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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

NO FIO DA NAVALHA

João Gonçalves 25 Out 05

... de Medina Carreira, para ler na Grande Loja.

LER...

João Gonçalves 25 Out 05

... no Mau Tempo no Canil, "Esquecimento" , "Mandatário" e "Político Profissional".

A RAZÃO...

João Gonçalves 25 Out 05

... de um "blasfemo":
Razões para votar Cavaco
O fim do unanimismo à volta da figura do Presidente da República.

O "MANIFESTO"

João Gonçalves 25 Out 05

Ninguém - aliás, muito legitimamente - liga a "manifestos". Nem ao do dr. Soares nem aos que se lhe seguirão. O que interessa é a "deixa", o "ambiente" e a frivolidade narrada nos "directos". Nada mais. Estas, aliás, serão umas eleições inteiramente decididas nas televisões e nos jornais. Se o candidato ultrapassar o limiar da trivialidade e do lugar-comum, corre o risco de ser delicadamente insultado pelo consenso "mole" do "regime", sublimemente representado pelos "comentadores" e pelos "guardiões da legalidade". Por isso Soares quer apenas que durmamos "descansados", em "concórdia nacional", porém em alerta contra aquilo que chamou o "messianismo revanchista", o termo mais brando que arranjou para "saudar" Cavaco Silva. De resto, garantiu-nos a famosa "magistratura de influência" - sem esclarecer qual o "modelo" que preferia, se o do seu primeiro mandato, se o do segundo ou se o do torpor "sampaísta" - e a falácia do "moderador e árbitro" que, com tanto sucesso, arremessou contra Cavaco nos anos 90. Não houve novidades neste "manifesto". Foi um ersatz do discurso de Agosto, sem rasgos particulares. Onde Soares esteve bem, como era esperável, foi nas respostas aos jornalistas, uma vez liberto do jargão escrito. É "à solta" - e não espartilhado pela mesquinhez retórica - que Soares é sempre maior do que ele próprio. De qualquer maneira, sente-se que, desta vez, Soares não arrebata. E aquela gente que teima em aparecer à sua volta, muito menos. Soares não consegue explicar por que é que a sua candidatura é "necessária", nem tão-pouco qual a "mais-valia" que dela se pode retirar. O embaraço com que os dirigentes nacionais andam pelo país "socialista" a catequizar os militantes, é a prova disso mesmo. Há 20 anos nada disso era preciso. A coisa "andava" por si. Era, digamos, "natural". Agora não é.

O "AMADOR" E O "PROFISSIONAL"

João Gonçalves 25 Out 05

Eu também começo por uma "declaração de interesses". É conhecido - pelo menos de quem lê este blogue - o meu apoio à candidatura de Cavaco Silva. Cavaco avançou sob o lema da não resignação. Medeiros Ferreira "pega" nesta ideia e procura contrariá-la através daquilo a que chama uma "longa resignação". Este artigo insere-se no plano geral do núcleo "intelectual" da candidatura de Mário Soares, destinado a subalternizar e a menorizar o "trajecto" de Cavaco Silva perante o "gigantismo" da biografia política de M. Soares. Aliás, a síndrome do passado, designadamente a "anti-fascista", será amiúde arremessada a torto e a direito. Duvido, no entanto, da sua utilidade para o que importa ao eleitorado de 2005/2006. Este "tom" de superioridade moral e política sobre qualquer outra candidatura - e não apenas a de Cavaco Silva - é, a meu ver, o ponto mais desagradável nas "vistas" de alguns dos apoiantes mais qualificados de M. Soares. O que os conduz a exercícios menos probos, por exemplo, quando se levantam questões que nunca se colocaram, como a de Cavaco poder ter sido candidato presidencial em 1991 e 2001. E se Cavaco é catalogado, com soberba e desdém por M. Ferreira, como um "político amador" (Cavaco disse que não era um "político profissional", mas está longe de ser um "amador" ou um ingénuo), por que diabo "perde" ele tempo num artigo de jornal com esse "amador" em vez de defender, como lhe compete, o seu "profissional"?


Adenda (das onze da noite): O dr. Medeiros Ferreira encara a recandidatura do dr. Soares como um brinquedo novo há muito prometido. Cada gesto, mesmo que previsível, é "novo". Por isso, gostou de ver os mandatários, o dr. Vieira de Almeida, e a colega de blogue, Joana Amaral Dias, "serenos nas suas convicções". O primeiro estava tão sereno que nunca chegou a abrir a boca, nem para as televisões. A segunda, ouvi-a murmurar umas vacuidades sobre um dr. Soares que, ao contrário de MF, ela acabou de conhecer. "Convicções"? Mas diz mais MF. "Ainda não será desta que o regime democrático ficará à mercê dos indiferentes e dos seus inimigos", afiança. Mas, meu caro amigo, com tantos candidatos presidenciais -só o PS tem dois - e ainda com a eventual emergência de um "Pintasilgo de direita", "encavalitado" no seu estimulante candidato, acha mesmo que existe "indiferença"?

QUEM MANDA -2

João Gonçalves 25 Out 05

Os agricultores "betinhos" também vêm ao assalto das ruas de Lisboa, aparentemente para pedir a "cabeça" do ministro Jaime Silva. Não percebem que o seu "mundo" - harmonioso, florido e marialva - desapareceu há muito por força das circunstâncias e de Bruxelas. A seca, uma realidade, não é tudo. O "mal" vem de trás e o Portugal que vagueia nas cabeças dos "agricultores" está bem morto e enterrado. Não vale a pena exbir cadáveres adiados pelas ruas.

QUEM MANDA

João Gonçalves 25 Out 05

A "justiça", de quem Fátima Felgueiras escarneceu e fugiu, a "justiça" que investiga grandes contribuintes que a desafiam publicamente pela sua "incompetência", a "justiça" que se atrasa na definição da situação jurídica dos remediados, a "justiça" que persegue o trivial, enfim, este vasto mundo a que, tantas vezes por equívoco toponímico chamamos "justiça", entra em greve. Começa pelo Ministério Público, abrange os funcionários judiciais, a PJ, "técnicos" e chega aos verdadeiros administradores da dita, os juízes. Têm direito? Não tenho a certeza. São supostos servir a comunidade, uns como órgãos de soberania e seus auxiliares, outros por defenderem os desvalidos, como manda o seu estatuto, outros ainda porque perseguem para debelar o crime? Não tenho dúvida. O governo é, a partir de hoje, desafiado no cerne da sua autoridade por grupos sócio-profissionais que servem justamente para a garantir. O que a estes falta em legitimidade democrática, sobra ao poder político em autoridade democrática, sufragada devidamente em eleições. Vacilar, neste momento, seria fatal para o governo. Há alturas na vida pública, sobretudo na democrática, em que a opinião pública gosta de saber quem efectivamente manda. Esta é uma delas.


Adenda: Complementar com este post do Jorge Ferreira.

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