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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

CUMPRIR A PALAVRA

João Gonçalves 22 Out 05

Em Fevereiro, quando votámos - eu votei - no Partido Socialista, aceitámos por boas as propostas de Sócrates, independentemente do patriótico dever de remover Santana Lopes. Por outro lado, também achámos - eu achei - que uma maioria absoluta, para "fazer o que devia ser feito", também seria recomendável. Acontece que, nalgumas matérias, a "maioria" não acerta decididamente o passo. A campanha - Sócrates - prometeu um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez para a nova legislatura. Como se não houvesse nada de mais premente para resolver, o PS decidiu avançar com uma proposta de referendo logo no Verão, o que Sampaio rejeitou. Depois, tentou de novo a sorte na abertura do parlamento em Setembro- contando com a "abertura", desta vez, de Sampaio e de Jaime Gama -, o que gerou um imbróglio jurídico que, pelos vistos, o Tribunal Constitucional vai decidir "contra" os referidos PS, Sampaio e Jaime Gama. Não contente com esta sublime trapalhada - na qual o líder parlamentar socialista tem tido um papel inesquecível -, o PS prepara-se agora para "dar o dito por não dito", esquecendo a "promessa" do referendo, para aprovar na Assembleia o que jurou colocar à consideração da cidadania. Se isto avançar, Sócrates presta um mau serviço a si próprio e à sua credibilidade enquanto dirigente político. Este assunto não é tratável administrativamente, nas secretarias político-partidárias, apesar do conformismo embaraçado de Jorge Sampaio. Aliás, foi Socrátes quem, com toda a clareza, sempre disse que só o mesmo método - o referendo - poderia ser utilizado para decidir, de novo, o problema. Ninguém tem culpa, a não ser o PS, da forma errática e incompetente como a questão tem vindo a ser tratada, desde as eleições, a benefício de uma inexplicável "pressa". Tenho Sócrates por um homem de palavra. Espero, por isso, que a cumpra.

PÁSSAROS

João Gonçalves 22 Out 05



A notícia de hoje é a morte de um pobre papagaio em Inglaterra. O bicho estava de quarentena desde que chegou, vindo do Suriname, num lote de mais de uma centena, também proveniente de Taiwan. Na Croácia, foram descobertos doze cisnes vitimados aparentemente pelo famoso vírus, o que levou a Comissão do dr. Barroso a embargar a importação de "aves de capoeira" croatas. Aos poucos, vai-se instalando um pequeno e surdo pânico que é o pior que pode acontecer. Por cá, as "autoridades" descansam os indígenas com um argumentário "light" para esconder a habitual miséria e o endémico "logo se vê". Não faço ideia se vem aí alguma ameaça séria ou se tudo não passa de uma contingência controlável. O que parece, isso sim, cá e lá fora, é que pouca gente tem uma ideia clara sobre o que se pode efectivamente passar. Só podemos, por isso, desejar que o pesadelo metafórico de Hitchcock não se transforme, nem na imaginação, nem "no terreno", numa realidade.

LIXO

João Gonçalves 22 Out 05

Outra "zona de intervenção" para as eleições presidenciais são os blogues. Para infantilizar um pouco mais a recandidatura de Mário Soares, alguns apoiantes criaram uma coisa chamada "super-Mário", onde, a avaliar pelos primeiros posts, convivem pessoas sérias com vulgares engraçadinhos, estes mais apostados em promover, pela negativa, os "adversários" e o "inimigo". Depois, existe esta abstrusidade, em boa hora denunciada por Paulo Pinto Mascarenhas, e que o blogue da mandatária juvenil de Soares, não por acaso, rapidamente "divulgou". A blogosfera é um espaço de liberdade, e, como tal, aproveitável para tudo. Julgo que os blogues mais "crescidinhos" e não anónimos exprimem suficientemente as suas posições para que seja necessário "criar" ficções de "apoio" a quem quer que seja. É preferível, a bem da sanidade cívica, que nos mantenhamos assim. A "debater" uns com os outros e a deitar o lixo fora.

CHEGA E SOBRA

João Gonçalves 22 Out 05

O Paulo Gorjão reflectiu - bem - sobre a realização de "debates" televisivos nesta campanha presidencial, lembrando posições recentes sobre a matéria de alguns protagonistas políticos. Mário Soares, por exemplo, até com o porteiro do prédio dele aceitaria um debate se visse nisso alguma vantagem. Acontece que, nesta altura do campeonato, não existe nenhum motivo "objectivo" para distinguir quem deve debater com quem. A eventual formação de "duetos" não faria qualquer sentido, a menos que se realizassem tantos debates quantos os "duetos" possíveis, o que seria insensato, desmesurado e inútil. Assim, o que parece realista é a haver um único debate entre todos os candidatos, em "sinal aberto". Chega e sobra.

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