectivos" e "tempos" próprios. Cada dia que passa, torna-se penosamente mais claro que é apenas Soares quem anda crispado e irritado porque não obtém nenhuma resposta. Por este andar, Soares arrisca-se a ser o Zelig desta campanha, o "homem desfocado" que aparece em todo o lado mas que já não pertence a lado nenhum.

"PASSAR AO LARGO"

João Gonçalves 10 Nov 05

"No dia de abertura do congresso ["Portugal, Que Futuro?"] pelo Presidente da República, domingo, 8 de Maio de 1994, fui com a minha mulher concretizar um programa privado aprazado já há algum tempo com o governador civil de Beja, Luís Serrano: conhecer o Pulo do Lobo, no rio Guadiana, no concelho de Mértola, uma garganta profunda e estreita cavada na rocha do leito do rio, por onde as águas se precipitam em ruidoso turbilhão e cujo nome deriva de um lobo poder aí saltar o rio de uma margem para a outra. Depois da visita, fomos à vila de Mértola. A tarde estava amena e sentámo-nos descontraidamente na esplanada de um café a saborear caracóis cozidos e a beber uma cerveja. À mesma hora, o meu Governo era o alvo de um violento discurso de Mário Soares na abertura do congresso. Resolvi deliberadamente passar ao largo do que lá se disse. Era manobra excessivamente politiqueira para eu levá-la a sério."

Aníbal Cavaco Silva, Autobiografia Política II

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