Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

MARGARIDA REBELO PINTO POSTA A NU

João Gonçalves 4 Out 05

Nunca por nunca me passaria pela cabeça ler Margarida Rebelo Pinto. Pertence a um "mundo" sub-literário que me escapa por completo e suponho que discorre sobre "vidas" que eu normalmente tendo a desprezar. Rebelo Pinto tem sucesso aparentemente - e recorro ao lugar comum - porque escreve para um público que se acha "retratado" naquelas linhas. Logo, ela é o que eles são e eles acham-se subtis naquilo que ela escreve. Este comércio pequeno-burguês entre a "escritora" e o seu "público" não nos deve espantar, nem tão pouco o que se alarga a outras criaturas femininas que produzem prosa semelhante. João Pedro George é irregular na sua "postagem", mas acerta sempre. Andou, explica, a ler "as obras completas" desta nossa amiguinha e foi minucioso e rigoroso na análise. É, naturalmente, imperdível, sobretudo quando a nossa "crítica literária" dos jornais é quase sempre tão esquecível e irrelevante. "Um aviso, desde logo: o texto que se segue é embaraço para a escritora e penoso para os leitores em geral. Margarida Rebelo Pinto repete-se imoderadamente, copia frases de uns para outros livros, utiliza por vezes citações de escritores sem lhes atribuir a origem, tem deslizes de ortografia e comete erros gramaticais, as personagens, as situações, os temas e a estrutura narrativa são sempre os mesmos, as vidas que relata são homogéneas e monótonas, há incongruências catastróficas no vocabulário dos narradores, retirando-lhes toda a credibilidade, as representações dos homens e das mulheres são padronizadas, estereotipadas e simplistas, a escrita toca as raias do mau gosto e do anedótico, o estilo é uniforme e preguiçoso. Tudo considerado, livros deploráveis, falhados e vulgares. Não é fácil afirmar estas coisas, no início senti-me inclusivamente desapontado. É que o fenómeno Margarida Rebelo Pinto era-me simpático. Quando a comecei a ler até estava predisposto a gostar dela.(...) A originalidade em literatura, segundo David Lodge, não consiste em inventar coisas absolutamente novas mas sim em apresentar as coisas familiares de formas não familiares, ou seja, “desviando-nos das formas convencionais e habituais de representar a realidade” (The Art of Fiction, p. 55). Não é isso que acontece, manifestamente, nestes livros. O estilo de Margarida Rebelo Pinto é previsível e insípido, o vocabulário, a sintaxe, as metáforas e as comparações são sempre os mesmos, os ambientes que narra são estáticos, as ideias não passam de clichés, não há o mínimo esforço no sentido de encontrar formas alternativas de descrever as personagens, quer nas suas características físicas quer na sua psicologia, o que explica a superficialidade e a reduzida densidade humana desta literatura, ou melhor, desta sub-literatura. Pela minha parte, desisto. Desisto de Margarida Rebelo Pinto. Mas dou-lhe, ainda assim, um conselho: dê-se por muito feliz pela indiferença com que a crítica até hoje a tem tratado."

LER...

João Gonçalves 4 Out 05

...em O Acidental, "O Oásis Imbecil".

UMA MICRO-CAUSA

João Gonçalves 4 Out 05

Entre a indiferença e o populismo latino-americano, a campanha autárquica aproxima-se, graças a Deus, do fim. Os falsos "independentes" vão ter honras de destaque na noite de domingo e suspeito que seja pelas piores razões. E o PS provavelmente não terá motivos para particular regozijo. À semelhança do que aconteceu com Cavaco Silva em 1989, tal circunstância não pode nem deve "beliscar" a estabilidade e o desempenho governativos. Sobre a D. "Fatinha", de Felgueiras, já está quase tudo dito, pelo menos até ao dia em que ela começar a falar. Há, porém, uma "história" aparentemente mal contada que o jornal Público terá "deixado" cair e que, a bem da sanidade cívica, bem que podia ficar esclarecida. É esse o sentido desta "micro-causa".

VALERÁ A PENA?

João Gonçalves 4 Out 05

Depois de um episódio com gente viva em Desperate Housewives, no canal Fox, passei pela RTP onde se debatia a justiça. Da frescura e da graça de Wisteria Lane, aterrei directamente no moribundo e soturno mundo da "justiça" portuguesa, "interrogado" pela sempre ladina D. Fátima Campos Ferreira. Perorava, nesse instante, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e eu, confesso, fugi instantaneamente da sala. Lembrei-me de, há umas semanas, no mesmo programa, Medeiros Ferreira ter defendido Portugal como "um país de eventos". Que melhor "evento" se poderia desejar para este país do que uma sumária e aplicada "varridela" nesse mistério ensimesmado que é a "justiça portuguesa"? Será que os seus "administradores", os juízes, não se dão conta da "imagem" que passam para uma opinião pública que, em tese, está, indemne, nas suas mãos? Será que é possível alguém rever-se na figura - naturalmente respeitável e veneranda - do presidente do STJ, que murmura diante das câmaras um discurso ininteligível e vagamente "sindicalista", com um monte de papéis confusos à sua frente? Muita gente deve perguntar-se, com inteira legitimidade, a que remota arca perdida se vão buscar estas criaturas estratosféricas que têm lugar de destaque na hierarquia do nosso pobre Estado. A confiança dos cidadãos no "Estado democrático" e na sua credibilidade, também passa - ou sobretudo passa - pela confiança e pela credibilidade transmitida pelos "órgãos de soberania". Com a "justiça" de novo na rua, como num PREC serôdio, e com os seus "representantes" a darem diariamente espectáculos deprimentes, valerá a pena?

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor