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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"CURTO"

João Gonçalves 2 Nov 05

Mário Soares concedeu a sua primeira entrevista televisiva como candidato presidencial. Na TVI, Soares deu duas razões para avançar. Uma, a que ele chamou, "conjuntural", é Cavaco Silva. A outra, dita "de fundo", é o "estado" do país e, mais pesadamente, da Europa e do mundo. Com o correr da conversa, percebeu-se perfeitamente que só a "razão conjuntural" justificou a recandidatura. Soares esgrimiu todo o argumentário habitual contra Cavaco e exibiu uma notável jactância "intelectual" contra o ex-primeiro-ministro. Lá onde Cavaco é "técnico" e só "percebe" de "finanças e de economia", Soares é o "humanista" que sabe de "história" e de "filosofia". Para mais, diz Soares, Cavaco tem uma concepção "pouco estruturada" da democracia e, a médio prazo, representará um "perigo" para o regime. Soares vem e está para nos "salvar" do "papão" que, segundo ele, é "curto" para ser Presidente da República. Esta entrevista teve o mérito de evidenciar o que infelizmente já se sabia. Soares protagoniza uma candidatura puramente negativa, sem nenhum outro rasgo ou propósito "estruturado" que não seja "abater" Cavaco Silva. Para o efeito, não se importou de aparecer como a quarta ou quinta "escolha", "imposta" por ele mesmo ao partido, como não se cansou de explicar no início da entrevista. Toda a soberba do mundo não chega para justificar o injustificável. O "tom" paternalista com que Soares falou de Cavaco Silva - e, lateralmente, de José Sócrates que "finge" aguentar - tornar-se-á cada vez mais insuportável e era bom que alguém lhe explicasse isso. Menorizar o adversário como se ele não tivesse "existência" democrática, é um sinal de intolerância jacobina que, a seu tempo, se virará contra os seus autores. Em suma, para alguém da "estatura" de Soares, tudo ali cheirou a "curto", a demasiado "curto".

UMA CACHIMBADA

João Gonçalves 2 Nov 05

Haverá alguém, com dois dedos de testa, com pachorra para "tiradas" deste género - "o cavaquismo foi, não o esqueçamos, a deriva autoritária sem precedentes, desde o 25 de Abril" - ? O prof. Rosas, cujo coração balança entre o dr. Louçã e o "amigo" Soares, persiste em viver politicamente na idade da pedra lascada. O seu pequenino conceito de "democracia" - mal amanhado depois da sua "deriva estalinista-maoísta" -, vive desta fantasmagoria demagógica que desconhece o que é o exercício da autoridade democrática do Estado. Por isso existem pessoas, como Rosas, que surpreendem "fascismo" em todo o lado. Cada cachimbada, um "fascista".

LETRA MORTA

João Gonçalves 2 Nov 05

Ao contrário de alguns "colegas" da Grande Loja, eu não gosto de falar de assuntos de justiça. A imprensa adora, sobretudo para falar do que não sabe. E, de dentro da justiça, brotam informações e contra-informações que, se para alguma coisa servem, é para denegrir ainda mais a imagem da sua eficácia e da sua eficiência. Na ânsia de "criar" factos políticos- até para isso é preciso habilidade -, lança-se, numa estranha conivência "interdisciplinar", lama para a ventoínha. A divulgação pública da realização de uma investigação onde, por exemplo, se incluiu a busca a casa de uma pessoa para encontrar um tabuleiro de xadrez, é, no mínimo, grotesca. O que já tinha acontecido uns dias atrás com a chamada "operação Furacão", é apenas mais do mesmo. A política faz-se "dentro" da política. Não adianta tentar escrevê-la nas entrelinhas de um mandado de busca ou de um despacho judicial. Mais tarde ou mais cedo, é letra morta.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 2 Nov 05

No Da Literatura, Os Bastidores. Feitas as contas, a "comissão" de Soares só tem mais 1,2% de "intelectuais" do que a de Cavaco. E, de facto, quaisquer dez criaturas chegavam e sobravam nas "comissões" para estas não parecerem acampamentos da antiga FNAT. E o "político profissional" , do Paulo Gorjão.

DIA SIM, DIA NÃO

João Gonçalves 2 Nov 05

Numa entrevista publicada no Jornal de Negócios, o secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, promete um "doce" aos funcionários públicos mais provectos. Como a idade da reforma foi aumentada para os sessenta e cinco anos, os maiores de sessenta passam a ter direito a mais tempo de férias, como que para "amortizar" o frete. Trabalhar para o Estado é como celebrar um "contrato de adesão", daqueles que nos permitem ter acesso à água ou à electricidade em casa. Como não se pode deixar de tomar banho ou de ter frigorífico, as entidades que fornecem o bem manipulam o "contrato" as vezes que querem e como querem, sabendo de antemão que o consumidor/cliente não foge. Ainda por cima -como o Estado para com os seus funcionários -, têm o monopólio do fornecimento do produto. Não há por onde escapar. Figueiredo também promete para 2007 a celebração de contratos individuais de trabalho para quem quiser "entrar" no Estado. Será que esses contratos também vão incluir aquelas cláusulas em letra ínfima que ninguém lê e onde, afinal, está escondido o essencial? Em suma, o direito, no Estado, aquele que se refere às relações dele - Estado - como os seus servidores, anda instável e incerto. Quem aprendeu direito, sabe que uma das suas características é a certeza e outra a segurança. Figueiredo vem dizer-nos que isso acabou. Eu, como um quase anarquista liberal, não discordo em absoluto disto. Acontece que eu não governo e posso dar-me ao luxo do desalinho na minha (in)coerência. Mas, que diria Figueiredo, se os funcionários fizessem como ele, e dia sim, dia não, decidissem não cumprir a sua parte do contrato ou arranjassem uma fórmula imaginativa, sobretudo os mais idosos, de reagir aos intermitentes "estados de alma" do Estado?

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