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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LISBOA CABISBAIXA - 2

João Gonçalves 28 Set 05

Esta senhora, claramente "não desesperada", protagoniza a candidatura mais interessante e, até agora, mais surpreendentemente "profissional", à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

TEORIAS COMUNICACIONAIS

João Gonçalves 28 Set 05

"Artur Portela renunciou ao cargo que ocupava na Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), na sequência daquilo que diz ser «uma pressão» do ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva. Em causa, estão alegados «conselhos» do ministro para a calendarização das decisões sobre as licenças da SIC e da TVI." A AACS não vale um chavo e, quando desaparecer, ninguém terá saudades dela. Pior do que isso, porém, é substitui-la por outra coisa idêntica, para manter a mesma "ânsia" purificadora. O nepotismo "democrático" que circunda as relações entre o poder e a comunicação social, é revelado quase sempre através de pequenos sinais e não necessariamente por "grandes negócios". Mansamente, como convém, Santos Silva vai levando a água ao moínho do governo e, por tabela, do PS. E não me digam que o Portela também é da "direita"!

JOÃO DE MATOS ANTUNES VARELA

João Gonçalves 28 Set 05

Soube, via Blasfémias, do desaparecimento de João de Matos Antunes Varela. Antunes Varela não deve dizer muito às actuais gerações, salvo àqueles que o confundem com calhamaços que têm de "empinar" nas faculdades de Direito. Eu fui seu aluno na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, no decurso do meu atribulado curso de Direito. Ensinou-me Processo Civil, às oito da manhã, com uma alegria e uma clareza de espírito notáveis. Nessa altura já não era propriamente um jovem, mas era ainda, e seguramente, um grande pedagogo. Sabia- coisa rara entre os professores de Direito - como dar uma aula. Os anos de exílio no Brasil apuraram o seu refinado humor e a sua curiosa bonomia. Era, como não podia deixar de ser, um homem das "direitas", porém perfeitamente atento ao "decurso do tempo". Foi ministro da Justiça de Salazar, precisamente no momento em que entrou em vigor o Código Civil. Eu não sou grande jurista nem cultivo "o direito". Se alguma atenção lhe prestei, a Antunes Varela, entre outros, o devo. Por isso aqui fica a homenagem.

EXCELENTE QUESTÃO...

João Gonçalves 28 Set 05

...esta, do Paulo Gorjão. E excelente post, este, do José Adelino Maltez, "Levantai, hoje, de novo, o esplendor de Portugal!". "(...) Quando se concebe que o aparelho de Estado seja uma simples federação de ministérios e se continua a manter, na doutoral constituição, a possibilidade de o número e designação dos ministérios depender do decreto presidencial de nomeação de cada ministro, estamos a gozar com o bom senso e atirar para a rua carrada de dinheiros dos contribuintes. Quando mantemos a ilusão de dizer que há secretariados de reforma ou modernização administrativa, salientando que com a próxima, ou presente, comissão de sábios, com o respectivo relatório, é que vai ser desta, estamos a esquecer-nos que o modelo já vem de 1958 e foi desencadeado pelo ministro da presidência Marcello Caetano. Isto é, estamos a brincar ao estadão, à mania das grandezas típica deste Portugal dos Pequeninos, recorrendo a especialistas em árvores e folhas de árvore e a não recorrermos aos especialistas no todo, na floresta, aos necessários especialistas em assuntos gerais que sabem a verdadeira situação do actual conceito de público que não é o contrário de privado.(...)"

AZUIS

João Gonçalves 28 Set 05

No dia em que todos os jornais, até os mais "sérios", estão pirosamente "de azul", este post do Filipe Nunes Vicente não podia ser mais certeiro:

O ÍNCUBO DE PINTO DA COSTA: Decerto espantado com as sondagens que foram sendo feitas durante o mandato de Rui Rio, Pinto da Costa decidiu estar caladinho durante a pré-campanha. Tudo indica que continue calado. Por extranatural que pareça, de cada vez que o FCP bate em Rio, este ganha votos. Pinto da Costa deve ter saudades dos xitos de Adriano Pinto: tudo era então bem mais simples.

NÃO EXISTEM

João Gonçalves 28 Set 05

"De facto, um governo que irrite tantas corporações e outros pequenos poderes não pode estar só a fazer coisas más." Está certo. O pior é quando Mário Lino ou Manuel Pinho se lembram de aparecer. Nenhum deles parece saber o que fazem ou dizem os respectivos "ajudantes" secretários de Estado. E nenhum dos dois nos consegue dar uma mísera garantia de que sabe o que anda efectivamente a fazer. Ainda não existem justificações palpáveis e consistentes para a OTA ou para o TGV, e já se acena com "micro-aeroportos" em Lisboa. No fundo, estes "estudos" são como os respectivos ministros. Não existem.

GORE VIDAL

João Gonçalves 28 Set 05

"Sou tão insociável quanto é possível ser-se" ou "não existe um único problema humano que não pudesse ser resolvido se as pessoas seguissem os meus conselhos". Não, as frases não são minhas. Pertencem a Gore Vidal, uma omnipresença neste blogue, e vêm numa entrevista dada recentemente ao Guardian. Vidal, à beira dos oitenta anos, regressa definitivamente aos Estados Unidos, a Hollywood. Deixa para trás a villa de Ravelo, perto de Nápoles, onde viveu trinta e dois anos, e onde recebeu todo o género de "celebridades". A morte do seu companheiro Howard Austen e as dificuldades de locomoção, não permitem a Vidal permanecer mais tempo em Itália. Depois de cinquenta e cinco anos de vida em comum com Austen, o desaparecimento deste provocou-lhe uma anorexia que durou sensivelmente um ano. Como é que saiu disso, perguntaram-lhe. "Comi qualquer coisa". Apesar do seu "anti-romantismo", a verdade é que Vidal acabou por partilhar a vida inteira com outro homem. "É verdade. Mas sem sexo. Ninguém acredita, nem ninguém consegue entender. O sexo destruiu mais relações do que qualquer outra coisa. A ideia de exclusividade". Segundo a entrevistadora, a idade não modificou excessivamente Gore Vidal. O seu estilo está mais "desagradavelmente claro" do que nunca e a sua visão do mundo permanece inalterada. "Nunca tive uma opinião excessivamente elevada do mundo. O mundo não fez nada para mudar."

A RAPIDINHA

João Gonçalves 28 Set 05

O PS e o BE aprovam hoje, no Parlamento, um dispositivo legal que permite a realização "rapidinha" de um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. A "urgência" faz "entalar" a coisa entre as autárquicas e as presidenciais, sem grandes discussões. Parece que este país miserável não tem nada de mais relevante para fazer. Não encontro outra maneira de dizer isto, e nem sequer está em causa a minha posição pessoal sobre a matéria. Jorge Sampaio deve recusar, pura e simplesmente, como o fez já este ano, este referendo amanhado à pressa para alívio exclusivo das boas consciências.

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