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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

VALE A PENA

João Gonçalves 27 Out 05

Cavaco Silva vai levar muita "pancada" por causa deste "manifesto". "Neste país em diminutivo", ousar não ser nem um "presidente-banana", nem um "presidente-ornamento", e propôr-se, pelo contrário, ser um "agente de desenvolvimento" e um "presidente-cooperante", é praticamente incompreensível para a ortodoxia vigente, sempre atenta ao menor desvio ao jargão. É, no entanto, um combate que vale a pena.

UM MOMENTO

João Gonçalves 27 Out 05

No dia da greve dos juízes, a sra. D. Fátima Felgueiras tomou posse. É uma mera coincidência, naturalmente. O sentimento e o respeito que a autarca nutre pela administração da justiça em Portugal é bem conhecido, aqui e no Brasil. Por isso, ela é apenas mais um "modelo" a seguir com atenção. Para já, tratou-se de um momento - mais um - de rara beleza na nossa vida democrática.

MÍSIA E ARDANT

João Gonçalves 27 Out 05

Mísia apresenta a sua mais recente produção discográfica - Drama Box - no palco da Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II. "Primero hay que saber sufrir, después amar, después partir y al fin andar sin pensamiento..." Lisboa, Paris ou Buenos Aires e autores como Vasco Graça Moura, Natália Correia ou Astor Piazolla. Esta noite, com a participação especial de Fanny Ardant que lerá o poema de Vasco Graça Moura Fogo Preso.

Quando se ateia em nós um fogo preso,
O corpo a corpo em que ele vai girando
Faz o meu corpo arder no teu aceso
E nos calcina e assim nos vai matando
Essa luz repentina até perder alento,
E então é quando
A sombra se ilumina,
E é tudo esquecimento, tão violento e brando.
Sacode a luz o nosso ser surpreso
E devastados nós vamos a seu mando,
Nessa prisão o mundo perde o peso
E em fogo preso à noite as chamas vão pairando
E vão-se libertando
Fogo e contentamento,
A revoar num bando
De beijos tão sem tento
Que não sabemos quando
São fogo, ou água, ou vento
A revoar num bando
De beijos tão sem tento,
Que perdem o comando
Do próprio esquecimento

LER

João Gonçalves 27 Out 05

Francisco José Viegas, no Jornal de Notícias: "O Sebastianismo". A dramatização, a invocação permanente da ameaça do fascismo, a má-fé contra Cavaco e a sua demonização, as acusações de "saudosistas de Salazar", são argumentos de sociedade recreativa e não merecem ser usados por alguém com a sua biografia [de Mário Soares].

A "BOUTADE"...

João Gonçalves 27 Out 05

... bem escrita, com a ironia habitual do Almocreve ("Já tomou o seu Cavaco hoje!?"), e que também pode ser lida noutro sentido, no da "brigada anti-cavaquista". Eu que o diga.

A PERGUNTA

João Gonçalves 27 Out 05

... do dia.

PORQUE NÃO?

João Gonçalves 27 Out 05

O Rui Costa Pinto - que também faz parte da qualificada "brigada anti-cavaquista" - acha que os portugueses não desejam verdadeiramente ver Cavaco em Belém. Até porque devem estar lembrados, diz ele, da "pesada herança" dos dez anos de "cavaquismo", o suficiente para qualquer forma de vida inteligente fugir dele. Na opinião de Costa Pinto, Sócrates, o governo e o "assalto ao aparelho do Estado" são os maiores responsáveis por esta eventual ignomínia insinuada nas sondagens. A solução passa por Sócrates assumir "uma governação credível", única hipótese de "eleição de um candidato à esquerda". Com o devido respeito, Costa Pinto não tem razão nenhuma. Começo pelo fim. Quem for eleito PR, desta vez não o será por estar mais torto para a "esquerda" ou mais torcido para a "direita". E muito menos por se reclamar de "esquerda" ou de "direita". O eleitorado sabe perfeitamente de onde todos procedem e avalia quem é que, neste momento, tem melhores condições para protagonizar, com credibilidade e autoridade, a chefia do Estado. Acabaram definitivamente os "fantasmas", mas o "vale tudo" vai andar por aí. Por outro lado, Costa Pinto também não tem razão ao ligar a eleição presidencial ao desempenho do governo. Apesar de tudo, Mário Soares "vale" mais - ou "valerá" menos - do que a simplificadora ligação umbilical ao PS e ao governo. Os resultados que alcançar, serão dele, em exclusivo, e uma sua eventual derrota não prejudica, um milímetro sequer, o eng.º Sócrates. Julgo, aliás, que grande parte daqueles que estão predispostos a votar em Cavaco Silva, acha razoavelmente "credível" o "estilo" do primeiro-ministro e aceita, no essencial, o que está a ser feito em sectores como a Educação, a Justiça ou a Defesa. Finalmente, os "dez anos de cavaquismo" foram julgados em eleições adequadas, em 1995. Mesmo assim, uns meses depois, Cavaco "conseguiu", num escrutínio previamente condenado ao fracasso, 46% contra Sampaio e, como disse M. Soares na altura, com mais algum tempo "ainda ganhava". De facto, eu compreendo as dúvidas de Costa Pinto e de outros respeitáveis membros da "brigada". É que lhes é cada vez mais penoso responder, com um módico de lucidez e de respeito pela "realidade", a esta pergunta trivial: por que é que Cavaco Silva não pode ser eleito livremente Presidente da República? Só porque não?

