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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LISBOA CABISBAIXA

João Gonçalves 27 Set 05

Não era hoje que se ia ficar a conhecer o "programa" de Manuel Maria Carrilho para a cidade de Lisboa, o tal que pertence à "única candidatura credível", "o Programa eleitoral mais discutido,mais debatido, mais participado"? Onde é que ele está, afinal? São apenas estes pobres parágrafos bem intencionados?

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João Gonçalves 27 Set 05

...o Francisco José Viegas, "Fazer sangue."

EXÉRCITOS E GENERAIS

João Gonçalves 27 Set 05

José Medeiros Ferreira é, definitivamente, um crente. "Acredita" que é com Mário Soares, "este" Mário Soares, o "novo", que o "regime" se salva e regenera. E, agora, no dia em que começa a campanha autárquica, dominada por um "tom" vagamente latino-americano, também "acredita" no "exército civil da democracia" que diz ser constituído pelos candidatos a autarcas. "Um regime político democrático com tanta gente envolvida [mais de 40000] pode sempre regenerar-se", afiança o meu amigo socialista-reformador. Eu não duvido, por um segundo, que, no meio destes milhares, estão honrados e probos cidadãos dispostos a servir a junta ou a câmara de uma maneira desinteressada e como verdadeiro "serviço público". Acontece que a história regista estes trinta anos de poder autárquico como uma hidra de duas cabeças. De um lado a realização de feitos sublimes em prol das populações e da qualidade de vida local. Do outro, a mais negra e aplicada destruição dos resquícios de dignidade e de memória locais, substituídos por entulho, rotundas e desenfreada construção civil, numa espécie de litania mortal dedicada à eternização "democrática" dos autores materiais das façanhas. A circunstância de este "exército" desmentir "as teses da anemia da participação democrática no nosso país", não me consola particularmente. Porque na "frente" desse "exército" estão "generais" cujas credenciais políticas e éticas, bem como o mero decurso do tempo, os deviam obrigar a nem sequer sair à rua. Tudo é resto é pouco mais do que ornamento "democrático" e "maria-vai-com-as-outras". E eu sei do que falo porque já dei para esse peditório. A democracia precisa de outros "exércitos" e, sobretudo, de outros "generais". Assim, como estamos, não vamos a lado nenhum e muito menos nos "regeneramos".

UMA SAUDAÇÃO

João Gonçalves 27 Set 05

... especial ao Jumento pela distinção "semanal". Trata-se de um blogue amigo, tão excitadamente "anti-cavaquista" como nós somos exactamente o contrário, o que demonstra que existe mais "cidadania" na blogosfera do que na terra.

SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR

João Gonçalves 27 Set 05

Retive, da visita ao Brasil do dr. Mário Soares, o excelente estado da sua próstata, uma feliz notícia. No dia do samba, antes do regresso a Lisboa, Soares foi confrontado pelas televisões com o avanço do "amigo" Alegre. Não é nada com ele, qualquer pessoa maior de 33 anos (são 35, mas não faz mal) pode candidatar-se e, lembrou, o que interessa é "ver" os apoios que cada um tem. Na "dele", de Soares, não há "federação" do PS que não tenha já derramado o seu amor platónico pela sua excelsa pessoa. Tudo somado, e na sua soberana cabeça, Alegre, afinal, não existe. Eu não sei se existe ou não existe e pouco me interessa. Nem sei mesmo se chegará a reunir as famosas "condições técnicas" para se apresentar. Existe, porém, "politicamente" e até mais ver. Ao contrário do discurso de Viseu, só estragado pelos incompreensíveis parágrafos finais, o lance de Águeda só serviu mesmo para aborrecer o viajante. Tão aborrecido ficou que não quis ouvir mais perguntas sobre a "amizade" com Alegre e prometeu, a seu tempo, solenes bordoadas nas sondagens que o desqualificam permanentemente, fazendo lembrar Santana Lopes há uns meses atrás, antes da sumária humilhação de Fevereiro último. Pelos vistos, anda toda a gente a fazer contas de somar e de subtrair por causa de Manuel Alegre. Salvo o devido e habitual respeito, penso que não vale a pena perder muito tempo com isso. Alegre "somou-se" ao "frentismo" esquizofrénico da chamada "esquerda", cujo único objectivo, nas eleições presidenciais, é derrotar Cavaco Silva. À força de todos quererem "somar", acabam por tirar qualquer coisa uns aos outros. Não é preciso ser matemático nem bruxo para recolher tamanha evidência. Soares lidera esta mónada doentia que poderá estatelar-se, sem mais, numa única "volta" eleitoral. "Dramatizar" o discurso com a velha retórica "esquerda/direita", vale hoje tanto como a promiscuidade entre o Bloco de Esquerda e o candidato do PS, exibida às escâncaras pelo Prof. Rosas e pela dra. Amaral Dias. Louçã serve apenas de patrulheiro e de "avisador" por causa de Jerónimo de Sousa. E Jerónimo de Sousa, aliás, faz o mesmo com Louçã. Todos juntos - de Soares a Alegre, passando pela distinta Carmelinda Pereira, pelo causídico Garcia Pereira e pelos dois citados - querem sempre a mesma e única coisa, que me abstenho de repetir, por nada ter a ver com um verdadeiro "desígnio" presidencial. Contudo, é nesse "querer" aparentemente conjunto que se "dividem". Nessa matéria, o candidato que o eng.º Sócrates acha que quer "unir Portugal" é o que mais divertidamente divide. Não haverá mais ninguém para falar por ele que os drs. José Lello e Vitor Ramalho, entremeados com uns murmúrios do dr. Alfredo Barroso? Para tamanho candidato, é coisa pouca. Em suma, não me apoquenta esta "diversidade" reinadia à "esquerda". Lembram-me a peça de Pirandello. Não passam de "seis personagens à procura de autor".

Adenda: Ler, a propósito, no Margens de Erro, este post de Pedro Magalhães. Vi Rui Oliveira e Costa, da "Eurosondagem", a dar umas "explicações" matemáticas na televisão por causa da emergência de Manuel Alegre. Curiosamente também o tinha visto no Hotel Altis, felicissimo, no dia em que Soares se recandidatou.

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