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portugal dos pequeninos

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LER OS OUTROS

João Gonçalves 12 Out 05

Rui Ramos, no Diário Económico: "a democracia vista de baixo".

PRIMEIROS E SEGUNDOS

João Gonçalves 12 Out 05

O Diário de Notícias "conta" alegadamente a "história" da reunião de Sócrates com as "federações" do PS destinada ao "balanço" das autárquicas e ao "lançamento" definitivo de Mário Soares às ditas "federações" e das ditas "federações" a Mário Soares. Pelo caminho, parece, houve uns murmúrios sobre o governo e o voto "de castigo" - nos quais Joaquim Raposo, um "modelo" político altamente recomendável, teve destaque - e um "esclarecimento" acerca de Manuel Alegre. De acordo com Sócrates, a primeira e única escolha teria sido sempre Guterres, mas como este não quis, e tendo-lhe "chegado aos ouvidos" que Soares estava "disponível", "decidiu-se" por este. Alegre foi por ele "avisado" que ia apoiar Soares, pedindo-lhe que fizesse o mesmo. Alegre ter-se-á calado e, uns dias depois, foi dizer ao Público que estava, ele sim, "disponível", o que terá "obrigado" Sócrates a oficiar publicamente por Soares. Este episódio de "primeiros e segundos" merece uns breves comentários. Alegre tem, no "terreno", uma candidatura aparentemente irreversível. Esta "história" apenas visa "obrigar" Alegre a vir a terreiro discutir questões "de carácter" para esconder a pobreza franciscana da "política" presidencial do PS. Depois, toda a gente sabe que foi Soares quem se impôs a Sócrates e ao PS por achar, com alguma razão, que o partido não sabia o que fazer com Belém. Limitou-se a ocupar, mesmo que sem o rasgo de outros tempos, um vazio. Na sua cabeça, Alegre também fazia parte desse vazio, razão pela qual o considera desprezível. Finalmente, e para efeitos meramente domésticos, Sócrates quis "segurar" o aparelho para servir Soares, tentando que ninguém se distraia com Alegre. Com o devido respeito, não me parece que estes jogos florais partidários interessem ao país. Quem é que, no meio desta balbúrdia, pode sinceramente achar que alguma destas candidaturas presidenciais é a "útil" e a "necessária" ? Quem?

O CANDIDATO JERÓNIMO

João Gonçalves 12 Out 05

Jerónimo de Sousa fez um "balanço" dos resultados autárquicos e lançou-se na sua candidatura. Tem razões para estar satisfeito. Ao contrário do profeta Louçã, capitalizou razoavelmente o "desconcerto" face ao governo e confirmou o PC como uma entidade com alguma audiência local. Depois - e isto foi a parte mais interessante da mensagem - avisou o PS que tenciona explorar o filão do "descontentamento" nas eleições presidenciais, "filão" esse que, bem espremido, pode inviabilizar a "derrota" da "direita" cuja "história" ele recordará. O que é que Jerónimo quis dizer com isto tudo? Três coisas simples. Em primeiro lugar, que, ao contrário do que aconteceu há dez anos com Sampaio, o PC tem uma "agenda" própria para as presidenciais, apesar de Soares, e que se destina fundamentalmente a combater o PS e o governo. Em segundo lugar, que não acredita na vitória de Soares em nenhum "cenário", preferindo "fixar" o seu eleitorado - para o "dia seguinte" - na provavelmente única "volta" das eleições. E, por fim, que não deixará de cumprir o seu papel "contra" Cavaco, sem hostilizar excessivamente alguma opinião pública de "esquerda" que, sem hesitações, vai votar naquele sem precisar de lhe tapar o rosto. Jerónimo e o PC já foram demasiado longe no confronto com o PS e o governo para recuarem ou para pedirem ao "seu povo" para recuar em nome de uma incerta batalha. Jogam, desta vez, pelo seguro.

O REMORSO

João Gonçalves 12 Out 05

EL REMORDIMIENTO

He cometido el peor de los pecados
que un hombre puede cometer. No he sido
feliz. Que los glaciares del olvido
me arrastren y me pierdan, despiadados.

Mis padres me engendraron para el juego
arriesgado y hermoso de la vida,
para la tierra, el agua, el aire, el fuego.
Los defraudé. No fui feliz. Cumplida

no fue su joven voluntad. Mi mente
se aplicó a las simétricas porfías
del arte, que entreteje naderías.

Me legaron valor. No fui valiente.
No me abandona. Siempre está a mi lado
La sombra de haber sido un desdichado

Jorge Luis Borges

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