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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"BLASÉ"

João Gonçalves 23 Out 05

Ainda não consegui ler - deficiência minha, seguramente - um único post escrito pela mandatária "BE" do dr. M. Soares para a juventude, a socióloga Joana Amaral Dias, em que ela fizesse o favor de nos dizer por que é que apoia Soares e por que é o devemos preferir a qualquer outro. Vejo-a, sim, ao contrário dos colegas de blogue Medeiros Ferreira e Bettencourt Resendes, a escrevinhar ou a copiar baboseiras e graçolas tipicamente "bloquistas" contra Cavaco Silva. É de esperar que assistamos nas próximas semanas ao destilar do tradicional ódio de classe a Cavaco, misturado com a sobranceria "intelectual" típica dos urbano-depressivos e de algumas luminárias plumitivas. Tudo servirá ao vómito - a família, as origens, os apoiantes - e pouca coisa honrará a política. À dra. Joana, por seu lado, ficaria melhor tratar da sua própria intendência e evitar que a candidatura que apoia seja mais "negativa" do que já é. Tem idade e juízo suficientes para isso.

Adenda: Outro exemplo do aqui digo, vem do blogue de Luís Grave Rodrigues, o Random Precision, que eu costumo seguir com alguma atenção. Depois de uma (legítima) crítica "política" ao candidato Cavaco Silva, o autor termina o post com esta desnecessária "pérola" alarve, referindo-se àquele nestes termos: "manequim de Boliqueime, babado de bolo-rei pelos cantos da boca...". Tudo indica que os "índices" de civilidade da blogosfera, mesmo da que, em princípio, se poderia considerar intelectualmente séria, irão descer abruptamente nos próximos tempos, raiando mesmo a sarjeta. E o pior ainda está para vir.

FERNANDA BOTELHO

João Gonçalves 23 Out 05

No Da Literatura, João Paulo Sousa lembra Fernanda Botelho, "vista" num documentário televisivo. Trata-se de uma escritora - deveria dizer escritor? - cuja discrição não nos deve fazer esquecer a sua obra, parece que por aí reeditada com umas "capas" de gosto duvidoso. Durante anos, Fernanda Botelho morou perto de mim e retenho a imagem dessa mulher elegante, passeando com um pequeno cesto de vime no braço, que usava para as compras, e cuja "obra não é extensa, mas intensa, livre na forma e nos temas".

A CULPA NÃO É DELE

João Gonçalves 23 Out 05

O secretário geral do PS, exactamente nesta qualidade, vai andar - já andou - pelas secções e pelas federações do partido "a vender" o dr. Mário Soares às bases, na perspectiva de amortecer previsíveis defecções para Manuel Alegre. Tem, e porque já o repetiu, um argumentário curto e curioso. Soares já foi presidente, "em bom", Soares é "útil para o país" e Soares tem "prestígio internacional" pelo que, supôe-se, "vende-nos" melhor lá fora do que os seus putativos concorrentes. Medeiros Ferreira, que partilha o candidato com Sócrates, já pensa de outra maneira. Se atentarmos ao que escreveu sobre o apoio de Ramalho Eanes a Cavaco Silva, temos de concluir que Soares "devia manter-se neutral, porque a República precisa de reservas sérias", arriscando-se "a ficar subalternizado por subalternos". Voltando à visão "soarista" do primeiro-ministro, apenas uns vagos comentários. Soares foi, de facto, presidente, mas com dois mandatos politicamente distintos, como, aliás, os de Eanes. Se lhe "saísse" o Soares do segundo mandato, será que Sócrates continuava a achá-lo "útil" para o país? Quanto ao "prestígio internacional", Soares já tinha algum antes de ser presidente e, por exemplo, Sampaio não tinha nenhum antes de lá chegar. Por esta ordem de ideias, só ex-presidentes poderiam suceder a presidentes, o que nos esgotaria, rapidamente e por exaustão, as tais "reservas sérias" a que alude M. Ferreira, provavelmente já a pensar nos setenta e tal anos de Sampaio e nos oitenta e tal de Eanes. Sócrates tem, de facto, um problema. Desconhece o "efeito" Alegre e, mais preocupante do que esse, conhece o não-efeito Soares. Sócrates pressente - e bem - que o partido não está excitado com Soares e que, desta vez, não vale a pena "teatralizar" excessivamente a coisa. Estes "elogios" ao candidato - perfeitinhos, triviais e muito enxutos - são a consequência deste pathos e um gesto de inteligência política do primeiro-ministro. Sócrates cede a "logística" mas quer deixar tudo nas mãos de Soares. Para o efeito, recorda-lhe todos os dias o "prestígio" que ele tem. Se falhar, a culpa não é dele.

O DIA BANANA

João Gonçalves 23 Out 05

O domingo é um dia particularmente angustiante na época "outono/inverno". O sol eventual não chega para aquecer e o mar começa a ter de ser visto à distância. Para quem não cultiva "a família", como eu, ou para quem a vida e as circunstâncias o foram tornando cada vez mais misantropo, o domingo é o verdadeiro dia banana da semana. Devem evitar-se prudentemente desportistas furtivos, pessoas em fato-de-treino, as ruas, os jardins, os centros comerciais e os restaurantes. Tento, por isso, ler e escrever mais. E leio, em abundância, misantropos como eu, como, por exemplo, Philip Roth. Este livro - The Plot Against America - parece que vai aparecer entre nós em Novembro. Entretanto, na Feira de Frankfurt, já foi apresentado o novo, a sair em Maio do próximo ano, Everyman. Pelo que percebo, trata-se, na "linha escatológica" de A Mancha Humana, de uma obra sobre o "arrependimento e a perda". Fugir à angústia do dia banana só com uma "angústia maior do que a vida", como aquela que se encontra na subtileza desencantada e ironista dos livros de Roth.

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