Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

UM PAÍS DE EVENTOS

João Gonçalves 3 Nov 05

O dr. Medeiros Ferreira defendeu há umas semanas, na televisão, que Portugal, à falta de melhor, devia pensar-se como um "país de eventos". O que é que MF irá dizer do "evento" sugerido por Cavaco Silva que, pelos vistos, sempre "fala"? "Os níveis de confiança em Portugal são muito baixos, o que é anormal quando dispomos de um Governo com maioria absoluta. Se não forem as eleições presidenciais a injectarem na sociedade portuguesa uma dose de confiança, então qual é o evento que o fará?"

MTV

João Gonçalves 3 Nov 05

No Acidental:

É mais ou menos a mesma coisa que fazer a cerimónia dos globos de ouro na ilha do Corvo

A entrega dos prémios MTV é oportunidade única para assistir em directo ao nosso miserabilismo de escala nacional. Do género ver a Rita Ferro Rodrigues com o braço à volta da Shakira como se a conhecesse desde miúda, ou ouvir repetida à exaustão a pergunta da praxe: Então? Gosta do nosso país? E a estrela, com ar entediado, responde para satisfação de um portugal sedento de auto-estima sim, sim acabei de sair do avião mas gostei muito do caminho do aeroporto para o hotel.

JÁ CHEGA....

João Gonçalves 3 Nov 05

... de dar o palco a Soares (que é o que ele quer). Um pouco de Cesariny, se faz favor.


O Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, foi hoje atribuído, por unanimidade, a Mário Cesariny (n. 1923). Que bem que ele está aqui ao alto com a Menez. Cesariny, at last. Mais de uma vez chamei a atenção para o ridículo que representava o facto de Cesariny nunca ter sido premiado enquanto poeta. E aos que diziam que o autor de Manual de Prestidigitação (1956) não publicara obra inédita em anos de democracia, várias vezes lembrei que isso não é verdade. Basta citar Titânia... (1977), Primavera Autónoma das Estradas (1980) e O Virgem Negra (1989). Contudo, ainda que os não tivesse publicado, e a obra continuasse sustentada pela reedição de títulos memoráveis, como Corpo Visível (1950), Pena Capital (1957), Nobilíssima Visão (1959, porém escrito em 1945-46), A Cidade Queimada (1965), etc., os prémios «de carreira» existem para consagrar o conjunto da obra, à revelia do que está a dar. Demorou, mas antes tarde que nunca. Em anos anteriores, o Prémio Vida Literária foi justamente atribuído a Torga, Saramago, Sophia, Óscar Lopes, Cardoso Pires, Eugénio de Andrade e Urbano Tavares Rodrigues. No valor de 25 mil euros, e tendo a CGD como sponsor, o prémio nada acrescenta a uma obra insubornável. Mas sabe bem. Parabéns, Mário!

PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os
olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com
fome
porque assim como assim ainda há muita gente
que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de
muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

"PENSEM NISTO"

João Gonçalves 3 Nov 05

Soares "louvou-se" num texto de Rui Ramos para a sua privada cruzada contra Cavaco. Num outro texto, Rui Ramos explica por que é que apoia Cavaco. É a vida. Pensem nisto.

AINDA A ENTREVISTA (3)...

João Gonçalves 3 Nov 05

... vista por Paulo Gorjão, "Questões de Currículo":

"Eu publiquei nove livros desde que deixei de ser Presidente da República. (...) Ouviu alguma palavra do professor Cavaco Silva sobre globalização ou a guerra do Iraque?", perguntou Mário Soares.Mais uma intervenção desastrosa da parte de Soares, com um tom de crítica pessoal e um radicalismo que me parece totalmente desadequado e desajustado.Soares parece não perceber que um dos seus principais problemas reside, precisamente, no facto de termos ouvido muitas palavras da sua parte sobre questões como a globalização ou a guerra do Iraque.Confirmam-se, uma vez mais, os receios: Soares apenas tem um caminho, i.e. a dramatização e o radicalismo. Vai valer tudo.


Adenda: Na "polémica" sobre a "justiça" que opôe o Bloguítica à Grande Loja, 1-0. Não vale a pena "bater no ceguinho".

