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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 8 Ago 05

... "A indústria dos incêndios", de José Gomes Ferreira. E este post do Mar Salgado, "Fogos e desnorte governamental".

CONVERSAS COM OS LEITORES

João Gonçalves 8 Ago 05

Toda esta "movimentação" da direita reaccionária seria credível, se tivessem feito o mesmo quando os governos anteriores disseram que avançariam com a OTA. Porque não o fizeram e só agora é que se lembraram? Assim, não se queixem de que ninguém acredita em vocês (Anónimo).

Comentário: Não "comento" anónimos. De qualquer forma, já ensinava o Einstein, a estupidez também é infinita.

O presidente da autoridade nacional para os incêndios florestais está à espera que a velocidade de ignição resolva o problema de uma vez por todas: com o fim das árvores, chegará o fim dos incêndios (Raquel).

Comentário: Presumo que a leitora se refere ao sr. general Ferreira do Amaral. A sua condição ornamental não lhe permite ir mais longe do que murmurar uns vagos palpites. O pior é que o ministro, mesmo de helicóptero, também lhe segue, demasiadas vezes, os passos.

E o que é que você queria que ele fizesse, num país que não tem regionalização? Sim, porque se estivessemos regionalizados, como quer a esquerda há muitos anos, isto não acontecia ou pelo menos era muito mais atenuado (Clara).

Comentário: A Clara -está no seu pleno direito - ainda acredita no Pai Natal. Acontece que a descoordenação institucional que se sente no combate às chamas não desapareceria se a coisa estivesse entregue aos vizires locais ou regionais. Qualquer deles, aliás, está há mais tempo no cargo do que qualquer ministro se aguenta no dele. Por outro lado, a "regionalização", num país do tamanho de uma caixa de fósforos e com tão maus e grunhos hábitos localistas ou regionalistas, seria sempre uma forma de incêndio. Mais suave, mas incêndio. E, deixe-me lembrá-la, nem toda a "esquerda" é "regionalista". O dr. Mário Soares, na altura do referendo, foi muito claro. Presumo que ele seja o seu candidato presidencial e faço-lhe a justiça de, pelo menos nesta matéria, ele ainda achar que se trata de uma "loucura".

Provavelmente o VJS prefere o Cavaco. É como a Roseta! Inexplicável é ele e as posições absurdas que tem (Clara).

Comentário: Em democracia, o VJS tem direito a ter tantas "posições absurdas" quanto a Clara. Estamos muito bem uns para os outros.

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João Gonçalves 8 Ago 05

... a reprodução do artigo de Saldanha Sanches no Expresso-Economia, feita pela Grande Loja: "Depois de Sócrates, o quê?"

REPORTAGEM

João Gonçalves 8 Ago 05

Aborrecido, passeio
Pelas ruas da cidade.
Deixei agora o Rossio
E atravesso o Borratém.
Deu meia-noite pausada
No Carmo. Um amigo meu
Passa e tira-me o chapéu.
Paro a uma esquina. Esmoreço
Numa saudade que surge
Dentro de mim não sei como:
Uma saudade infinita,
Misto de choro e revolta.
Alguém me chama no escuro:
Volto a cabeça. A uma porta
Um vulto mexe. - Sou eu!,
Não fuja, sou eu... - Mas quem?
Retrocedo, não conheço
A mulher que me chamou.
Na verdade ninguém ouve,
Ninguém distingue o apelo
Do amor que anda perdido
No mistério de mentir:
Deixo-a ficar onde estava;
Dou-lhe um cigarro e um sorriso
Dizendo que vou dormir.
Atira-me boa-noite
Num frio olhar de ofendida.
Meto à rua do Amparo
A perguntar se esta vida
Não terá finalidade
Menos sórdida e banal?
Atafonas. Uma Igreja.
Mais acima o Hospital.
Um marinheiro propõe
A esta que atravessou
A rua do Benformoso
Irem tomar qualquer coisa
Na Leitaria da Guia.
Ela pára. É uma catraia
Que talvez não tenha ainda
Dezasseis anos. Bonita.
Devagar vou-me chegando
Xaile, uma blusa, uma saia...
E oiço a fala dos dois.
Ele parece uma onda,
Impetuoso, alagante.
Ela é um breve bandó
Num corpito provocante.
E seguem... Ele, encostado,
Muito encostado e aquecido
Lá vai como se encontrasse
Um objecto perdido
Que foi milagre encontrá-lo...
Cortaram além!... E param?
Oiço o rebate de um estalo
E um grito subtil de prece
Amedrontada na fuga...
Desço ao Marquês do Alegrete.
Um candeeiro sinistro
Numa casa que se aluga...
Vejo um polícia. Arrefece.
Um grupo de três sujeitos
Discute o vinho de Torres.
Varrem as ruas. Um gato
Bebe água numa sarjeta;
Uma carroça parou
Carregada de hortaliça
Junto à Praça da Figueira.
Corto a rua dos Fanqueiros
Já um pouco estropiado...
Acendo um cigarro. A noite
Lembra um fantasma assustado...
Chego ao Terreiro do Paço.
O arco da rua Augusta
Parece mais imponente
Na minha desolação...
Vou até ao cais. Em baixo
O rio bate sem reacção...
A maré vasa. No céu,
Vão-se apagando as estrelas.
Um guarda-fiscal dormita
Na guarita, mas de pé.
Um velhote com um cesto
E uma lata vem dizer-me
Se eu quero beber café.
Num banco de pedra. Cismo.
E ali me fico a cismar
Em coisa nenhuma... O dia
Principia a querer ser
Mais um passo na incerteza
Das nossas aspirações...
As águas do rio a escutar
Parecem adormecidas...
E o dia nasce! Vem triste,
Nublado, fosco, cinzento,
Enquanto pela cidade
A vida acorda e desata
O matinal movimento...

António Botto

A USURA DO TEMPO

João Gonçalves 8 Ago 05

Placido Domingo, um dos grandes génios musicais das últimas décadas, anunciou que se vai retirar. Como músico inteligente e homem sensível e intuitivo, Domingo apercebeu-se, como os "antigos", do efeito de usura chamado "decurso do tempo". "Quando iniciei a carreira, cantei com mulheres da idade da minha avó, depois com algumas que podiam ser minhas irmãs mais velhas, em seguida com artistas da minha idade e, actualmente, com jovens que podiam ser minhas netas", disse ele, acrescentando que "quer reflectir antes de tomar a decisão, para não se arrepender e regressar dois anos depois." Um excelente conselho que podia perfeitamente ser seguido noutras "áreas" em que os impulsos serôdios são mais fortes que a serena razão.

A OTA CONTINUA!

João Gonçalves 8 Ago 05

A partir do ABRUPTO:


"NUMA BLOGOSFERA, PERTO DE SI"


Sessenta e três blogues

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"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-05)

e correspondendo ao apelo do senhor Ministro fizeram o pedido, exigência bem educada,

PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

e receberam a resposta:

NÃO. PELO MENOS PARA JÁ, ATÉ QUE O GOVERNO FAÇA O SEU ESTUDO, VISTO QUE AINDA NÃO FEZ NENHUM, APESAR DE JÁ TER DECIDIDO TUDO.


Adenda: O José Júdice, na crónica de dia 5 de Agosto em O Independente, também pergunta pelas "dezenas de estudos encomendados pelos governos sobre o Aeroporto da OTA e o TGV" e se alguém "alguma vez lhes pôs a vista em cima".

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