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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LER OS OUTROS

João Gonçalves 30 Set 05

No Tomar Partido, do Jorge Ferreira, ler "Em causa própria", o essencial sobre as "ameaças" grevistas dos juízes. Foi também por ele que eu soube da referência do Público ao desaparecimento de Antunes Varela, feita pela Ana Sá Lopes. Parece que a ASL, que até escreve umas coisas engraçadas, como no último domingo, mencionou que "o facto foi assinalado por vários blogues de direita e de extrema-direita". A propensão para catalogar os outros, a partir dos nossos próprios preconceitos, é uma vaidade incontornável e velha como a história. Eu, por exemplo, sei perfeitamente que a ASL é de "esquerda", mas que, nem por isso, a circunstância lhe rouba a lucidez. O que tem escrito sobre Mário Soares ou Cavaco Silva só o comprova. Na parte que me toca, procuro apenas que este blogue esteja bem com a sua consciência e não com a consciência da "direita", da "esquerda" e, muito menos, das "extremas". Ou seja, com a minha. Rasurar as coisas ou os homens, par delicatesse ou por causa do "politicamente correcto", não desfaz a sua complexidade. E eu não ficaria bem com a minha consciência se não escrevesse, ainda que pouco, sobre Antunes Varela.

"DEUS NÃO DORME"

João Gonçalves 30 Set 05

Na sua alegria soarista tardia e "visionária", Medeiros Ferreira congratula-se por Mário Mesquita, um dos poucos avisados "gurus" da nossa comunicação social, ter aceite fazer parte da comissão política da recandidatura de Soares. Por outro lado, e por causa das "sondagens", assegura-nos que a "direita" - sempre esta malvada - "teme" Soares. Mário Mesquita era, nos fins dos anos 70, altura em era "feio" criticar o primeiro-ministro Mário Soares, o director do Diário de Notícias. Depois de um célebre editorial intitulado "Deus não dorme", foi prudentemente removido da função, a bem da paz espiritual do então secretário-geral do PS. Nessa altura "cresciam" o "eanismo", de um lado, e Sá Carneiro, do outro, e a boa-estrela de Soares empalidecia para só voltar a luzir em 1983, com o "bloco central". Mesquita, como M. Ferreira, lá teve a sua "fase eanista" e, agora, a bem da pacificação do socialismo democrático e da "esquerda em geral", voltaram ao confortável e maternal regaço de M. Soares. Nada de particulamente novo, nem excitante, por consequência, neste exercício. Quanto à questão de "quem teme quem", eu compreendo o pathos de M. Ferreira ao tentar recuperar a "teoria da barricada". Se descontarmos todos os disparates e todas as aritméticas produzidos por causa das "sondagens", a evidência manda que se diga, uma vez mais, que é muito séria a hipótese de Cavaco Silva poder ser eleito à primeira volta, independentemente do "bando dos quatro" ou dos "seis". Verdadeiramente, este é que é o "temor" nas eleições presidenciais e, muito particularmente, da candidatura dita "unionista" de Mário Soares. Do "outro lado" - que, pelos vistos, é o "lado" que, afinal, mais une -, fique Medeiros Ferreira descansado que ninguém teme ninguém. E, no momento aprazado, discutiremos o que interessa e que nos distingue, a política. O resto, como sabemos, é espuma e pessoas que pedalam as respectivas bicicletas. De facto, Deus não dorme.

LISBOA CABISBAIXA - 3

João Gonçalves 30 Set 05

Estive, a convite da respectiva candidatura, num "jantar/comício" de Manuel Maria Carrilho. A coisa teve "direito" a Sócrates que exortou a camaradagem a "concentrar" os votos no marido de Bárbara Guimarães, a "entidade" em que parece ter-se transformado o Carrilho dos últimos dias. Aquela, aliás, foi alvo dos encómios mais despropositados por parte do líder da concelhia, Miguel Coelho, enquanto o candidato "quer" toda a gente na rua até ao dia 9 para garantir a tal "concentração". A música de fundo alternava entre a "África Minha", "Gladiator" (um exclusivo de Sócrates), uma música utilizada num documentário da SIC sobre Salazar e o "hino" do Euro 2004, o da "força". Distribuiram-se bandeirinhas por todas as mesas e uns cartões cor-de-rosa a dizer "mudar Lisboa", agitados oportunamente cada vez que o apresentador mandava. Calhou-me ao lado um militante que me esclareceu definitivamente. O simpático senhor, eleitor em Cascais, passou a noite a elogiar (imagine-se...) esses "modelos" autárquicos do PS que foram José Luis Judas (um notável "construtor civil") e a dra. Fátima Felgueiras (que, quando "falar", vai ser "absolvida"). Prefere Soares a Alegre e, até por ser "reformado", aprova o "esticanço" da idade da reforma defendido pelo governo. Entre doses maciças de pão com manteiga para aguentar os discursos prévios à janta e as "maravilhas" de Judas e de Felgueiras vistas a partir da Parede, percebi que o PS não está nada seguro de poder recuperar Lisboa. E eu, uma vez mais, não fiquei certo de que efectivamente o mereça.

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