O "PATHOS" DO PASSADO

João Gonçalves 27 Out 05

"De repente pensei que a Joana Amaral Dias pode estar para a candidatura de Mário Soares, como este esteve, como mandatário da juventude, para a candidatura de Norton de Matos." Será que Medeiros Ferreira, numa notável antecipação estratégica, já antevê uma candidatura presidencial de J. Amaral Dias, digamos, para 2050? E Norton de Matos, essa veneranda figura, como "estava" e como ficou em meados do século passado? O general Norton de Matos apresentou-se oficialmente às eleições para a Presidência da República, em Julho de 1948, após algumas hesitações, já que a sua candidatura demorou a criar consenso. António Sérgio apostava no general Costa Ferreira, que tinha sido ministro da Instrução de Setembro a Dezembro de 1929, e outros preferiam Mário de Azevedo Gomes, um dos patriarcas da oposição ao salazarismo e membro do directório Democrato Social. Manuel Serras e a antiga estrutura do Partido Republicano Português eram da opinião que a Oposição não devia apresentar um candidato às eleições. A campanha eleitoral começou a 3 de Janeiro de 1949, e as eleições realizaram-se em 13 de Fevereiro, tendo o general Carmona sido reeleito e Norton de Matos desistido no dia anterior.


Adenda: No final da inauguração da sede de campanha do dr. Soares, a mandatária Amaral Dias, num arrebatamento feito de nostalgia "anti-fascista" e de "bloquismo" primitivo, avisou que "daqui partimos da resistência para a luta". Em que mundo e em que tempo viverá a ilustre mandatária?

CAVACO REVISITADO

João Gonçalves 27 Out 05

O Kapa "recuperou" a entrevista realizada por Vasco Pulido Valente a Cavaco Silva, em Setembro de 1991, nas vésperas da segunda maioria absoluta, para a revista Kapa. Entre outras coisas, lá vem o que, pelos vistos, o agora candidato continua a pensar sobre os famigerados "poderes presidenciais" e que tanto preocupa os "guardiões do templo". Para reler, na íntegra.

K: Não o incomoda a condescendência da burguesia portuguesa consigo?
Sei o que a burguesia portuguesa pensa de mim. Não venho da «cultura de cocktail», como toda a gente sabe. Depois da Figueira da Foz, percebi que tinha entrado, de uma forma inesperada e radical, num novo universo e que, se não me adaptasse depressa e não surpreendesse, era crucificado.

K: Gosta da burguesia portuguesa?
Respeito as diferenças; respeito o direito à diferença.

K: Gosta ou não gosta?
Depende das pessoas. De algumas gosto.

K: E os ares de superioridade dos «intelectuais>,? Não o afectam?
Alguns julgam-se uma vanguarda esclarecida. O pior, para eles, é que se enganaram.

K: Em quê?
Fizeram, por exemplo, previsões catastróficas sobre o que ia suceder ao País e a mim, pessoalmente.

K: E as insinuações sobre a sua cultura?
Sou especialista de determinados assuntos, não sou de outros: e não pretendo fingir que sou aquilo que não sou.

K: E não se irrita?
Não. Acho algumas dessas pessoas bastante azedas e um bocado frustradas. Mas não me irrito. Continuo a minha vida com toda a normalidade.

K:Onde está a Direita e onde está a Esquerda em Portugal?
Foram desaparecendo... foram desaparecendo. Hoje é difícil identificar claramente uma Esquerda e uma Direita em Portugal. As transformações do mundo arrasaram as barreiras ideológicas. E em Portugal, desculpe que lhe diga, também contribuí um pouco para isso. O eleitorado tornou-se fluido e move-se com uma facilidade inconcebível há meia dúzia de anos. Quem imaginava que milhares de eleitores comunistas pudessem vir a votar em mim, ao mesmo tempo que milhares de eleitores do CDS?

Sempre que o Presidente da República, seja ele quem for, membro do partido do poder ou chefe do partido da oposição, interferir nas competências do governo cria inevitavelmente instabilidade no País. O Presidente deve ficar confinado às suas funções. Cabe ao governo conduzir a política geral do País. O Presidente não dispõe dos instrumentos necessários para o fazer e, se o fizer, fá-Io-à por força pela negativa...

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