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portugal dos pequeninos

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MELHORES TEMPOS

João Gonçalves 18 Out 05



David Hockney, Pool with two figures

COM QUEM...

João Gonçalves 18 Out 05

... eles não estão.

SE...

João Gonçalves 18 Out 05

... eu sou mau, o que será este insuspeito olhar crítico?

DE QUEM?

João Gonçalves 18 Out 05

O meu amigo Medeiros Ferreira está incomodado pelo facto de as televisões terem trocado a primeira reunião da comissão política do candidato Mário Soares por galinhas assustadas com a gripe. Também achou que não foi dada a devida nota às declarações de Severiano Teixeira, "jovem professsor universitário", nas suas palavras, e porta-voz do candidato. Eu ouvi o "jovem" porta-voz e ele comportou-se à altura da sua habitual irrelevância. Aliás, a sua simpática "brancura" podia fazer dele, com facilidade, porta-voz de uma outra candidatura qualquer. Não faz qualquer diferença. M. Ferreira recorda - muito se "recorda" nestes meios -, a propósito do "manifesto eleitoral" de Soares, um outro, de 1965, sobre a auto-determinação da colónias, o que seguramente não passará despercebido ao eleitorado de 2006. Acontece que o "problema", a haver algum, não é da comunicação social. Esta deu ao evento a importância que ele merece. Pouca. O problema é mesmo a candidatura de Mário Soares. Se o país não se interessa, não se comove, não se entusiasma e não se espreme por ela, de que quem é a culpa? De quem?

COMO UM CHARRO

João Gonçalves 18 Out 05

Parece que o governo tem a intenção de criar uma cadeira de "Educação Cívica" nas escolas. A ideia, segundo Jorge Lacão, é "despertar" os meninos e as meninas, mas principalmente os primeiros, para questões "profundas" e "sérias" como a igualdade entre os homens e as mulheres. Salvo o devido respeito, se o cerne da cadeirinha é esta matéria, não vale a pena. Aos púberes em idade escolar basta-lhes olhar para o lado e intuem imediatamente o mundo em que vivem. Da "primária" aos mestrados, existe hoje uma avassaladora preeminência do sexo feminino e, nas empresas e no Estado, o gineceu é igualmente confortável. Há, claro, excepções que as contingências sociais e a iliteracia confirmam. Não é o mesmo "ser mulher" na Lapa ou em Fornos de Algodres, ou adolescente na escola primária do Corvo ou na Universidade Católica em Lisboa. Por outro lado, os meninos e as meninas há muito que perceberam as "diferenças" sexuais entre ambos, coisa que, desde cedo, se dedicam a explorar mutuamente sem necessidade nenhuma de "educação". O Estado sempre teve esta mania de pastorear "civicamente" as suas ovelhas. Com Salazar, havia a "organização política e administrativa da nação", ginástica para os meninos e "lavores femininos" para as garotas. O 25 de Abril acabou com a noção "doméstica" das criaturas do sexo feminino, deu ginástica e "actividades circum-escolares " a todos e meteu-lhes na cabeça uma "introdução à política" marxizante. Mais valia que a "educação cívica" "ensinasse" a não escarrar ou a deitar papéis para o chão, a não dizer palavrões a torto e a direito no meio da rua e aos berros, a não mexer ostensivamente nas partes pudibundas, a cultivar hábitos de leitura geral, a desenvolver o "sentimento estético da existência", a não ver televisão, a não ser "formatado", a não ser frívolo, etc, etc. Quanto ao resto, às chamadas questões "profundas", dos costumes e da democracia, é perda de tempo e pura demagogia. O Estado "finge" que lhes "ensina" e eles apenas "fingem" que absorvem. Como se fosse um charro.

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