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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

COELHO

João Gonçalves 3 Out 05

Na sua crónica diária no Público, Eduardo Prado Coelho, que acumula a escrita com a condição de candidato autárquico, em Lisboa, na lista de Carrilho, diz que "não devemos ter ilusões": "a imagem do PS que vai resultar das próximas eleições autárquicas é a de uma enorme derrota". Esta extraordinária "visão" e, sobretudo, a "convicção", devem estar a ajudar imenso o seu amigo professor. Tirando isso, EPC não deixa de ter alguma razão. Dá ideia que o PS precisa dos resultados do dia 9 para se ver livre de Jorge Coelho. Não foi ele o responsável pela maior parte das escolhas do partido por esse país fora? Não é ele a encarnação do "aparelho", do rústico ao urbano, da grotesco ao "sério"? Eu gosto de Jorge Coelho, que conheci enquanto MAI, e enojam-me os termos com que Alberto João Jardim se referiu a ele na Madeira. Apesar do apoio dado a Sócrates, Jorge Coelho tem um peso específico que eventualmente "pesa", agora, em demasia. Talvez haja aqui uma subtil manobra para, depois das autárquicas, o afastar da campanha de Soares. Ou, melhor dizendo, de Soares arranjar um bom pretexto para não ter Coelho por perto. Eu, pelo sim, pelo não, não gostaria de o ter como inimigo.

LISBOA CABISBAIXA - 4

João Gonçalves 3 Out 05

Ler, no Mar Salgado, o Filipe Nunes Vicente, "Subitamente conservador e tradicionalista", a propósito das "aparições" de Bárbara Guimarães na campanha de Carrilho e do "comentário" de Daniel Oliveira, o "bloquista" "ex-Barnabé", na SIC Notícias. Este Oliveira pertence à minha lista privativa de pessoas detestáveis. Tem a mania que tem graça - uma graça "estalinista", modernaça - e sofre do síndrome da incultura geral que costuma avassalar muito jornalista politicamente "comprometido". As suas prestações junto a José Júdice e a Clara Ferreira Alves, raramente ultrapassam o patamar de uma indigência execrável. Quanto a BG, cada um exibe o que acha que deve exibir para convencer o "povo". A Carrilho não faltam as "ideias". Falta-lhe, sim, a "forma" de as tornar "claras e distintas". E, para o "homem médio", BG não deixa de ser uma boa ideia.

O "LONESOME COWBOY"

João Gonçalves 3 Out 05

Em pleno "santanismo", encontrei um dia o prof. Jorge Miranda na ópera. Comentámos a "situação" e lembro-me de Miranda me ter dito qualquer coisa como isto: "veja ao que nós chegámos, até o Pedro Santana Lopes já é primeiro-ministro". Ocorreu-me esta peripécia por causa da entrevista que o dito concede ao Diário Económico. Apesar de ostentar uma aparente maior serenidade, Lopes continua irremediavelmente a ter-se em grande conta. Compara-se com Sócrates - o que equivale a comparar uma "loja de trezentos" com uma "boutique" Prada - e dá "conselhos" ao seu ex-amigo e Presidente da República, Jorge Sampaio. Pelo meio discorre sobre a falácia que constitui a sua "obra" em Lisboa e ameaça-nos com uma candidatura em 2010. Farpeia Cavaco o mais que pode e "exige-lhe" que "diga o que quer", parecendo não ter bem a noção do quê e de quem está a falar. Santana Lopes foi, a seu tempo, um pequenino lugar-tenente de Sá Carneiro e a sua megalomania transformou esse episódio esquecível numa epopeia. Depois Cavaco serviu-se dele como jurista e como "batedor" político e, sem nunca negar as qualidades "combativas" da criatura, soube sempre até onde o podia deixar ir. O seu lado sedutor e politicamente intuitivo, de "lonesome cowboy", permitiram-lhe os êxitos paroquiais da Figueira da Foz e, com o precioso auxílio da insuportável vaidade de João Soares e do penoso descrédito de Guterres, de Lisboa. Barroso quis arrumar a acrimónia com ele "puxando-o" para ao pé de si. Com a ajuda de Sampaio, empurrou-o para uma frente de combate para a qual não tinha manifestamente pedigree. A opinião pública, mesmo aquela que gosta dele, como eu, devolveu-o pacatamente a casa em Fevereiro. Santana não consegue viver sem se mexer na cadeira. E, pelos vistos, há quem esteja sempre disposto a sentar-se com ele para o ouvir. Eu dava-lhe um conselho amigo. Que parasse um pouco, que reflectisse tranquilamente sobre a vertigem inutilmente suicidária dos últimos anos e que, depois, se fosse caso disso, aparececesse. Eu estou à vontade, porque fui dos que mais o criticou nestas páginas virtuais. E, porque, paradoxalmente, como o disse, até gosto dele. Sobretudo por isso.

MATCH NULO

João Gonçalves 3 Out 05

Li nos jornais de fim-de-semana que Soares, primeiro, e Alegre, depois, se disponibilizaram para votar um no outro numa eventual segunda volta presidencial em que um deles esteja presente. Também li que ambos consideram "hipotética" a passagem do outro à dita segunda volta. Soares, aliás, com a proverbial delicadeza que o caracteriza e, desta vez, acrescida de uma aguda percepção aritmética, jurou que Alegre "não toca" no eleitorado PS. Só ele, pelos vistos, é o dono do referido eleitorado, apesar das amabilidades mútuas. Por seu lado Alfredo Barroso, que aparece como o pré-porta-voz da recandidatura do tio e "coordenador" da campanha, assegura que "Alegre fará todo o mal que puder" ao referido tio, supondo-se que a perfídia inclua sonegar votos ao tal eleitorado "exclusivo". Eu leio isto tudo e fico com pena. Há vinte anos, Mário Soares era o candidato que partia da "esquerda democrática" para "arrumar", pela força do voto, os equívocos e os resquícios mal resolvidos da "revolução" e, simultaneamente, impedir a eleição de um equívoco de outra natureza para Belém. Dizia-se, então, no MASP I, que a sua era uma "candidatura necessária". E o eleitorado - não diminuído, como agora está, pelo estigma partidário -, deu razão à necessidade dessa candidatura. Os jogos florais entre Soares e Manuel Alegre, apesar da tentativa pífia do remake de 1986 com Zenha, revelam dramaticamente a desnecessidade de uma destas candidaturas. Infelizmente a que parecia mais "natural" - a de Alegre -, depois dos ziguezagues do seu principal protagonista, tornou-se vagamente exdrúxula. Soares impôs-se - ao secretário-geral do PS, ao partido e ao país exactamente por esta ordem -, retirando, no seu "código genético", toda a "necessidade" do exercício, algo que ele tem andado a apregoar pelo mundo, mas que ninguém, com dois dedos de testa, consegue enxergar. Contudo, ambos falam do mesmo, para o mesmo e, sobretudo, contra o mesmo. Na sua pueril rivalidade de opereta, ainda não repararam que se anulam mutuamente. Assim sendo, tal significa que o país pode perfeitamente, e agradecido, passar sem eles.

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