SOARES COMO ELA O IMAGINA

João Gonçalves 3 Nov 05

Desta vez, pela "bloquista" e jovem mandatária, Joana Amaral Dias. Generosa, JAD imagina um Soares "interactivo", que "não é um vivo embalsamado", onde o seu "raio de acção e de entendimento" (sic), não é curto" como o de Cavaco. Depois, Cavaco está "sempre calado" - uma maçada - e Soares quer "esclarecimentos" e "confronto", dada a sua eminente condição "interactiva". Eu compreendo esta visão artificialmente "desassossegada" de JAD. Soares, o "porreiraço" esclarecido, rejuvenescido intelectualmente pelo que "aprendeu" em Porto Alegre e nas manifestações anti-americanas, é homem para qualquer estação. Resta saber se é o homem que convém à "estação" que se segue em Portugal. Soares, o pragmático moderado de 1985, deu lugar ao socialista utópico de 2005 que persiste em ver a sociedade portuguesa dividida entre a "esquerda" e a "direita", sendo ele o representante soberano da primeira. Elas existem, a "esquerda" e a "direita", é certo, mas não é por aí que a escolha presidencial vai ser feita. Este debate ideológico, sem qualquer tipo de credibilidade - em que as picardias populistas têm um papel fundamental, como se viu na entrevista de Soares, e se verá nas dos restantes candidatos "anti-cavaquistas" - interessa pouco aos portugueses. Soares até pode ser "interactivo" e remexido. Mas não é seguramente "deste" Soares, a verdadeira sombra de um outro, irrepetível, que o país precisa. E JAD é contraditória - ou talvez não - na sua fulgurante imaginação. Cavaco não pode ser eleito porque seria um "presidente-sombra", enquanto Soares seria um "presidente interactivo". A pensar em quem? No país ou em Sócrates? Se um é sombra, não mexe. Se o outro é interactivo, mexe demais. Preso por ter cão, preso por não ter. A famosa "tentação presidencialista", afinal, não tem exclusivos. Pela boca, na verdade, morre a "esquerda" como o peixe.

AS ENTREVISTAS...

João Gonçalves 3 Nov 05

...vistas por um "jaquinzinho" blasfemo:

A TVI está a transmitir uma série de programas sobre Cavaco Silva. Nesta altura pré-eleitoral, em que espera uma certa independência dos órgãos de comunicação social face às presidenciais, estranha-se a atitude da TVI.A série de programas sobre Cavaco Silva iniciou-se ontem, com o primeiro episódio, "Cavaco Silva visto por Mário Soares". Segue-se "Cavaco Silva por Jerónimo de Sousa", "Cavaco Silva por Francisco Anacleto Louçã" e "Cavaco Silva por Manuel Alegre". A série terminará com um episódio final que, ao que apurou o Blasfémias, terá como tema "Cavaco Silva sobre Cavaco Silva".

AINDA A ENTREVISTA (2)...

João Gonçalves 3 Nov 05

... vista no Minha Alegre Casinha:

"Aquele que não quer passar depois de ter passado, ainda ouvirá palmas, mas já não são palmas, são despedidas e não despedidas com saudades mas com ironias. As palmas são para o tempo, para que seja contente e caminhe mais rápido, para que mais depressa o leve."

Manuel Rodrigues (O Século-Dez.1938)

AINDA A ENTREVISTA....

João Gonçalves 3 Nov 05

... vista por José Pacheco Pereira:

A entrevista de Mário Soares à TVI foi muito interessante, porque revela o melhor e o pior de Soares. O melhor é a naturalidade, com os ódios à flor da pele, o movimento todo de uma pessoa sem censura, que impulsionado pelo que realmente pensa, chama a Sócrates o "anti-Guterres", trata Cavaco de ignorante e preparava-se para continuar a fazer aquilo que faz muito bem, a contar histórias. Foi pena que a entrevista terminasse no momento em que Soares ia por si dentro, pelas suas memórias, pelos seus gostos e antipatias. Soares não pode hoje ser entrevistado a correr, precisa de tempo e nele o tempo gasto, vale a pena. Não há muitos políticos assim, a falar próximo do que pensam. Expondo-se.O reverso é o que Soares pensa, a sua agressividade de castelão que vê o rendeiro comprar as terras que teve que vender porque esbanjou os seus bens, a sua superioridade cultural face aos parvenus que não sabem comer à mesa, ou distinguir Pomar de uma Menez (aqui engana-se porque Cavaco tem um belo quadro da Menez) um quase direito natural a ser superior, a mandar, a classificar o mundo, que, tenho insistido nisso, é tipicamente uma marca social. Na sua vida turbulenta e corajosa, ele ficou sempre o menino bem e mimado, que entende ter um direito natural a mandar, que trata Portugal e os portugueses como se lhe pertencessem. O drama que o atravessa nestes dias é perceber que afinal, já não são dele, são doutro. E, humanamente, responde sendo agressivo e subindo a parada e perdendo ainda mais o "ar do tempo" que já não compreende.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor