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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A FALHA

João Gonçalves 19 Out 05

Outra eterna promessa da "esquerda" portuguesa, Ivan Nunes, brinda-nos com uma prosa justificativa do seu apoio a Soares. Começa por, delicadamente, me considerar um "blogue de direita", num daqueles típicos juízos apressados de quem se acha - por ser de "esquerda" - subtil. Ainda mal deu os primeiros passos na recente conversão "soarista", e já Ivan aprendeu a cartilha da superioridade "moral"... Depois, explica por que é que no passado foi um crítico feroz de Soares - pelo menos uma vez em "letra de forma", num jornal -, ao ponto de o considerar "titubeante", uma coisa que não lembraria a ninguém dizer de Soares. Na altura, não gostava da ideia de que ele possuia um "estatuto de quase impunidade, uma condição de pai-da-pátria, dono-da-república, que quase o punha acima de qualquer crítica". "Esse estatuto era pernicioso", diz o Ivan, "era doentio - e, no entanto, quem não se lembrar dele não pode hoje imaginá-lo, olhando para a imprensa portuguesa dos dias que correm." E conclui melancolicamente que "bastantes soaristas de então estão hoje na primeira fila do cavaquismo." Aqui Ivan Nunes devia interrogar-se por que é assim. Com toda a consideração e estima, eu lembro-lhe que Soares se "lançou" precisamente por achar que é o "pai-da-pátria" e o "dono-da-república" e que goza, por isso mesmo, de um "estatuto de quase impunidade" que, entre outras coisas, lhe permite dizer tudo. Reconheço que no seu gesto, para além da vaidade pessoal, existe um espírito de combate e uma "vertigem de risco" notáveis que devem ser aplaudidos. Agora impôr esta teima a um partido, ficando ambos - o partido e o candidato - reféns um do outro, isso já é uma novidade desagradável. Soares foi duas vezes um brioso chefe de Estado e custa-me, como custa certamente a tantos "soaristas" repartidos por outras candidaturas, vê-lo metido nesta aventura reducionista. Basta ver a "comissão política", onde Ivan Nunes se senta, para perceber a falha.

DÚVIDA

João Gonçalves 19 Out 05

Em cada post sibilino que destila sobre o governo e José Sócrates, Medeiros Ferreira não consegue esconder o que pensa verdadeiramente destes dois. Será que, na comissão política da candidatura de M. Soares a que pertence, e onde se senta o partido "oficial" com o "partido" esquerdino, também se pensa assim? Ou trata-se de uma "manobra de diversão" para nós pensarmos que M. Soares é "nacional" e, porque é "nacional", é "bom" como a bolacha?

LER

João Gonçalves 19 Out 05

No Mar Salgado, "Tempo Perdido".

O PRIMEIRO

João Gonçalves 19 Out 05

O ministro das Finanças deu uma entrevista à SIC Notícias. Além de "técnico" - parece que bom -, Teixeira dos Santos é fundamentalmente um agente político e manifesta a devida consciência disso. Foi - e é essa - a sua vantagem em relação a Campos e Cunha, cuja "gramática da demissão" jamais será explicada. À semelhança de Bagão Félix, também Teixeira dos Santos tem andado a explicar "politicamente" o seu orçamento, contando com a ajuda do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que parece falar de um sistema fiscal "ideal", digamos, do tipo do Chile moderno, e não da realidade que tutela. Quanto aos benefícios fiscais, por exemplo, deve perguntar-se se o influente "parque bancário" não terá ficado satisfeito e se, pelo contrário, os pensionistas remediados não terão razões para desconfiar do primeiro orçamento socialista. E, depois, os impostos - indirectos, sobre o consumo - aumentam, de facto. O automóvel andará menos e com mais gasolina em 2006. Houve, no entanto, um detalhe curioso na entrevista de Teixeira dos Santos. Ao arrepio do que José Sócrates tem andado a dizer - mal -, este ministro admite - e bem - introduzir portagens nalgumas SCUTS. Não é a primeira vez que Sócrates e os seus ministros das Finanças não acertam completamente o passo. Aparentemente este ministro dispôe de uma força política - e político-partidária, sobretudo - que escapava por inteiro a Campos e Cunha. Se ele falou nas SCUTS, não o fez inocentemente, nem deve estar à espera que não se solidarizem com ele. As autarquias, as regiões autónomas, mesmo as afectas ao PS, torceram-se todas com este Orçamento. Esta amável sugestão de Teixeira dos Santos sobre as portagens não deve agradar a muito nababo local. A seu tempo, alguém quebrará. Resta saber quem será o primeiro.

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